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Economia

Quem serão os próximos bilionários brasileiros?

Expansão da inteligência artificial deve abrir espaço para uma nova geração de empresários

Quem serão os próximos bilionários brasileiros?

A lista mais recente de bilionários brasileiros mostra que grandes fortunas continuam concentradas em setores tradicionais da economia, como bancos, indústria, agronegócio, energia, varejo e saúde.

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Para Leonardo Bastos, empresário e especialista em crescimento empresarial, contabilidade e inteligência tributária, a próxima geração de bilionários brasileiros deverá surgir da combinação entre tecnologia e setores consolidados da economia, e não apenas de empresas dedicadas exclusivamente ao desenvolvimento de inteligência artificial.

Reportagem da Forbes mostrou que a edição de 2025 da Lista Forbes Bilionários Brasileiros reúne 300 nomes, com patrimônio conjunto estimado em R$ 2,01 trilhões, equivalente a cerca de 17,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Indústria, bancos, agronegócio e energia permanecem entre os segmentos mais representativos da lista, enquanto empresas ligadas à inovação tecnológica passaram a ganhar ainda mais relevância diante dos investimentos globais em inteligência artificial.

Infraestrutura pode concentrar as maiores oportunidades

O avanço da inteligência artificial costuma direcionar a atenção para empresas responsáveis pelos modelos tecnológicos. Na avaliação de Leonardo Bastos, entretanto, o maior potencial econômico pode estar em atividades menos visíveis.

“Acredito que a inteligência artificial será o principal motor dessa nova geração de empresas. Porém, na minha visão, os maiores vencedores não serão necessariamente aqueles que desenvolverem uma IA, mas aqueles que fornecerem toda a infraestrutura necessária para que ela funcione e continue crescendo.”

Na visão de Bastos, essa mudança amplia o potencial de negócios ligados à infraestrutura digital e cria oportunidades para empresas que fornecem serviços essenciais para o funcionamento da economia baseada em dados.

“Estamos entrando em uma era em que processamento de dados, armazenamento em nuvem, data centers, geração de energia, semicondutores e conectividade passam a ser ativos estratégicos. Quanto mais a inteligência artificial evolui, maior será a necessidade de energia elétrica, capacidade computacional e infraestrutura tecnológica.”

Além da infraestrutura, o especialista identifica áreas capazes de combinar tecnologia com demandas já existentes da economia brasileira.

“Além disso, setores como saúde digital, infraestrutura, agronegócio de precisão e tecnologia financeira continuarão crescendo porque utilizam a tecnologia para resolver problemas reais da economia. O Brasil possui vantagens competitivas importantes nesses segmentos e pode criar empresas de relevância global.”

Brasil reúne vantagens, mas ainda enfrenta entraves

Embora o país apresente características consideradas favoráveis para o desenvolvimento de empresas inovadoras, Bastos entende que o ambiente de negócios ainda impõe obstáculos importantes para quem busca competir internacionalmente.

Na avaliação do especialista, fatores como disponibilidade de recursos naturais e um agronegócio altamente tecnológico criam condições diferenciadas para o Brasil disputar espaço em áreas estratégicas da nova economia.

“O Brasil reúne algumas características que poucos países possuem. Temos uma das maiores matrizes de energia renovável do mundo, grande disponibilidade de recursos naturais, um agronegócio altamente tecnológico, um mercado consumidor relevante e um ecossistema de inovação cada vez mais amadurecido.”

Ao mesmo tempo, Bastos pondera que questões estruturais continuam reduzindo a velocidade de crescimento das empresas brasileiras.

“O ambiente tributário continua complexo, o acesso ao capital ainda é mais restrito do que em mercados desenvolvidos e a burocracia reduz a velocidade de crescimento das empresas.”

Mesmo diante dessas limitações, o especialista avalia que o país possui condições para ampliar sua participação no mercado internacional de tecnologia.

“Mesmo assim, acredito que o Brasil pode deixar de ser apenas um consumidor de tecnologia para se tornar também um exportador de soluções, principalmente em setores nos quais já possui vantagens competitivas naturais.”

Desafios vão além da inovação

Transformar uma boa ideia em uma startup é apenas uma etapa do processo de criação de grandes empresas. Para Leonardo Bastos, o principal gargalo está na capacidade de transformar esses negócios em organizações com atuação internacional, capazes de competir com empresas de outros mercados.

Na avaliação do especialista, fatores como burocracia e dificuldades para captar grandes volumes de investimento acabam desviando tempo e recursos que poderiam ser direcionados à expansão das empresas.

“O empreendedor brasileiro normalmente precisa dedicar uma energia enorme para lidar com burocracia, insegurança jurídica, elevada carga tributária e dificuldade de acesso a investimentos de grande porte.”

Além das questões regulatórias, Bastos observa que o crescimento internacional exige uma estrutura muito mais complexa do que a necessária para lançar uma empresa no mercado doméstico.

Governança, profissionais qualificados, acesso a investidores e presença em mercados estratégicos passam a ser elementos decisivos para ampliar escala.

“Na minha visão, talento empreendedor não falta no Brasil. O desafio está muito mais nas condições para que esse talento consiga competir em igualdade com empresas de outros países.”

Tecnologia deve transformar setores tradicionais

Ao projetar o perfil dos próximos grandes empresários brasileiros, Bastos considera que a divisão entre tecnologia, indústria, agronegócio e serviços tende a perder importância.

Em vez de surgir exclusivamente de empresas de software, os novos bilionários poderão nascer da aplicação de inteligência artificial em atividades tradicionais da economia.

“O próximo grande empresário provavelmente será alguém que utilizará tecnologia para transformar setores tradicionais.”

Essa integração, segundo Bastos, deve alcançar praticamente toda a economia, incluindo logística, sistema financeiro, indústria, infraestrutura, agronegócio e saúde, ampliando o impacto da inteligência artificial muito além das empresas especializadas em tecnologia.

“Por isso, acredito que veremos grandes empresários surgindo justamente dessa integração entre tecnologia e economia real.”

Eficiência será diferencial competitivo

A aceleração da inteligência artificial também deve impulsionar setores que sustentam essa transformação tecnológica. Bastos compara o momento atual ao impacto provocado pela Revolução Industrial, período marcado pela criação de novos modelos de negócio e pelo surgimento de grandes conglomerados econômicos.

Nesse cenário, o especialista identifica oportunidades em atividades relacionadas à geração de energia, expansão dos data centers, computação em nuvem, infraestrutura digital, mineração de minerais estratégicos, semicondutores, automação e cibersegurança, áreas que devem ganhar importância à medida que cresce a demanda por processamento de dados e conectividade.

“Outro movimento importante será a busca crescente por produtividade. Empresas que conseguirem produzir mais, com menos pessoas e utilizando tecnologia de forma inteligente, terão enorme vantagem competitiva.”

Na avaliação do especialista, os futuros bilionários brasileiros dificilmente serão apenas desenvolvedores de ferramentas digitais.

“Na minha visão, os próximos bilionários brasileiros não serão apenas especialistas em tecnologia. Serão empresários capazes de conectar tecnologia, infraestrutura e eficiência operacional para resolver problemas concretos da sociedade.”

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