Os Estados Unidos continuam liderando o desenvolvimento da inteligência artificial, concentrando os sistemas mais avançados, a maior infraestrutura de data centers e a maior parte dos chips utilizados para treinar modelos de IA.
Como informou o The New York Times, nas últimas semanas empresas chinesas reduziram parte dessa vantagem ao lançar sistemas com desempenho próximo ao das principais plataformas americanas, mas com custos significativamente menores.
O lançamento do modelo Kimi 3, da startup Moonshot AI, reacendeu o debate sobre a competitividade do setor e provocou reação imediata do mercado financeiro, enquanto o presidente chinês, Xi Jinping, defendeu uma ordem global baseada em maior cooperação e na expansão de modelos de código aberto.
Disputa vai além do desenvolvimento tecnológico
O Brasilianista destacou que o avanço da inteligência artificial também passou a ocupar espaço nas negociações diplomáticas entre China e Estados Unidos. Durante encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, os dois governos concordaram em manter o diálogo sobre o tema, reconhecendo que os dois países concentram algumas das principais empresas globais do setor.
Ao mesmo tempo, parlamentares americanos passaram a discutir medidas para ampliar a presença internacional das tecnologias desenvolvidas nos Estados Unidos e reduzir o avanço de ferramentas chinesas em mercados aliados.
A China possui posição estratégica na cadeia global de produção de chips por concentrar minerais considerados essenciais para a fabricação de semicondutores utilizados em data centers.
Paralelamente, Brasil e China iniciaram conversas para ampliar a cooperação em inteligência artificial, reunindo órgãos do governo e empresas privadas para discutir infraestrutura computacional, desenvolvimento de modelos e políticas voltadas à soberania tecnológica.
A iniciativa inclui a participação de empresas brasileiras e chinesas interessadas em ampliar o intercâmbio tecnológico, além da construção de soluções voltadas para conectividade, compartilhamento de dados e eficiência operacional em diferentes setores da economia.
Crescimento chinês amplia a concorrência global
O Brasilianista explicou que o fortalecimento tecnológico da China faz parte de um processo iniciado com as reformas econômicas do fim da década de 1970, quando o país passou a incorporar mecanismos de mercado e ampliar sua integração ao comércio internacional.
Para o internacionalista Rafael Moredo, coordenador de políticas públicas do Livres, esse movimento permitiu que a economia chinesa desenvolvesse capacidade industrial e tecnológica suficiente para disputar espaço com os Estados Unidos em áreas estratégicas.
“O cenário que há dez anos parecia inevitável é hoje significativamente mais incerto.”
Segundo o especialista, a China reúne vantagens importantes, como mercado consumidor de grande escala, liderança em energias renováveis e investimentos contínuos em inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, enfrenta desafios ligados ao envelhecimento da população, à desaceleração econômica e às restrições internacionais para aquisição de semicondutores de última geração.
Na avaliação de Moredo, a competição tende a consolidar um sistema internacional dividido entre duas grandes potências econômicas e tecnológicas, reduzindo a possibilidade de predominância absoluta de apenas um país.
Governo chinês amplia proteção sobre tecnologia
O Brasilianista mostrou que, paralelamente ao avanço das empresas nacionais, o governo chinês passou a adotar medidas para dificultar a saída de tecnologias consideradas estratégicas.
Novas regras reforçaram o controle sobre investimentos externos e ampliaram o poder das autoridades para impedir operações que possam transferir conhecimento ou ativos para outros mercados.
A política busca reduzir a transferência de tecnologia para concorrentes estrangeiros e preservar ativos considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional.
Além disso, novas exigências regulatórias passaram a atingir exportadores brasileiros que negociam com a China, enquanto os investimentos chineses no Brasil continuam crescendo em áreas como infraestrutura, energia e produção agrícola.
Brasil ganha importância na estratégia chinesa
O Brasilianista informou que a ampliação dos investimentos chineses no Brasil também faz parte desse movimento de fortalecimento internacional.
O pacote anunciado de US$ 17 bilhões concentra recursos em infraestrutura, energia, tecnologia, logística e agronegócio, setores considerados estratégicos para ampliar a presença econômica chinesa na América Latina.
Para o advogado especializado em reestruturação empresarial Marcos Pelozato, o avanço vai além da entrada de capital.
“A China não está investindo apenas para comprar commodities brasileiras, mas busca fortalecer corredores logísticos, garantir segurança alimentar, ampliar acesso a recursos energéticos e consolidar sua influência econômica na América Latina.”
Áreas como inteligência artificial, telecomunicações, data centers, carros elétricos, baterias e mineração de minerais estratégicos devem receber novos investimentos nos próximos anos.

