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Política

Entenda por que um em cada três brasileiros culpa Lula e Bolsonaro pelo avanço das bets

Pesquisa mostra que a maioria da população defende limitar a presença das plataformas no futebol

Entenda por que um em cada três brasileiros culpa Lula e Bolsonaro pelo avanço das bets

A maioria dos brasileiros atribui a responsabilidade pelo crescimento das apostas esportivas online tanto ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto ao do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo pesquisa More in Common/Ipsos-Ipec divulgada pelo MoneyTimes.

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O levantamento aponta que 33% dos entrevistados responsabilizam as duas gestões pelo avanço das bets, enquanto 35% afirmam que nenhum dos governos é culpado.

Outros 18% atribuem o crescimento apenas ao governo Lula, 4% responsabilizam exclusivamente a gestão Bolsonaro e 10% não souberam responder.

A pesquisa ouviu 2 mil pessoas com 16 anos ou mais em 130 municípios entre 4 e 8 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Rejeição às bets vai além da política

De acordo com a More in Common/Ipsos-Ipec, a discussão sobre as apostas esportivas deixou de envolver apenas aspectos econômicos e regulatórios e passou a atingir também a relação entre as plataformas e o futebol brasileiro.

A pesquisa mostra que 68% dos brasileiros defendem a proibição do patrocínio de casas de apostas em clubes, campeonatos e competições esportivas.

O levantamento também aponta que 72% acreditam que as apostas aumentam o risco de manipulação de resultados esportivos. Entre eles, 58% afirmam que esse risco cresce de forma significativa.

Segundo o diretor-executivo da More in Common Brasil, Pablo Ortellado, sucessivos levantamentos mostram que a preocupação com os impactos das apostas reúne diferentes grupos políticos e sociais, principalmente pelos efeitos relacionados ao endividamento e ao vício.

Governo endurece regras para publicidade das plataformas

Como mostrou O Brasilianista, o governo federal decidiu ampliar as restrições para a publicidade das plataformas de apostas por meio de novas portarias editadas pelo Ministério da Fazenda.

As medidas determinam que todas as propagandas passem a exibir advertências obrigatórias como “apostar faz você perder dinheiro”, “apostar pode causar dependência” e “aposta não é investimento”.

As normas também proíbem campanhas que apresentem as apostas como alternativa de renda, promessa de enriquecimento ou solução para dificuldades financeiras.

Além disso, comentaristas esportivos e especialistas ficam impedidos de utilizar a autoridade profissional para incentivar apostas durante transmissões esportivas.

Empresas poderão sofrer multas, suspensão das atividades e até perder a autorização para operar caso descumpram as novas regras.

Influenciadores também passam a responder pelas campanhas

Conforme explicou O Brasilianista, as mudanças ampliaram a responsabilidade de toda a cadeia de publicidade das bets. Além das próprias operadoras, influenciadores digitais, agências de publicidade, plataformas e veículos de comunicação poderão ser responsabilizados caso divulguem campanhas em desacordo com a regulamentação.

Segundo O Brasilianista, o crescimento das plataformas ocorreu em ritmo acelerado após a regulamentação do setor. Atualmente, o Brasil ocupa a quinta posição entre os maiores mercados de apostas online do mundo, com receita líquida estimada em US$ 4,1 bilhões em 2025.

O levantamento mostra que o avanço foi impulsionado pela popularização dos aplicativos, pela expansão do Pix e pela presença cada vez maior das empresas em clubes de futebol, transmissões esportivas e campanhas publicitárias. Em 2025, as operadoras regulamentadas administravam 182 marcas e atendiam mais de 17 milhões de jogadores ativos.

A Copa do Mundo de 2026 elevou ainda mais a movimentação financeira do setor, com centenas de milhões de reais transferidos às plataformas apenas nas primeiras semanas da competição.

Fiscalização e mercado ilegal permanecem entre os desafios

De acordo com O Brasilianista, o endurecimento das regras faz parte de uma estratégia mais ampla para reduzir a atuação das plataformas clandestinas.

Dados do Ministério da Justiça indicam que até 51% das operações disponíveis aos brasileiros ainda pertencem ao mercado ilegal, motivo pelo qual o governo intensificou ações de bloqueio de sites e ampliou investigações sobre lavagem de dinheiro.

O Ministério da Fazenda firmou parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) para desenvolver indicadores públicos sobre o setor, acompanhando o tamanho do mercado ilegal, os impactos sobre a renda das famílias e possíveis reflexos na economia.

Congresso também participou das mudanças

Como mostrou O Brasilianista a regulamentação das apostas esportivas foi marcada por intensa articulação política durante a tramitação no Congresso Nacional.

Levantamento citado pela reportagem identificou um grupo de deputados e senadores que atuou em favor de mudanças como redução da carga tributária das empresas, ampliação dos prazos de adaptação e inclusão dos cassinos virtuais na legislação.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets foi encerrada sem aprovação do relatório final e sem pedidos de indiciamento, após rejeição do parecer elaborado pela relatora, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS).

Segundo O Brasilianista, o avanço das bets também passou a ser tratado como uma preocupação para a economia brasileira. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) avalia que as apostas pressionam o orçamento das famílias e podem contribuir para o aumento do endividamento.

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