Uma mãe denunciou que a filha de 11 anos foi submetida a um teste de gravidez durante atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, sem que ela tivesse sido informada ou autorizasse o procedimento.
Segundo o relato, a menina procurou a unidade com dores de cabeça e náuseas, recebeu alta ainda com sintomas e a família só descobriu em casa que o exame realizado era um Beta-hCG, utilizado para detectar gravidez.
Família afirma que exame foi realizado sem explicação
A mãe da criança, Laiza Silva de Jesus, contou que a filha começou a passar mal pela manhã e teve piora ao longo do dia, sendo levada à UPA pelo avô para receber atendimento médico.
Durante a consulta, conforme o relato, os profissionais questionaram a menina sobre aspectos de sua vida pessoal, perguntando se ela namorava, se já menstruava e se mantinha relações sexuais.
Ainda de acordo com a mãe, um exame foi solicitado, mas a equipe não informou qual procedimento seria realizado nem explicou sua finalidade antes da coleta.
Laiza afirmou que acreditava que os exames estavam relacionados às queixas apresentadas pela filha, já que suspeitava de uma possível intoxicação alimentar após ambas consumirem peixe no fim de semana.
Segundo ela, o médico informou apenas que não havia alterações nos resultados e atribuiu os sintomas da criança a um quadro gripal, liberando a paciente para voltar para casa após a administração de medicação.
Resultado só foi identificado após a alta médica
A mãe relatou que somente ao chegar em casa abriu o documento entregue pela unidade e identificou que o exame realizado era um teste de gravidez do tipo Beta-hCG.
A partir dessas informações, Laiza disse ter associado as perguntas ao exame realizado e afirmou que não recebeu qualquer esclarecimento prévio sobre a solicitação do procedimento.
Inconformada com a situação, a família retornou à unidade de saúde em busca de explicações.
Segundo a mãe, ela e o pai da menina não conseguiram conversar com a equipe médica, pois foram impedidos de entrar na unidade. Ela afirma ainda que procurou o serviço social da UPA, mas disse não ter recebido uma solução para o caso.
Prefeitura abriu apuração sobre o atendimento
Em nota enviada ao BNews, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Salvador informou que instaurou uma apuração, em conjunto com a direção da UPA de Paripe, para esclarecer todas as circunstâncias do atendimento prestado à paciente.
A pasta explicou que, de forma geral, exames complementares podem ser solicitados em determinadas situações clínicas para confirmar ou descartar hipóteses diagnósticas, orientar a prescrição de medicamentos e definir a conduta médica, sempre conforme avaliação clínica e protocolos assistenciais.
A Secretaria acrescentou que também investiga como ocorreu a comunicação entre a equipe de saúde e os responsáveis legais pela criança durante o atendimento.
Segundo a SMS, acolhimento, transparência das informações e diálogo com a família fazem parte dos princípios que orientam a assistência prestada na rede municipal de saúde.
Secretaria diz que poderá adotar medidas administrativas
Na manifestação encaminhada ao BNews, a Secretaria Municipal da Saúde lamentou qualquer situação que possa ter causado desconforto à paciente e aos familiares, reafirmando o compromisso com uma assistência humanizada, ética e baseada em critérios técnicos.
A pasta informou que, caso a apuração identifique inconsistências na condução do atendimento, serão adotadas as medidas administrativas cabíveis, conforme o resultado da investigação.
Até o momento, a Secretaria não informou prazo para a conclusão da apuração nem divulgou detalhes sobre os procedimentos internos adotados para verificar a conduta da equipe responsável pelo atendimento da criança na UPA de Paripe.

