Vamos voltar no tempo. No dia 7 de agosto de 2021, no Estádio de Yokohama, o Brasil venceu a Espanha por 2 a 1 na prorrogação, conquistando o bicampeonato olímpico.
Naquele dia, o Brasil, então comandado por André Jardine, começou a partida com Santos; Daniel Alves (capitão), Nino, Diego Carlos, Guilherme Arana; Douglas Luiz, Bruno Guimarães; Antony, Claudinho, Richarlison e Matheus Cunha. Entraram ainda, no decorrer do jogo, Malcom, Paulinho, Reinier e Gabriel Menino.
Pela Espanha, do técnico Luis de la Fuente, iniciaram o jogo Unai Simón; Óscar Gil, Eric García, Pau Torres, Cucurella; Zubimendi; Merino (capitão), Pedri; Dani Olmo, Rafa Mir, Oyarzabal. Também participaram da final os jogadores Miranda, Vallejo, Bryan Gil, Moncayola e Soler.
O presente: 19 de julho de 2026
Voltamos para o presente. A Espanha sagrou-se bicampeã mundial ao vencer a Argentina, capitaneada por Lionel Messi, em jogo digno de uma final mundial.
Dos 11 titulares da Espanha na Olimpíada de Tóquio, 8 jogadores estavam presentes em Nova York, local da final da Copa de 2026. Além do técnico Luis de la Fuente, Unai Simón, Eric García, Cucurella, Zubimendi, Merino, Pedri, Dani Olmo e Oyarzabal se sagraram campeões. Já no Brasil, apenas dois jogadores, daquele elenco de 2021, estavam na lista de Carlo Ancelotti nesta Copa do Mundo: Bruno Guimarães e Matheus Cunha.
A Espanha, mesmo derrotada em Tóquio, manteve uma base bem maior daquele time olímpico — inclusive com Luis de la Fuente sucedendo Luis Enrique no comando técnico, logo após o fracasso espanhol na Copa do Mundo do Catar, em 2022.
Já em 2024, na Eurocopa da Alemanha, a Espanha colheu os primeiros frutos do planejamento e sagrou-se tetracampeã, ao vencer a Inglaterra por 2 a 1, no Estádio Olímpico de Berlim.
Na Olimpíada de Paris, também em 2024, a Espanha conquistou seu bicampeonato olímpico (o primeiro título havia sido em Barcelona 1992), revelando mais quatro jogadores que se tornariam campeões em 2026: Joan García, Pau Cubarsí, Marc Pubill e Álex Baena.
E o Brasil? O que fez desde o título olímpico de Tóquio?
Quais títulos conquistou? Que jogadores revelou? Quantos técnicos passaram pelo comando da Amarelinha?
O Brasil perdeu a final da Copa América de 2021, realizada em casa, sendo derrotado pela seleção argentina em pleno Maracanã. No ano seguinte, foi eliminado nas quartas de final da Copa do Mundo do Catar pela seleção da Croácia. Já em 2024, não se classificou para as Olimpíadas de Paris, perdendo a vaga para Argentina e Paraguai no pré-olímpico da Venezuela, e, meses depois, perdeu a Copa América daquele ano depois de uma campanha irregular e de péssimo desempenho técnico, sendo eliminado pelo Uruguai de Marcelo Bielsa nos pênaltis.
O quadro não melhorou nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2026: o Brasil fez sua pior campanha desde o início do formato de pontos corridos, em 1996, terminando em 5º lugar, atrás de Argentina, Equador, Uruguai e Colômbia. Na Copa propriamente dita, foi eliminado nas oitavas de final ao perder para a Noruega por 2 a 1 — a eliminação mais precoce do Brasil em Copas desde 1990, quando caiu nas oitavas para a Argentina de Maradona e Caniggia. O time terminou na 11ª colocação geral, sua segunda pior campanha na história, atrás apenas da Copa de 1934, na Itália, quando ficou em 14º lugar.
Nesse período, o Brasil teve cinco técnicos diferentes — a maior rotatividade entre as principais seleções do mundo. Começando com Tite, passando por Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior, até chegar a Carlo Ancelotti, o primeiro técnico estrangeiro a comandar a seleção brasileira em uma Copa do Mundo.
O que aprender com a Espanha?
O que podemos fazer para aproveitar a experiência de Carlo Ancelotti — já com contrato renovado até a Copa de 2030 — e mudar essa história de instabilidade e insucessos? O que podemos aprender com o planejamento da seleção espanhola nos últimos quatro anos?
O Brasil não pode perder a chance de se classificar para os próximos Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles. Não porque precisa ser campeão, mas porque precisa voltar a participar de uma grande competição internacional com o objetivo de descobrir novos jogadores e dar experiência aos jovens. Tem que voltar a vencer a Copa América de 2028, para acostumar essa geração a conquistar títulos e a ganhar jogos importantes.
E, principalmente, precisa incorporar, na comissão técnica de Ancelotti, jovens técnicos brasileiros que possam comandar a seleção olímpica em linha com o planejamento para a Copa de 2030 — visando revelar um sucessor no comando técnico da seleção. Nomes como Filipe Luís, Rogério Ceni, André Jardine e Fernando Seabra podem participar diretamente deste novo ciclo da seleção brasileira. Trabalhando ao lado de Ancelotti, poderão dar continuidade ao planejamento e fazer valer a experiência de termos um técnico de porte internacional no comando da seleção brasileira.
A seleção em boa medida é um retrato do país. Temos dificuldade em planejar a longo prazo, e principalmente, seguir esses planos. Para a CBF e os brasileiros, a lição é de que continuidade é necessária se quisermos ser competitivos em 2030.

