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Política

Caso Master: A foto de Flávio com Sicário

A imagem retoma o foco no pré-candidato à Presidência e sua possível relação com milicianos

Caso Master: Flávio Bolsonaro muda versão sobre foto com Sicário

Uma foto que passou a repercutir nas redes sociais pode minar mais uma vez a campanha do pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL). A imagem do senador com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, o coloca novamente em supostas relações com os envolvidos do Caso Master.

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Sicário foi um dos presos durante a apuração do caso, acusado de ser o homem encarregado por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para praticar ameaças e ações violentas contra desafetos e pessoas que fossem contra os interesses da instituição financeira.

Ele tirou a própria vida em 6 de março de 2026 sob custódia da Polícia Federal em Belo Horizonte, depois de ser preso na Operação Compliance Zero.

Segundo o BNews, a imagem teria sido tirada em 2022, durante um encontro de Flávio e Mourão no Rio de Janeiro. No entanto, a foto não garante qualquer envolvimento ilícito de Flávio com o caso Master.

Pré-campanha de Flávio nega foto com Sicário

O Brasilianista procurou a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para esclarecer a suposta proximidade entre o parlamentar e Sicário.

A equipe respondeu ao portal que desconhece a fotografia que passou a circular nas redes nesta quarta-feira (15) e levantou a hipótese de que a imagem possa ter sido produzida por inteligência artificial.

“O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, como figura pública e extremamente popular, recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para tirar fotos. É impossível o senador saber quem é cada uma das pessoas que dele se aproxima. Flávio Bolsonaro reafirma que não conhece e nunca viu a pessoa na foto. É irresponsável tentar atribuir qualquer significado pessoal a uma imagem aleatória. Além disso, não se sabe qual a procedência da foto, nem se a imagem é real ou produzida por Inteligência Artificial”, afirmou a equipe, em nota.

A equipe reforçou a O Brasilianista que o senador desconhece quem seja o Sicário e afirmou não saber quando a fotografia foi tirada nem a sua origem.

A Turma e os Meninos de Vorcaro

A Operação Compliance Zero descreve a existência de dois grupos apontados pela Polícia Federal como braços operacionais da organização investigada no Caso Master. Os núcleos eram chamados de “A Turma” e “Os Meninos” e teriam atuado de forma complementar dentro da estrutura atribuída ao empresário Daniel Vorcaro.

O primeiro seria responsável por ameaças presenciais, intimidações, obtenção de dados sigilosos e consultas indevidas a sistemas governamentais. Por sua vez, o segundo grupo teria perfil voltado para operações digitais, invasões telemáticas, ataques cibernéticos e monitoramento ilegal.

“A Turma” realizava acompanhamento físico de alvos, levantamentos clandestinos e obtenção de informações reservadas. A Polícia Federal afirma que o grupo tinha participação de policiais federais da ativa, agentes aposentados, operadores do jogo do bicho e outras pessoas ainda não totalmente identificadas. De acordo com as investigações, a liderança operacional do núcleo seria exercida pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

Já “Os Meninos” era um grupo responsável por invasões telemáticas, derrubada de perfis em redes sociais, monitoramento clandestino e até ocultar possíveis provas digitais. A PF afirma que o grupo era liderado por David Henrique Alves. Ele seria responsável por recrutar operadores com perfil hacker para executar ataques digitais e ações de monitoramento ilegal.

Conforme mostrou O Brasilianista, os dois grupos funcionariam dentro de uma estrutura hierárquica ligada ao núcleo central investigado no Caso Master. A PF indica que ambos seriam gerenciados por Sicário, que aparece na suposta foto com Flávio Bolsonaro.

Integrantes de “A Turma” receberiam cerca de R$ 400 mil mensais, enquanto operadores ligados a “Os Meninos” teriam remunerações fixas para atividades digitais.

Família Bolsonaro e milicianos

Ainda assim, ao longo dos últimos anos, foram noticiadas diversas conexões diretas e indiretsa entre a família Bolsonaro e as milícias do Rio de Janeiro.

O caso Adriano da Nóbrega, por exemplo, que é ex-Capitão do BOPE e ex-chefe do “Escritório do Crime”, ficou evidente após o gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) empregar como assessoras a mãe (Raimunda Veras Magalhães) e a ex-esposa (Danielle Mendonça da Costa) de Adriano da Nóbrega. investigações do Ministério Público do Rio (MP-RJ) mostraram eventualmente que elas participaram do esquema de “rachadinha” e repassaram parte dos salários ao ex-assessor Fabrício Queiroz.

Flávio e Jair ainda homenagearam e defenderam Adriano da Nóbrega durante a época que estava preso sob acusação de homicídio.

Flávio Bolsonaro também declarou Ronald Paulo com uma moção honrosa, apontado pelas investigações policiais como um dos líderes do Escritório do Crime e acabou preso na Operação Osvaldo Cruz. Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco, também possuem conexões com o clã, da época em que Lessa morava no mesmo condomínio de luxo de Jair e Carlos Bolsonaro.

Áreas eleitorais controladas por milícia têm maiores índices de voto na família Bolsonaro

O levantamento do Mapa dos Grupos Armados (GENI/UFF e Fogo Cruzado) mostra que milícias chegaram a controlar mais de 57% do território urbano da cidade do Rio de Janeiro, com presença massiva em algumas regiões.

A Zona Oeste da capital fluminense é o principal reduto miliciano, onde essas organizações surgiram e se estruturaram. Bairros e municípios da região metropolitana, baixada ou região dos lagos como Campo Grande, Santa Cruz e Paciência, Jacarepaguá, Rio das Pedras e Muzema, Realengo, e Padre Miguel e Bangu são as regiões com maior controle dos milicianos.

Em paralelo, a Zona Oeste do Rio também carrega boa parte dos votos à favor da família Bolsonaro no estado. Campo Grande e Paciência, por exemplo, são áreas de votação historicamente massiva da família, onde o ex-presidente obteve expressiva votação no segundo turno de 2022.

Outras regiões do estado possuem a mesma coincidência. Se confirmada a relação de Flávio com o caso Master, sua pré-campanha pode ser ainda mais abalada.

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