A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros pode trazer impactos significativos para a relação comercial entre os dois países. A avaliação é da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), que considera a medida um retrocesso para o comércio bilateral e alerta para prejuízos tanto para empresas brasileiras quanto norte-americanas.
Segundo a entidade, a sobretaxa, que começa a valer em 22 de julho, coloca o Brasil entre os países com as condições mais restritivas de acesso ao mercado norte-americano. A estimativa é que mais de US$ 11 bilhões em exportações brasileiras, principalmente da indústria e do agronegócio, sejam afetados pela decisão.
Impacto nas exportações brasileiras
Na avaliação da Amcham Brasil, a medida também contrasta com o cenário comercial entre os dois países. A entidade lembra que os Estados Unidos registraram superávit de US$ 41,8 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil em 2025 e que os produtos norte-americanos enfrentam, em média, baixas tarifas de importação no mercado brasileiro.
Para a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, os impactos não devem ficar restritos aos exportadores brasileiros. A entidade afirma que o aumento das tarifas tende a elevar os custos para empresas e consumidores dos Estados Unidos, reduzir a competitividade da indústria norte-americana que utiliza matérias-primas e insumos brasileiros e aumentar a dependência de fornecedores asiáticos em diversos segmentos.
Reflexos para empresas dos EUA
Outro ponto destacado pela Amcham é que a decisão pode comprometer áreas estratégicas de cooperação entre Brasil e Estados Unidos, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual, setores considerados importantes para o fortalecimento da relação econômica entre os dois países.
A entidade também chama atenção para a desaceleração do comércio bilateral. De acordo com a Amcham Brasil, as trocas comerciais entre os dois países já registraram retração de 13% neste ano, fazendo com que a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro alcance o menor patamar da série histórica. Na avaliação da instituição, esse cenário também pode desestimular investimentos entre os dois mercados, tradicionalmente impulsionados pela intensidade das relações comerciais.
Negociação ainda é o caminho
O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, defende que os governos mantenham abertas as negociações para tentar reverter a decisão. Segundo ele, apesar de não ter sido possível chegar a um entendimento até o momento, o diálogo entre os dois países se intensificou nos últimos meses e continua sendo o caminho mais eficaz para retirar as sobretaxas e ampliar a cooperação bilateral.
Abrão Neto também alerta para a possibilidade de novas restrições comerciais. Segundo ele, uma investigação conduzida pelos Estados Unidos sobre trabalho forçado poderá resultar em novas tarifas sobre produtos brasileiros, elevando a carga total para até 37,5% em alguns casos.
Apesar das críticas ao aumento das tarifas, a Amcham Brasil considera positiva a exclusão de uma lista significativa de produtos da medida anunciada pelo governo norte-americano. Para a entidade, essa decisão ajuda a reduzir parte dos impactos econômicos sobre empresas dos dois países.
Ainda assim, a instituição defende a criação de um mecanismo que permita analisar novas exclusões sempre que as tarifas provocarem efeitos econômicos considerados desproporcionais para empresas e consumidores ou quando não contribuírem para solucionar as preocupações comerciais apontadas pelos Estados Unidos.
A Amcham Brasil afirma que continuará atuando junto aos setores público e privado dos dois países para incentivar o diálogo, fortalecer a relação econômica entre Brasil e Estados Unidos e estimular investimentos, geração de empregos e novas oportunidades de negócios.

