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Política

Binladen de Diadema e Kiko: candidatos mais fora do comum que já disputaram as eleições

Nas últimas eleições, candidatos como Homem-Aranha do Amapá chamaram atenção por ser fora do padrão tradicional da política

Binladen de Diadema e Kiko: candidatos mais fora do comum que já disputaram as eleições

O período de eleições costuma concentrar debates importantes para a população, mas também revela candidaturas inusitadas que acabam ganhando notoriedade por carregar em suas campanhas eleitorais peculiaridades, seja por meio de personagens, apelidos e até mesmo performances chamativas. Nos últimos anos, candidatos à cargos públicos, como Mulher Pêra e Homem-Arranha do Amapá, chamaram atenção ao disputar espaço nas urnas com perfis fora do padrão tradicional da política brasileira.

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Em 2018 e 2022, dois candidatos recorreram ao nome Wolverini, um dos personagens mais conhecido da Marvel, que também adotaram visual semelhante ao herói, na tentativa de conquistar uma cadeira na política, mas nenhum deles foi eleito, segundo informações do canal Fala de Tudo. Um concorria a uma vaga de deputado distrital pelo partido Pátria Livre, no Distrito Federal, enquanto o outro disputava o cargo de deputado estadual pelo Movimento Democrático Brasileiro, em Araçariguama, no interior de São Paulo.

Há também os que apostam em trocadilhos com o nome, como o candidato que por trabalhar na venda de esterco ficou conhecido pelo apelido de “empresário de merda”. Paulo Sérgio Silvestre, foi candidato em 2022, ao cargo de deputado estadual por Jaú, São Paulo, e teve a denominação “Paulo Bosta” aprovada por votação no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), mas não foi eleito, segundo o R7.

Lista com nomes mais peculiares das eleições

  • Papai Noel (Rede) – candidato a vereador
  • Palhaço Soneca (PP) – candidato a vereador
  • Chapolin Colorado (PSL) – candidato a vereador
  • Saci Pererê (PMDB) – candidato a deputado estadual
  • Vento Levou (PMN) – candidato a vereador
  • Robin (PSDB) – candidato a vereador
  • Nair Bocuda (PRD – candidata a vereadora
  • Nanan do Galo Doido (PTB) – candidato a vereador
  • Kiko (PSL) – candidato a deputado federal
  • Pato Rouco (PMN) – candidato a vereador
  • Fábio Gago (PSD) – candidato a vereador
  • Binladen de Diadema (PDT) – candidato a vereador
  • Gato Louco (Podemos) – candidato a vereador
  • Negona Filé (PSDB) – candidata a vereadora

Quem pode se candidatar no Brasil?

No Brasil, há requisitos básicos para concorrer às eleições, como possuir nacionalidade brasileira, estar em pleno exercício dos direitos políticos, ter alistamento eleitoral, filiação partidária e cumprir a idade mínima exigida para cada cargo. A menor idade permitida é de 18 anos, no caso de vereador. No entanto, a legislação brasileira permite candidaturas fora do comum pelo chamado “nome de urna”, que estabelece a possibilidade de registro baseada na sua identidade, ou seja, pela forma como é conhecido.

O art.12 da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) estabelece o seguinte: “O candidato às eleições proporcionais indicará, no pedido de registro, além de seu nome completo, as variações nominais com que deseja ser registrado, até o máximo de três opções, que poderão ser o prenome, sobrenome, cognome, nome abreviado, apelido ou nome pelo qual é mais conhecido, desde que não se estabeleça dúvida quanto à sua identidade, não atente contra o pudor e não seja ridículo ou irreverente, mencionando em que ordem de preferência deseja registrar-se”.

Representatividade

O advogado Alan Januário explicou ao O Brasilianista que essas normas servem como filtros para reduzir riscos institucionais e coibir perfis com histórico de desvios, mas a possibilidade de participação de pessoas diferentes no cenário eleitoral serve como um auxilio para que outros representantes da sociedade ocupem os cargos públicos além da elite brasileira.

“Sob a ótica criminológica, essas normas funcionam como filtros para reduzir riscos institucionais e coibir perfis com histórico de desvios”, disse. “Candidatos fora do padrão tradicional representam uma ruptura com a elite política e podem ser lidos como resposta à percepção de exclusão ou seletividade do sistema. A criminologia analisa esse fenômeno como tensão entre ampliação de representação e potencial entrada de perfis oportunistas ou com baixa aderência às normas institucionais”, explica o advogado.

Na avaliação de Alan Januário, candidaturas fora do padrão político podem fortalecer a percepção de pluralidade e inclusão democrática ao mesmo tempo que têm o poder de gerar desconfiança sobre a seriedade do processo eleitoral, fator que pode influenciar na legitimidade institucional e na confiança coletiva no sistema político. “Fatores como descrédito nas instituições, crise econômica, alta exposição nas redes sociais e lógica de personalização da política favorecem o surgimento desses candidatos. A visibilidade cresce quando há insatisfação social e baixa confiança nas lideranças tradicionais”.

O especialista afirma que esse cenário não é observado apenas no Brasil, mas também em outros países do mundo, que possuem a participação principalmente de comediantes. “Esse tipo de candidatura também aparece em outros países, como Estados Unidos, Itália e França. Em geral, sistemas mais abertos ou com menor barreira partidária facilitam a entrada desses perfis, enquanto sistemas mais rígidos tendem a filtrar mais”, disse Januário.

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