De acordo com o portal Bnews, o ex-deputado federal Julian Lemos (PP) e ex-aliado da família Bolsonaro, que coordenou a campanha do ex-presidente no Nordeste durante as eleições de 2018, voltou a fazer duras críticas e afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria acumulado um patrimônio entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões. As declarações foram feitas durante entrevista ao programa “Ô Paraíba Boa”, transmitido pelo YouTube.
Ao comentar sua antiga relação com o grupo político, Lemos também afirmou que o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente nos Estados Unidos, possuiria patrimônio de aproximadamente R$ 150 milhões. O ex-parlamentar, no entanto, não apresentou documentos ou outras provas para sustentar as afirmações e disse apenas que as informações seriam resultado do período em que conviveu com a família Bolsonaro.
Julian Lemos foi eleito deputado federal pela Paraíba em 2018, impulsionado pela candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República. Posteriormente, rompeu com o grupo político e passou a fazer críticas públicas ao ex-presidente e aos seus filhos. Segundo ele, o afastamento ocorreu após divergências dentro do então Partido Social Liberal (PSL), legenda pela qual Bolsonaro disputou a eleição daquele ano.
Na entrevista, Lemos afirmou que se recusou a participar de disputas internas envolvendo os dirigentes Antonio Rueda e Luciano Bivar, responsáveis pela condução do PSL naquele período. Anos depois, o partido foi incorporado ao Democratas (DEM), dando origem ao União Brasil.
Além das acusações relacionadas ao patrimônio dos filhos do ex-presidente, Julian Lemos também fez avaliações sobre o cenário eleitoral. Na opinião dele, Flávio Bolsonaro deveria desistir da disputa pela Presidência da República. Caso mantenha a candidatura, afirmou que o senador seria derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O ex-deputado também declarou acreditar que Jair Bolsonaro preferiria uma vitória de Lula a apoiar outros nomes da direita que poderiam herdar seu capital político. Durante a entrevista, citou como exemplos o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
Segundo Lemos, uma eventual eleição de Michelle também não seria bem recebida pelos filhos do ex-presidente. Ele afirmou que, caso ela chegasse à Presidência, a influência exercida pelos herdeiros de Bolsonaro durante o governo anterior não seria mantida.
O ex-parlamentar ainda comentou a relação entre Jair Bolsonaro e seus filhos, afirmando ter presenciado conflitos internos durante o período em que integrava o grupo político. De acordo com ele, existiam desentendimentos frequentes envolvendo o ex-presidente e o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro. Lemos também afirmou que Carlos Bolsonaro passou a atacá-lo publicamente após o rompimento político.
Outro tema abordado foi seu posicionamento político atual. Embora tenha declarado voto em Luiz Inácio Lula da Silva na última eleição presidencial, Julian Lemos afirmou que não se considera petista nem lulista. Segundo ele, a escolha pelo atual presidente ocorreu por considerar essa a melhor opção diante do cenário político, ressaltando que o país possui capacidade para formar novas lideranças.
Até o momento, a equipe do senador Flávio Bolsonaro não havia se manifestado sobre as declarações de Julian Lemos ao portal BNews. Também não houve resposta pública de Eduardo Bolsonaro em relação às acusações feitas durante a entrevista.

