O deputado federal Fausto Pinato (União-SP) afirmou ao O Brasilianista que, se a federação União-PP apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro, será “uma desmoralização total”.
Na avaliação do deputado, a federação deve priorizar a governabilidade e pautas de interesse nacional.
A relação entre Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira foi um dos fatores que contribuíram para esse cenário. O presidente do PP perdeu o apoio de Flávio em um momento em que precisava de sinalização política e acabou se desgastando em meio aos escândalos envolvendo o Banco Master.
Às vésperas das eleições
Também não houve tempo para a construção de uma terceira via. Segundo Pinato, Flávio não abriu espaço para essa possibilidade. “O que está em risco agora é a nossa soberania nacional por conta de Donald Trump”, afirmou.

Pinato vê incoerência no apoio a Flávio Bolsonaro e considera que as pesquisas do pré-candidato não são um bom sinal (Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados)
Fausto aposta que o partido deve adotar uma postura mais pragmática e, eventualmente, apoiar o presidente Lula nas próximas eleições, diante da vantagem apresentada nas pesquisas eleitorais.
O último levantamento Nexus/BTG, conforme mostrou o Brasilianista, aponta um possível empate técnico entre Lula (47%) e Flávio Bolsonaro (44%), embora o presidente da República apareça com leve vantagem na preferência do eleitorado.
Questionado sobre uma eventual reunião para discutir apoio a Flávio Bolsonaro ou uma posição de neutralidade da federação, Pinato afirmou que, até o momento, não há qualquer reunião agendada.
A informação obtida pelo O Brasilianista junto a integrantes do Progressistas é de que, até o momento, não há confirmação de um anúncio de neutralidade da federação nas eleições presidenciais.
Mais publicações a caminho
Nos bastidores, circula a informação de que não há ambiente político para apoiar Flávio Bolsonaro, diante da expectativa de novas publicações que poderão colocar sua candidatura em xeque durante a campanha.
Integrantes do Partido Liberal (PL) e do Progressistas teriam, inclusive, sido avisados de que poderiam ser presos caso continuassem apoiando Flávio Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro faz tentativa e erro
Os problemas envolvendo Flávio Bolsonaro continuam se acumulando. O pré-candidato à Presidência da República foi exposto por Michelle Bolsonaro, que gravou um pronunciamento sobre a forma como teria sido tratada pelo enteado. Segundo ela, Flávio a maltratou e afirmou que ela não entende de política.
O candidato depende do eleitorado feminino e evangélico e ainda busca uma reconciliação com Michelle, que anunciou sua saída do PL Mulher para cuidar da filha e do marido após a exposição pública dos conflitos familiares.
Flávio também aguarda o andamento de uma denúncia apresentada à Procuradoria-Geral da República sobre os recursos utilizados para financiar o filme Dark Horse, que pretende contar a trajetória de Jair Bolsonaro até a Presidência da República. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, assumiu a relatoria do caso.
O senador também teve uma conversa divulgada pelo The Intercept, que mostrou o pedido feito ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção do filme.
Nesta semana, Flávio esteve em Washington para tentar tratar dos problemas relacionados ao tarifaço de 27% sobre produtos brasileiros.
Ao procurar Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, teve o pedido rejeitado.
Em seu discurso, preferiu concentrar a defesa em argumentos políticos e em críticas à forma como o governo Lula conduz as investigações. Flávio também não leu a carta apresentada ao USTR Comments.
Operações da PF
As últimas operações da Polícia Federal desestabilizaram figuras aliadas de Flávio Bolsonaro, o que coloca em dúvida as composições para a disputa ao Senado no Rio de Janeiro (RJ).
Com a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil-RJ), por posse ilegal de um fuzil, nesta quarta-feira (8), sua eventual candidatura, apesar de contar com o apoio da família Bolsonaro, passa a enfrentar um cenário de maior instabilidade.
Cláudio Castro também enfrentou um processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o tornou inelegível em razão do caso Ceperj, esquema que apura abuso de poder econômico por meio da criação de folhas de pagamento e da contratação de servidores sem concurso público, financiadas com recursos públicos em 2022.
Há ainda uma disputa interna entre Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL, que devem concorrer a uma vaga no Senado. No caso de Jordy, pesa o fato de ter sido alvo de uma operação da PF em investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo emendas parlamentares.

