O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) aparece como um dos nomes mais competitivos na disputa por uma das duas vagas ao Senado por São Paulo em 2026. Segundo pesquisa Datafolha divulgada em julho, o parlamentar registra 13% das intenções de voto e aparece na terceira colocação no levantamento, atrás de Marina Silva (18%) e Simone Tebet (16%). O cenário indica uma disputa marcada pelo equilíbrio entre nomes de diferentes campos políticos e pela busca de espaço entre eleitores paulistas.
Com uma trajetória ligada ao campo conservador e à direita brasileira, Salles construiu sua carreira política com atuação em pautas como redução do Estado, liberdade econômica, agronegócio e críticas a políticas ambientais mais restritivas. Advogado, foi secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo e ocupou o cargo de ministro do Meio Ambiente durante o governo Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2021. Atualmente, exerce mandato de deputado federal por São Paulo.
A passagem pelo Ministério do Meio Ambiente tornou Ricardo Salles uma figura conhecida nacionalmente, principalmente pela defesa de uma agenda de flexibilização de regras ambientais e aproximação com setores produtivos. A gestão também foi alvo de críticas de organizações ambientais e adversários políticos, especialmente em relação às políticas de fiscalização e preservação ambiental adotadas durante o período em que esteve à frente da pasta.
No Congresso Nacional, Salles mantém atuação alinhada ao discurso de oposição ao governo federal e busca consolidar sua imagem como representante de um eleitorado ligado ao conservadorismo e ao liberalismo econômico. Ele foi eleito deputado federal em 2022 e passou a ocupar uma das cadeiras da bancada paulista na Câmara dos Deputados.
Disputa em São Paulo promete equilíbrio
A disputa pelo Senado em São Paulo ocorre em um cenário de alta concorrência. O estado elegerá dois senadores em 2026, e o eleitor poderá escolher dois nomes para a Casa. Além de Salles, outros candidatos com projeção nacional aparecem na corrida, como Marina Silva e Simone Tebet, ambas ex-ministras do governo federal.
O desempenho de Salles nas pesquisas mostra a força de um eleitorado identificado com a direita paulista. O deputado tenta ocupar um espaço deixado pela reorganização do campo conservador no estado, que busca definir seus principais representantes para a disputa ao Senado.
Base eleitoral e principais bandeiras
Ao longo da carreira, Ricardo Salles também acumulou apoio entre setores ligados ao agronegócio e defensores de uma agenda econômica mais liberal. Sua candidatura aposta na experiência em cargos públicos e na capacidade de mobilizar eleitores que se identificam com pautas de segurança, menor intervenção estatal e defesa da iniciativa privada.
Apesar de aparecer entre os primeiros colocados nas pesquisas, o cenário eleitoral ainda está sujeito a mudanças até a votação. O Datafolha ressalta que levantamentos de intenção de voto representam um retrato do momento em que foram realizados e não uma previsão do resultado das urnas.
Com a disputa por duas cadeiras no Senado, Ricardo Salles tenta transformar sua trajetória no Executivo federal e sua atuação no Congresso em capital político para conquistar uma vaga na principal Casa legislativa do país.
Polêmicas envolvendo Salles
Em maio de 2020, durante uma reunião ministerial, defendeu que o governo aproveitasse o foco da imprensa na pandemia de Covid-19 para “ir passando a boiada” e promover mudanças em normas ambientais. A declaração teve ampla repercussão e passou a simbolizar as críticas à condução da política ambiental durante sua gestão.
Além disso, Salles foi alvo de investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Akuanduba, que apurou suspeitas de facilitação da exportação ilegal de madeira. Em 2021, ele deixou o comando do Ministério do Meio Ambiente. O parlamentar sempre negou irregularidades.

