O levantamento do Real Time Big Data, divulgado nesta terça-feira (21), identificou um empate técnico entre Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A pesquisa leva em consideração uma margem de erro de dois pontos percentuais.
Caso as eleições fossem para o segundo turno, o levantamento indica que Lula teria 43% das intenções de voto, enquanto Caiado aparece com 44%. Embora o governador esteja numericamente à frente, há empate técnico entre os dois.
A pesquisa também aponta uma leve vantagem para Lula (45%) em relação ao senador Flávio Bolsonaro (42%). Ainda assim, considerando a margem de erro, também há empate técnico entre os dois pré-candidatos.
Nos dois cenários, os votos nulos e em branco somam 8%. Já os entrevistados que disseram não saber ou preferiram não responder representam 5%, tanto na disputa entre Lula e Caiado quanto no cenário envolvendo Flávio Bolsonaro.
Lula e Flávio seguem entre os candidatos mais rejeitados. Flávio lidera esse índice, com 58% dos entrevistados afirmando que não votariam nele. Lula aparece com 48%, enquanto Caiado registra 39%.
O que dizem os especialistas
De acordo com o sociólogo e mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB), Ariel Calmon, Caiado tem condições de ganhar protagonismo na direita, mas depende de conseguir se consolidar dentro do campo conservador.
“Hoje, o grande desafio de Caiado não é Lula, mas sim a disputa pela liderança da própria direita. Enquanto houver mais de um candidato disputando esse espaço, a tendência é a fragmentação desse eleitorado, que é justamente o eleitorado de Caiado. Ao mesmo tempo, as pesquisas mostram que, embora ele tenha dificuldade para se destacar no primeiro turno, há potencial de crescimento caso seja percebido [pelo eleitor ou pelos partidos] como uma candidatura efetivamente viável.”
Ainda é cedo para afirmar que Caiado tenha condições de derrotar o principal candidato da esquerda, mas também é precipitado descartá-lo.
“Se ele conseguir unificar a direita e transformar essa competitividade potencial em intenção de voto no primeiro turno, aí sim poderá chegar ao segundo turno em condições de fazer uma disputa bastante equilibrada”, concluiu Ariel.
Transformar capital regional em projeção nacional
O professor e economista Pio Martins avalia que o Brasil desenvolveu uma forte tendência à polarização eleitoral e, como consequência, o cenário acaba concentrado em duas lideranças competitivas.
“Lula é um concorrente altamente competitivo. Nessa toada de polarização do Brasil, quem seria o outro polo? Eu, por exemplo, digo Ronaldo Caiado”. O professor considera que Caiado reúne algumas vantagens por ter governado Goiás por dois mandatos e por carregar um histórico político que lhe confere credibilidade.
“Fala bem, se expressa bem, não tem acusações morais de corrupção contra ele. Então é um oponente que, a meu ver, seria, dentro dessa polarização, ou até para a direita, o candidato ideal. No momento em que ele se expuser mais, falar mais e aparecer mais, pode crescer. Porém, acredite, essa é uma das coisas mais difíceis de se fazer”, ressalta.
Henrique Hellas, cientista político da assessoria Continuum Private, compartilha avaliação semelhante, mas aponta um obstáculo central: Caiado ainda é mais conhecido como um “governador bem avaliado do que como um nome de alcance nacional”. Para ele, o governador precisa transformar o capital político regional que acumulou em uma presença nacional. Segundo Hellas, esse é um desafio que a direita ainda não conseguiu superar diante da polarização entre Lula e o bolsonarismo.
Os analistas avaliam que Caiado precisa ser percebido pelo eleitorado de direita como um nome mais competitivo para enfrentar Lula. Para isso, seria necessário haver uma fragmentação do eleitorado hoje alinhado a Flávio Bolsonaro.
A dor de cabeça de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro ainda não definiu um candidato a vice-presidente e enfrenta dificuldades para ampliar seu eleitorado após episódios envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero. Segundo as investigações, o senador solicitou US$ 24 milhões para custear a produção do filme Dark Horse, que retrata a trajetória de Jair Messias Bolsonaro.
Na segunda-feira (21), a senadora Tereza Cristina (PP-MS), chamada por Flávio de “vovozinha”, recusou o convite para compor a chapa e afirmou que pretende concentrar esforços em sua reeleição ao Senado, em 2027. O presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, havia afirmado que a senadora era a sua favorita para disputar o Executivo.
Vale lembrar que o senador depende do apoio de parte do eleitorado feminino e evangélico, segmentos que demonstram maior identificação com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O clima familiar se agravou após Michelle relatar, em suas redes sociais, que teria sido humilhada pelo enteado, o qual afirmou que ela deveria ficar fora das decisões do Partido Liberal (PL). Até o momento, não há definição sobre uma eventual candidatura da ex-primeira-dama ao Senado.

