O Brasil é um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, mas sofreu um revés da União Europeia no mês passado.
O país foi proibido de exportar carne para o mercado europeu a partir de 3 de setembro de 2026, após ser classificado como um país que não cumpre as regras sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária.
Em 2022, a União Europeia restringiu a utilização de antimicrobianos na pecuária, ampliando os critérios de segurança na produção animal.
O bloco passou a restringir negociações com países que utilizam de forma excessiva esses produtos, que estimulam o ganho de peso dos animais e podem contribuir para o desenvolvimento de resistência bacteriana. Segundo esse entendimento, caso o animal necessite de tratamento veterinário, a eficácia dos medicamentos pode ser reduzida.
Portaria do Mapa
Para reverter essa situação, o governo federal trabalha, desde abril, com a Portaria nº 1.617/2023, que prevê a proibição da produção de antimicrobianos como avoparcina, bacitracina, bacitracina de zinco, bacitracina metileno dissalicilato e virginiamicina. A medida busca preservar a saúde dos consumidores e dos animais, acompanhando uma tendência já adotada por outros mercados.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estabeleceu que os registros desses produtos passarão a ser suspensos, ficando proibidas a fabricação e a importação em território nacional. As empresas terão um período de adaptação de até 180 dias a partir da publicação da medida, em 27 de abril. Após esse prazo, a comercialização dos produtos deverá ser encerrada e os estoques recolhidos.
Desdobramento
No mês passado, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, tratou do tema com representantes da União Europeia, entre eles o comissário europeu Maros Sefcovic. A porta-voz da Comissão Europeia para Saúde, Eva Hrncirova, afirmou que o Brasil poderá retomar as negociações quando comprovar o cumprimento dos requisitos exigidos.
Para obter mais informações sobre novas reuniões, eventuais acordos bilaterais, avanços nas negociações e estimativas de impacto financeiro para o setor, O Brasilianista procurou o Ministério da Agricultura e Pecuária, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.
Segundo informações divulgadas pelo Globo Rural, com base em reportagem do Valor Econômico, Joesley Batista, da JBS, pressionou pessoalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o governo abandonasse o uso desses produtos.
Exportação de carne bovina
De acordo com dados da Agrostat, do Ministério da Agricultura, as exportações de carne bovina somaram aproximadamente US$ 17,6 bilhões.
O mercado europeu representa cerca de 8,4% desse total, movimentando aproximadamente US$ 1,05 bilhão.
Já a China responde por uma parcela mais significativa das exportações brasileiras de carne, representando cerca de 18,8% do total exportado pelo agronegócio nesse segmento, equivalente a aproximadamente US$ 5,7 bilhões.
Tentei usar a força política para evitar o tarifaço
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), durante uma live realizada no sábado (11), comentou sua viagem a Washington para tentar negociar com representantes ligados ao USTR a revisão das tarifas aplicadas aos produtos brasileiros.
O governo federal segue buscando uma solução junto aos representantes comerciais dos Estados Unidos para tentar barrar a medida. Integrantes próximos às negociações avaliam que a decisão dificilmente será revertida. A expectativa é que o USTR apresente novos posicionamentos nesta quarta-feira (15).
A nova tarifa chinesa
O governo federal também enfrenta uma nova restrição envolvendo um dos principais compradores de carne brasileira: a China. O problema não está relacionado às exigências sanitárias impostas pelos europeus. A medida adotada pelos chineses entrou em vigor em 1 de janeiro de 2026, após o esgotamento da cota de importação registrada em dezembro de 2025.
O Brasil atingiu o limite de exportação de carne previsto na cota chinesa. Com isso, as vendas passaram a enfrentar tarifas mais elevadas.
A China estabeleceu uma cota de 1,106 milhão de toneladas com tarifa de 12%. Após o esgotamento desse limite, incide uma sobretaxa de 55%, elevando a tributação total para 67%.
A tentativa de negociação do Flávio Bolsonaro
Durante a transmissão ao vivo, Flávio Bolsonaro comentou o tema. “Além dos 12% que o Brasil já é tarifado quando exporta carne para lá, o que excedesse essa cota teria mais 55%. Então a gente está falando de 67% de tarifação da nossa carne brasileira”.
O pré-candidato afirmou ainda que pretende procurar a Embaixada da China no Brasil ou até mesmo representantes do governo chinês para tentar discutir o tema e buscar alternativas.
Flávio também mencionou as restrições impostas pela União Europeia à carne brasileira, observando que o país enfrenta dificuldades para exportar proteínas animais ao bloco em razão das exigências sanitárias.
A situação acende um alerta para os exportadores brasileiros, que passam a lidar simultaneamente com as restrições sanitárias da União Europeia, as limitações impostas pela China e a possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos.

