O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16) que irá reforçar as medidas de apoio às empresas brasileiras atingidas pela decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil. Durante entrevista coletiva realizada no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), ministros defenderam que a medida adotada pelo governo norte-americano é injustificada, reafirmaram a disposição para manter o diálogo e garantiram que os setores prejudicados receberão suporte para minimizar os impactos da decisão.
O vice-presidente, Geraldo Alckmin, afirmou que a sobretaxa não encontra respaldo nos números da relação comercial entre os dois países. Segundo ele, os próprios dados do governo norte-americano mostram que os Estados Unidos acumulam superávit na balança comercial com o Brasil nos últimos anos, o que, na avaliação do governo brasileiro, enfraquece a justificativa para a adoção das novas tarifas.
Alckmin também destacou que o Brasil mantém uma das menores tarifas médias sobre produtos importados dos Estados Unidos e ressaltou que o país continuará buscando soluções por meio da negociação. Ao mesmo tempo, lembrou que o governo poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, caso considere necessário responder às medidas adotadas por Washington.
Empresas brasileiras afetadas
O ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, disse que a prioridade do governo, neste momento, é apoiar as empresas diretamente afetadas pelo tarifaço. Entre os segmentos que podem sofrer maiores impactos estão os setores de madeira, máquinas e equipamentos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.
Segundo ele, as empresas contarão com instrumentos já utilizados pelo governo em programas anteriores, como o Brasil Soberano, além do apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para ampliar a presença em novos mercados internacionais.
Márcio Elias Rosa afirmou ainda que cerca de 2,4 mil empresas brasileiras exportam atualmente para os Estados Unidos e destacou que parte delas já iniciou um processo de diversificação de mercados nos últimos anos. De acordo com o secretário, aproximadamente 74% dessas empresas já comercializam produtos para outros destinos, reduzindo a dependência do mercado norte-americano.
Críticas ao PIX
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também rebateu uma das justificativas apresentadas pelos Estados Unidos envolvendo o Pix. Segundo ele, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos tornou-se uma referência internacional por ampliar a concorrência, reduzir custos e facilitar o acesso da população aos serviços financeiros.
Galípolo afirmou que diversos bancos centrais estrangeiros têm buscado cooperação técnica com o Brasil para desenvolver sistemas semelhantes e classificou as críticas ao Pix como incompatíveis com os resultados obtidos pela ferramenta.
Índice de desmatamento e exportação de madeira
Na área ambiental, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, contestou as acusações relacionadas ao desmatamento e à exportação de madeira ilegal. Segundo ele, o Brasil registrou queda significativa nos índices de desmatamento desde 2023 e possui um dos sistemas mais rigorosos de rastreamento da produção florestal destinada ao mercado internacional.
O ministro afirmou ainda que os produtos brasileiros passam por controle desde a origem até o embarque, sendo monitorados por órgãos ambientais e pela Receita Federal, que segundo ele, impede a exportação de madeira sem comprovação de origem legal.
Disposição para negociar
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo brasileiro realizou mais de 30 reuniões com autoridades dos Estados Unidos desde março deste ano para tentar evitar a adoção das tarifas. Segundo ele, foram apresentados estudos técnicos e documentos contestando todas as alegações utilizadas durante a investigação conduzida pelo governo norte-americano.
Apesar das negociações, Vieira disse que o Brasil não aceitou abrir mão de temas considerados estratégicos para o país e reiterou que a disposição para negociar permanece, desde que sejam preservados os interesses nacionais.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a decisão dos Estados Unidos como uma tentativa de interferência externa nos interesses brasileiros e afirmou que a política econômica do país continuará sendo definida pelo governo brasileiro. Segundo ele, a prioridade será preservar os empregos, proteger as empresas afetadas e manter a estabilidade macroeconômica.

