Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), atacou o dirigente do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, afirmando que ele não tem autoridade para falar sobre emendas parlamentares.
“Ele é um desclassificado para discutir qualquer assunto porque ele, que era ministro da Dilma [Rousseff], pediu demissão na véspera do impeachment, e todo o PSD votou a favor do impeachment. Um cidadão desse não tem qualificação para julgar isso aí. Ele era ministro até o último dia.”
Durante entrevista ao UOL, Valdemar afirmou que recebeu apoio de deputados e senadores para exercer esse papel e continuou: “Que credibilidade tem um cidadão desse para falar disso? E falar que nunca mexeu em emenda? Não é questão de mexer, de determinar, nada disso. É conversar e ver para onde é melhor ir o recurso.”
As respostas dos dirigentes seguem para análise da Polícia Federal (PF).
Kassab diz que não influencia as escolhas e disputa de poder
Ao Supremo Tribunal Federal (STF), o dirigente do PSD afirmou que “em nenhum momento, em todo o período de existência [do PSD], houve sequer menção à possibilidade de o peticionante exercer influência na destinação de emendas parlamentares”.
Kassab ainda afirmou que o partido respeita as normas regimentais sobre a distribuição das emendas e disse que não participou de qualquer “deliberação de critérios que envolvem fatores relacionados à destinação de emendas”.
A situação incomoda Costa Neto não apenas pela divergência entre as respostas, mas também pela disputa de influência no controle de prefeituras, o que representa uma ameaça à hegemonia do PL.
Nas eleições municipais de 2024, o PSD foi o partido que elegeu o maior número de prefeitos no primeiro turno (886), enquanto o Partido Liberal ficou na quinta posição, com 531 prefeituras.
Distribuição das Prefeituras em 2024
O partido de Kassab conquistou prefeituras em capitais estratégicas, como Rio de Janeiro, Florianópolis, Curitiba e Belo Horizonte, além de eleger mais de 6 mil vereadores, conforme dados divulgados pelo próprio partido.
Valdemar Costa Neto e Eduardo Cunha seguem investigados
O presidente do PL foi alvo da Polícia Federal após serem identificados possíveis indícios de sua participação em decisões relacionadas a emendas parlamentares em conversas com a ex-assessora do deputado federal Arthur Lira (PP-AL), Mariângela Fialek.
O Brasilianista mostrou que as trocas de mensagens, realizadas por meio de três assessores — inclusive integrantes da liderança do Partido Liberal — ligam os envolvidos, segundo a Polícia Federal, ao esquema investigado de fraude em emendas parlamentares.
A Operação Transparência busca esclarecer a atuação de dirigentes partidários nas decisões sobre emendas parlamentares, especialmente nos casos em que participariam da definição da destinação dos recursos mesmo sem exercer cargo público.
Em 2013, Valdemar chegou a renunciar ao mandato após ser envolvido no escândalo do Mensalão. A decisão foi anunciada logo depois de o Supremo Tribunal Federal determinar sua prisão.
O STF condenou o dirigente partidário pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, após concluir que ele recebeu recursos do Partido dos Trabalhadores (PT) em troca de apoio a votações de interesse do governo.

