O Banco Central (BC) aprovou a aquisição da seguradora Kovr pelo PicPay, concluindo a última etapa regulatória necessária para a operação.
Antes disso, a transação já havia recebido o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Com a autorização, a fintech incorpora à sua estrutura uma seguradora com atuação em diferentes segmentos do mercado e reforça sua estratégia de ampliar a oferta de produtos para sua base de mais de 68 milhões de clientes.
A empresa considera que a operação fortalece sua plataforma de seguros ao unir a carteira de clientes da Kovr com a estrutura tecnológica já desenvolvida pelo PicPay.
Em nota divulgada após a aprovação, o CEO do PicPay, Eduardo Chedid, afirmou que a integração representa um passo importante para a expansão da companhia no segmento de seguros.
De acordo com a empresa, a Kovr reúne capacidades em desenvolvimento de produtos, tecnologia e operação que complementam os serviços já oferecidos pela plataforma financeira.
Como a Kovr entrou na história do Caso Master?
A Kovr integrava o conjunto de empresas ligadas ao grupo do Banco Master antes da liquidação extrajudicial da instituição financeira.
A venda da seguradora foi anunciada inicialmente, em 2025, como um management buyout, modalidade em que os próprios executivos assumem o controle do negócio.
Meses depois, o PicPay confirmou que seria o comprador da empresa e iniciou o processo para obter as autorizações dos órgãos reguladores.
Conforme informou O Brasilianista, o avanço das apurações ampliou a lista de pessoas citadas no inquérito envolvendo o ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro.
Entre os nomes mencionados estão integrantes do setor financeiro, parlamentares, ministros de tribunais superiores e autoridades do Executivo que aparecem em diferentes frentes da investigação conduzida pela corporação.
As investigações tiveram novos desdobramentos ao longo de 2026 com a Operação Compliance Zero. Segundo a publicação, a fase mais recente incluiu mandados de busca e apreensão e analisou mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro que passaram a integrar os autos da investigação.
Investigação ampliou o alcance do caso
Outro avanço das investigações ocorreu quando a Polícia Federal identificou diálogos que, segundo os investigadores, indicariam a elaboração de um dossiê sobre o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho.
Conforme relatou O Brasilianista, as mensagens apontam que Daniel Vorcaro teria solicitado o levantamento de informações pessoais e patrimoniais do executivo após afirmar que ele estaria causando dificuldades aos interesses do Banco Master.
Mudanças em regras do FGC também fazem parte da investigação
Outro eixo das investigações trata da tentativa de alteração das regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mecanismo que protege depósitos e aplicações financeiras dentro dos limites estabelecidos pela legislação.
Segundo O Brasilianista, a Polícia Federal afirma ter identificado elementos que indicam uma atuação conjunta entre Daniel Vorcaro e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) para modificar o teto de cobertura do fundo por meio de uma emenda apresentada à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023.
Conforme a investigação, a medida beneficiaria bancos de médio porte que utilizavam uma estratégia de captação baseada em títulos de renda fixa com garantia do FGC.
Perícias e interceptações analisadas pela PF apontam que a proposta teria sido elaborada inicialmente por integrantes do Banco Master antes de ser apresentada oficialmente no Senado.
Outras frentes da investigação do Caso Master
O Brasilianista mostrou que documentos obtidos durante as apurações apontam movimentações financeiras envolvendo uma empresa ligada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e uma companhia citada nas investigações sobre o Banco Master.
Entre os elementos analisados estão notas fiscais emitidas em 2025, posteriormente canceladas em parte, além de outra nota que permaneceu registrada e integra o material examinado pelos investigadores.
A relação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro já havia sido mencionada em razão do financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A existência das operações financeiras e dos contratos mencionados integra o conjunto de fatos investigados pelas autoridades, sem que isso represente, por si só, comprovação de irregularidades. Os envolvidos podem apresentar manifestações às autoridades responsáveis no decorrer das investigações.

