O setor de máquinas e equipamentos será um dos mais afetados pelas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos (EUA). Uma das justificativas apresentadas contra o Brasil é que o PIX, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central (Bacen), coloca instituições financeiras norte-americanas, como Visa e Mastercard, em desvantagem.
A ferramenta, que é gratuita, passou a ser observada por integrantes do Congresso Nacional e do Executivo, diante da necessidade de aprovar medidas para proteger esse sistema.
O Congresso criou, então, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, para garantir autonomia e segurança jurídica ao Banco Central e estabelecer mecanismos que impeçam a fragmentação da infraestrutura do PIX entre instituições privadas. A proposta ainda aguarda análise no Senado Federal, conforme noticiou O Brasilianista. O Banco Central regula a utilização da ferramenta, e todos os bancos que operam no Brasil devem disponibilizar acesso ao sistema.
PIX Cross Border
A ferramenta já permite transferências para outros países. O PIX Cross Border, ou PIX Internacional, tornou-se mais uma alternativa para facilitar pagamentos internacionais. Nesse modelo, a moeda passa por uma instituição autorizada a realizar a conversão da moeda brasileira para a estrangeira — as eFXs.
Ocorre que nenhum dos demais países atingidos pelo tarifaço passou por questionamentos relacionados ao controle da infraestrutura de pagamentos ou foi alvo de investigação conduzida pelo USTR.
O Brasilianista buscou compreender a existência de ferramentas financeiras semelhantes ao PIX e como elas são utilizadas em países atingidos pelo novo tarifaço, que também procuram reduzir sua dependência das instituições financeiras norte-americanas.
Índia
O Unified Payments Interface (UPI) foi criado e regulamentado pelo Banco Central da Índia, em 2016, para permitir transferências bancárias por meio do celular. Diferentemente do sistema brasileiro, que permite cadastrar mais de uma chave para realizar transferências, o usuário precisa apenas de um código, o ID UPI.
Em 2025, a ferramenta contava com mais de 500 milhões de usuários na Índia e realizava quase sete mil transações por segundo.
O usuário também não paga para utilizar a ferramenta, que permite transferências 24 horas por dia. Para as instituições financeiras, também não há cobrança de tarifas pelas transações.
Suécia
Desde 2012, a Suécia utiliza o Swish, serviço de pagamentos criado por grandes bancos suecos com apoio do Banco Central do país e do Bankgiro, sistema utilizado para liquidação de pagamentos.
Para utilizar o serviço, o usuário deve baixar o aplicativo no celular. A partir disso, é gerada uma chave. O único requisito é possuir conta em um banco sueco.
O serviço é gratuito para pessoas físicas. Empresas que utilizam a operação pagam uma pequena taxa por transação, além de uma taxa anual, conforme a instituição financeira.
Canadá
O Interac e-Transfer facilita transferências entre pessoas e também pagamentos instantâneos realizados por empresas. A ferramenta, inspirada no PIX, permite transações por meio de chaves como número de celular ou conta bancária vinculada a uma instituição financeira canadense.
Para realizar a transferência, basta utilizar o aplicativo TD. O serviço é gratuito. No entanto, notificações de recebimento podem gerar cobrança pela operadora de telefonia móvel. A notificação também pode ser enviada por e-mail. As transferências podem ser feitas ainda pelo EasyWeb.
Existe também uma tarifa para solicitações de dinheiro. Até US$ 100, a cobrança é de US$ 0,50. Para valores superiores a US$ 100, a taxa é de US$ 1.
Argentina
O Banco Central da Argentina (BCRA) criou, em 2020, o Transferências 3.0, sistema semelhante ao PIX. A ferramenta utiliza QR Code para realizar transferências entre instituições financeiras.
As transferências podem ser realizadas 24 horas por dia. Segundo o BCRA, o objetivo é incentivar a migração para os meios digitais, reduzir o uso de dinheiro em espécie e ampliar a bancarização no país.
Reino Unido
O Reino Unido adotou o Faster Payments (FPS), sistema que permite transferências 24 horas por dia. Criado em 2008 pela Pay.UK, o serviço modernizou as transferências bancárias entre pessoas físicas e instituições financeiras.
A ferramenta permite transferências a qualquer momento, sem cobrança de tarifas. Em geral, é utilizada para operações de pequeno e médio valor, como transferências entre contas e reembolsos.
China
A China, uma das principais economias em disputa geopolítica com os EUA e também alvo de tarifas, possui um sistema próprio para pagamentos instantâneos.
Sua infraestrutura financeira é controlada pelo Estado. Em 2010, o Banco Central da China criou o Internet Banking Payment System (IBPS).
O IBPS permite transferências instantâneas por meio do aplicativo bancário. O usuário precisa apenas apresentar um QR Code para concluir a operação pelo celular. Apesar disso, os chineses utilizam majoritariamente os aplicativos WeChat Pay e Alipay para realizar pagamentos e transferências.
União Europeia
O Euro Retail Payments Board (ERPB) identificou, em 2014, a necessidade de criar um sistema de pagamentos instantâneos em euro. Em 2017, foi criado o SEPA Instant Credit Transfer, que passou a ser regulamentado em 2024.
O sistema permite transferências entre clientes e empresas em até dez segundos e está padronizado em mais de 40 países europeus.
Atualmente, a ferramenta também atende países que não integram a União Europeia, como Islândia, Noruega e Liechtenstein. Outros 10 países — Albânia, Andorra, Macedônia do Norte, Moldávia, Mônaco, Montenegro, San Marino, Sérvia, Suíça e Estado da Cidade do Vaticano — também passaram a utilizar o sistema.
O Parlamento Europeu aprovou um regulamento que obriga os bancos a oferecerem esse serviço. As regras sobre os limites máximos de transferência continuam sendo definidas por cada país ou instituição financeira.
Estados Unidos
Instituído em 2017, o Zelle é um sistema privado de transferências instantâneas operado por instituições financeiras privadas. A ferramenta foi criada pela Early Warning Services, empresa controlada por seis instituições financeiras: Bank of America, Capital One, JPMorgan Chase, PNC Bank, Wells Fargo e U.S. Bank.
Para utilizar o sistema, é necessário que o banco ofereça a funcionalidade. Em 2024, o Zelle ultrapassou 150 milhões de usuários.
O sistema realiza transferências utilizando identificadores semelhantes às chaves do PIX, como número de telefone e endereço de e-mail. As regras para envio, recebimento e limites de transferência são definidas por cada instituição financeira.
Outras instituições
Existem ainda outros sistemas de pagamentos instantâneos, como o FedNow e o RTP.
O FedNow foi criado pelo Federal Reserve para pagamentos instantâneos, mas cobra uma pequena tarifa por operação (US$ 0,045). A adesão dos bancos ainda é limitada e existe um teto de transferência de até US$ 500 mil.
Já o Real Time Payments (RTP) é um sistema operado pelo setor privado. Administrado pela The Clearing House, permite transferências de até US$ 10 milhões e é mais utilizado por empresas e instituições financeiras. O sistema também oferece funcionalidades adicionais, como pagamento de boletos e faturas.

