Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL) que teve R$ 120 milhões bloqueados por ordem do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), é um velho conhecido da Justiça brasileira. O político foi condenado pelo STF na investigação do Mensalão, por receber mesada da primeira gestão Lula na Presidência (2003 a 2006), e foi delatado por executivos da Odebrecht (atual Novonor) nas investigações da Lava Jato, por cobrar propina para ajudar a fechar contratos com a Petrobras.
Presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto é uma das principais lideranças políticas da legenda e atua há mais de quatro décadas na vida pública brasileira. Ex-deputado federal por São Paulo, ele participou de sucessivas legislaturas na Câmara dos Deputados e esteve à frente de diferentes articulações partidárias ao longo de sua carreira.
Em 2012, o Supremo Tribunal Federal condenou Vlademar na Ação Penal 470 (Mensalão) pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo o STF, ficou comprovado que ele negociou o apoio político do então Partido Liberal à base do governo federal em troca de repasses financeiros.
Valdemar da Costa Neto também foi condenado por participar do esquema utilizado para ocultar a origem dos recursos recebidos pelo partido. As penas somadas chegaram a sete anos e dez meses de prisão, além de multa de pouco mais de R$ 1 milhão. Em dezembro de 2013, Valdemar renunciou ao mandato de deputado federal antes de se apresentar à Polícia Federal para iniciar o cumprimento da pena em regime semiaberto.
Posteriormente, o presidente do PL progrediu para o regime aberto e, em 2018, teve a pena extinta após ser beneficiado por indulto concedido pelo então ministro Luís Roberto Barroso, do STF.
Mesmo após deixar a Câmara dos Deputados, Valdemar manteve forte influência política por meio da presidência nacional do PL. Sob sua liderança, o partido ampliou sua representação no Congresso Nacional e passou a ocupar posição de destaque nas articulações políticas nacionais.
Atualmente, Valdemar Costa Neto permanece à frente da direção nacional do PL e segue como uma das principais figuras da legenda, responsável pela condução das estratégias partidárias, negociações políticas e organização eleitoral da sigla. Sua atuação volta a ser acompanhada pelas autoridades diante das investigações sobre a destinação de emendas parlamentares, tema que permanece sob análise do Supremo Tribunal Federal.
Denúncias da ex-esposa na CPI dos Correios
As denúncias feitas por Maria Christina Mendes Caldeira, ex-mulher de Valdemar Costa Neto, ocorreram durante a CPI dos Correios, em 2005. Ela acusou o então deputado de operar um esquema de repasses ilegais em malas de dinheiro e de receber doações irregulares de empresários de Taiwan para campanhas eleitorais.
Segundo Maria Christina, Valdemar pedia rotineiramente ao então tesoureiro do PL, Jacinto Lamas, que buscasse “malas de dinheiro” em Belo Horizonte. Ela também relatou ao Conselho de Ética da Câmara e à CPI que o ex-marido recebeu cerca de R$ 5 milhões de empresários taiwaneses para financiar a campanha da chapa PT-PL à Presidência da República em 2002.
O episódio ficou conhecido como “Operação Taiwan”. Além disso, Maria Christina afirmou que houve uso de verbas do fundo partidário para a compra de bens particulares.
Assista ao depoimento de Maria Christina Mendes Caldeira, ex-mulher de Valdemar Costa Neto, à CPI dos Correios:
Início da carreira política
Sua trajetória na administração pública começou na década de 1970. Em 1977, foi chefe de gabinete da Prefeitura de Mogi das Cruzes e, no mesmo ano, assumiu a Secretaria Municipal de Obras, Viação e Serviços Urbanos, cargo que ocupou até 1980.
Posteriormente, presidiu a Companhia de Desenvolvimento de Mogi das Cruzes entre 1980 e 1983 e, de 1985 a 1990, foi diretor administrativo da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).
Em 1990, foi eleito deputado federal por São Paulo, iniciando uma sequência de mandatos na Câmara dos Deputados. Exerceu o cargo nas legislaturas de 1991 a 1995, 1995 a 1999, 1999 a 2003, 2003 a 2007, 2007 a 2011 e 2011 a 2015. Durante esse período, atuou em diversas comissões permanentes e especiais da Câmara e exerceu funções de liderança partidária.
No antigo Partido Liberal (PL), Valdemar foi líder da bancada em diferentes momentos da década de 1990 e início dos anos 2000, além de presidir o Diretório Nacional da legenda a partir de 2000. Após a fusão entre o PL e o PRONA, que deu origem ao Partido da República (PR), permaneceu entre as principais lideranças da sigla. Em 2019, com a retomada do nome Partido Liberal (PL), voltou a comandar nacionalmente a legenda.
Ao longo da carreira parlamentar, participou de comissões ligadas à fiscalização financeira, economia, indústria, infraestrutura, reforma política, defesa do consumidor e transporte, além de integrar grupos de trabalho e comissões especiais voltadas a temas como legislação eleitoral e reforma política.

