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Economia

Alckmin descarta retaliação aos EUA e defende negociação para reduzir impactos das tarifas

Governo pretende ouvir os setores afetados antes de definir medidas de apoio

Alckmin descarta retaliação aos EUA e defende negociação para reduzir impactos das tarifas

O governo federal reafirmou que a prioridade do Brasil diante da decisão dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros será a negociação e a busca por soluções diplomáticas, descartando, neste momento, uma estratégia de retaliação comercial. A posição foi defendida pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, após uma rodada de reuniões com representantes dos setores produtivos mais afetados pelas medidas norte-americanas.

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Segundo Alckmin, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter o diálogo com o setor privado e construir um diagnóstico detalhado dos impactos econômicos antes da adoção de qualquer medida. O governo tem promovido encontros com representantes de segmentos como autopeças, calçados, borracha, máquinas e equipamentos, entre outros, para levantar informações sobre perdas de competitividade, efeitos sobre o emprego, redução de receitas e alternativas para minimizar os prejuízos.

Ao comentar a possibilidade de uma resposta semelhante à adotada pelos Estados Unidos, Alckmin afirmou que esse não é o caminho pretendido pelo governo brasileiro. O vice-presidente lembrou que a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, oferece instrumentos para uma eventual reação, mas ressaltou que seu objetivo não é promover uma escalada nas tensões comerciais.

“A ideia não é retaliação. Não é olho por olho, que pode acabar deixando os dois cegos. A reciprocidade significa que não podemos aceitar uma situação considerada injusta e que temos instrumentos para corrigi-la no momento oportuno e da forma adequada”, afirmou.

Tarifa injusta

Para o vice-presidente, a decisão anunciada pelos Estados Unidos é “injusta, indevida e descabida”. Um dos principais argumentos apresentados pelo governo brasileiro é que a relação comercial entre os dois países favorece os próprios norte-americanos. De acordo com Alckmin, os Estados Unidos registram superávit na balança comercial com o Brasil, exportando mais produtos e serviços do que importam dos brasileiros.

Outro ponto destacado foi a diferença entre as tarifas praticadas pelos dois países. Segundo o ministro, a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre produtos americanos é de apenas 3,1%, enquanto a nova medida dos Estados Unidos prevê uma sobretaxa de 25% para determinados produtos brasileiros. Ele também ressaltou que sete dos dez principais produtos exportados pelos norte-americanos ao Brasil entram no país com tarifa zero.

Créditos e novos mercados

Apesar das críticas, o governo pretende manter abertas as negociações. Além do diálogo com autoridades norte-americanas, o Executivo também busca aproximar empresas dos Estados Unidos que importam produtos brasileiros e que poderão ser prejudicadas pelo aumento dos custos provocado pelas tarifas.

Enquanto as negociações avançam, o governo estuda medidas para reduzir os impactos sobre a indústria nacional. Entre as alternativas discutidas estão a ampliação das linhas de crédito para empresas exportadoras, apoio ao capital de giro, mecanismos para preservar a competitividade e ajustes em instrumentos como o drawback, regime que suspende ou elimina tributos incidentes sobre insumos utilizados na produção de bens destinados à exportação.

Diversificação das exportações

Outra estratégia considerada prioritária é a diversificação dos mercados internacionais. Alckmin lembrou que o Brasil tem ampliado sua presença em diferentes países e destacou os acordos comerciais firmados pelo Mercosul com parceiros como Singapura, EFTA e União Europeia. Segundo ele, ampliar os destinos das exportações brasileiras reduz a dependência de um único mercado e fortalece a posição do país no comércio internacional.

O vice-presidente também ressaltou que o Brasil continuará defendendo o multilateralismo e o fortalecimento das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Na avaliação do governo, relações comerciais baseadas em previsibilidade, diálogo e regras internacionais beneficiam tanto produtores quanto consumidores.

Antes de anunciar qualquer pacote de apoio aos setores atingidos, o governo pretende concluir o levantamento dos impactos econômicos das tarifas. Somente após consolidar essas informações é que as propostas serão encaminhadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definição das medidas que poderão ser adotadas.

Com esse posicionamento, o Palácio do Planalto sinaliza que pretende enfrentar a crise comercial priorizando a negociação diplomática e o apoio ao setor produtivo, evitando uma guerra tarifária que possa ampliar os prejuízos para as economias dos dois países.

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