O deputado federal Aécio Neves (PSDB) aparece entre os principais nomes cotados para disputar uma das duas vagas ao Senado por Minas Gerais nas eleições de 2026. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril, o tucano registra cerca de 11% das intenções de voto, ocupando a segunda colocação entre os candidatos testados pelo instituto, atrás da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT). O levantamento reforça que Aécio segue como uma das figuras mais conhecidas da política mineira, apesar do desgaste acumulado nos últimos anos.
Com uma carreira de quase quatro décadas na vida pública, Aécio ocupou cargos nos Poderes Legislativo e Executivo, foi governador de Minas Gerais, senador da República e candidato à Presidência da República. Ao longo desse período, tornou-se um dos principais líderes nacionais do PSDB, mas também passou a enfrentar investigações e denúncias que marcaram sua trajetória política.
Citações na Lava Jato e afastamento do Senado
A partir de 2017, a trajetória de Aécio Neves passou a ser marcada por investigações decorrentes da Operação Lava Jato.
O episódio de maior repercussão ocorreu após as delações dos empresários da JBS. Conversas gravadas pelo empresário Joesley Batista deram origem a investigações conduzidas pela Procuradoria-Geral da República. Em uma das gravações, Aécio aparece solicitando R$ 2 milhões ao empresário, valor que, segundo sua defesa, seria um empréstimo pessoal.
Na época, o então senador foi afastado do mandato por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Posteriormente, o Senado decidiu restabelecer suas funções parlamentares.
Nos anos seguintes, diversos inquéritos foram arquivados ou encerrados por falta de provas suficientes para sustentar acusações criminais. Em diferentes decisões, o STF e a Justiça Eleitoral determinaram o arquivamento de procedimentos envolvendo o parlamentar. Ainda assim, os episódios provocaram forte desgaste político e contribuíram para a perda de protagonismo nacional do ex-governador.
Áudio da JBS e questionamentos sobre as eleições de 2014
Ao longo da carreira, Aécio Neves também esteve envolvido em episódios que repercutiram nacionalmente. Após ser derrotado por Dilma Rousseff (PT) na eleição presidencial de 2014, o então candidato do PSDB questionou o resultado das urnas e pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma auditoria da votação. Embora o tribunal tenha analisado os pedidos, o resultado da eleição foi mantido. O episódio é apontado por analistas políticos como uma das primeiras contestações públicas ao sistema eleitoral brasileiro após uma eleição presidencial.
Em 2017, Aécio voltou ao centro do noticiário durante a Operação Patmos, desdobramento da Lava Jato. Em gravação divulgada a partir da delação dos empresários da JBS, o então senador afirmou que o dinheiro solicitado deveria ser entregue a uma pessoa “que a gente mata antes de fazer delação”. A frase teve ampla repercussão e levou o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a determinar o afastamento de Aécio do mandato. Posteriormente, o Senado reverteu a decisão e o parlamentar retornou ao cargo. Desde o início das investigações, Aécio negou ter cometido irregularidades e afirmou que o diálogo foi retirado de contexto.
Início da carreira política
Nascido em Belo Horizonte, em 1960, Aécio Neves é neto do ex-presidente Tancredo Neves, uma das figuras mais importantes da redemocratização brasileira. Formado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, iniciou a carreira política ainda jovem.
Em 1983, atuou como secretário particular de Tancredo Neves durante o governo de Minas Gerais. Após a morte do avô, em 1985, passou a integrar definitivamente a política partidária.
Foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1986, sendo reeleito por três mandatos consecutivos. Na Câmara dos Deputados ganhou projeção nacional e chegou à presidência da Casa entre 2001 e 2002.
Governo de Minas e candidatura à Presidência
Em 2002, Aécio foi eleito governador de Minas Gerais e reeleito em 2006. Durante seus dois mandatos, adotou uma política de ajuste fiscal conhecida como “Choque de Gestão”, que buscava reorganizar as contas públicas e ampliar investimentos em áreas consideradas estratégicas.
A administração também ficou marcada por investimentos em infraestrutura, saúde, educação e segurança pública. Ao mesmo tempo, enfrentou críticas de adversários e sindicatos em razão de políticas de contenção de gastos, privatizações e reivindicações do funcionalismo estadual.
Após deixar o governo mineiro, foi eleito senador em 2010. Quatro anos depois, disputou a Presidência da República pelo PSDB, sendo derrotado por Dilma Rousseff (PT) no segundo turno, em uma das eleições mais acirradas da história recente do país.
Retorno à Câmara e tentativa de recuperação política
Depois de não conseguir a reeleição ao Senado em 2018, Aécio voltou à Câmara dos Deputados ao ser eleito deputado federal por Minas Gerais em 2022.
Desde então, retomou espaço dentro do PSDB e passou a defender pautas relacionadas ao equilíbrio fiscal, desenvolvimento econômico, fortalecimento do federalismo e ampliação de investimentos em infraestrutura.
Nos bastidores, também participa das discussões sobre o futuro do partido, que busca recuperar espaço no cenário político nacional após perder protagonismo nas últimas eleições presidenciais.

