O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta terça-feira (14), uma medida para aumentar o percentual de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%.
A medida tem o objetivo de reduzir a necessidade de importação do combustível diante da alta do preço do petróleo. “A atualização do teor da mistura vai fazer com que o país deixe de importar 900 milhões de litros de gasolina por ano. Nesse contexto, a utilização de uma maior parcela de etanol produzido no país busca reduzir a dependência de combustíveis e possibilitar maior participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira”, afirmou, em nota, o ministro Alexandre Silveira de Oliveira.
A deliberação foi apreciada pelos 17 ministros que integram o conselho. Vale ressaltar que a medida foi adotada com base nos estudos elaborados a partir da Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024).
A proposta passa a valer a a partir de 1 de agosto de 2026, e o ministro afirmou que não descarta adotar a medida de forma permanente. O CNPE ressaltou que o aumento na mistura não causará impactos aos veículos e que foram realizados testes para embasar a resolução.
Resolução é válida por 180 dias
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a resolução terá validade de 180 dias, podendo ser prorrogada por igual período. De acordo com a nota divulgada, foram considerados os preços dos combustíveis e o prolongamento do conflito entre Irã e Estados Unidos.
Com a alta do preço do etanol, o combustível perdeu competitividade, pressionando o custo da gasolina. Com essa medida, o CNPE pretende reduzir esse impacto para o consumidor.
O conflito envolvendo o Irã também impulsionou a alta do petróleo e aumentou as preocupações com o abastecimento mundial de combustíveis. O barril do Brent, referência internacional de preços, atingiu seu maior patamar em junho em razão da instabilidade no Oriente Médio.
Cana-de-açúcar produz etanol
A cana-de-açúcar é um dos principais produtos do agronegócio brasileiro e um dos insumos utilizados na produção de etanol. Desde 2022, o Brasil passou a ser considerado o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, respondendo por 23,5% da produção global. O insumo é o principal insumo para a fabricação de etanol, e o país também lidera as exportações.
A produção concentra-se nas regiões Centro-Sul, responsáveis por 91,5% da produção nacional. São Paulo (SP) segue como o maior produtor de etanol do país, seguido por Mato Grosso (MT), que produziu 5,72 bilhões de litros. O estado paulista também lidera as exportações.
Vale ressaltar que Goiás ampliou sua competitividade entre os estados, sendo responsável pela produção de quase 10,7 milhões de toneladas de açúcar. O estado também respondeu por 85,3% da produção de etanol, alcançando recordes na safra 2025/2026.
MP dos subsídios à gasolina e reação da Câmara dos Deputados
Conforme revelou O Brasilianista, a decisão antecede a discussão sobre a retirada da MP nº 1358/2026, que concede subsídios à gasolina para controlar o preço dos combustíveis. A medida foi avaliada por parte da classe política como ineficaz e teria provocado uma distorção na competitividade entre a gasolina e o etanol.
A avaliação interna é de que, com a intervenção econômica sobre a gasolina, o combustível passou a ser mais vantajoso do que o etanol.
A Câmara dos Deputados estudava pautar um projeto de lei complementar para subsidiar o etanol. O CNPE, no entanto, acabou adotando essa intervenção.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), comemorou, nesta terça-feira (14), a medidade de ajuste no etanol e ressaltou que, “num cenário internacional desafiador, devemos perseguir a estabilidade e a segurança para a produção nacional”.
Recebo com otimismo a aprovação do aumento do percentual para 32% do etanol na gasolina pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética). Este resultado é fruto do diálogo que tive na semana passada com os ministros do Planejamento, Bruno Moretti, e de Minas e Energia,…
— Hugo Motta (@HugoMottaPB) July 14, 2026
Revogação da MP de subsídios
O governo federal pretende retirar a MP de subsídios à gasolina, uma vez que sua vigência precisou ser prorrogada em razão da instabilidade provocada pela guerra. A medida deverá ser analisada nas próximas semanas para que a retirada ocorra de forma “parcial ou total”. O ministro também não estabeleceu uma data para que isso ocorra.
A informação foi confirmada em entrevista exclusiva à rádio GHZ, na qual o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo federal ainda precisa agir com cautela antes de retirar a medida. Segundo ele, a intenção é revogá-la após a estabilização dos preços.

