Desde a captura do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos, os americanos começaram a cuidar das operações de petróleo do país sul-americano.
Levantamento do Financial Times revelou que o governo de Donald Trump supostamente já arrecadou mais de US$ 13 bilhões — o equivalente a R$ 66 bilhões — em receitas com a venda de petróleo em 2026. Porém, não se sabe o que aconteceu com esse dinheiro.
O governo venezuelano criou um site para acompanhar o retorno referente às vendas de petróleo operadas pelos EUA, mas até o momento há apenas uma operação no sistema, no valor de US$ 300 milhões, realizada em março. Vale lembrar que o ataque de Washington a Caracas aconteceu em janeiro.
As receitas do petróleo representavam, antes do controle americano, cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela. Com as operações realizadas pelos EUA, esperava-se um grande impulso para a economia do país — o que não aconteceu.
A pressão política de democratas e republicanos para o governo indicar o destino oficial do dinheiro aumenta, mas as autoridades entregam versões divergentes sobre os repasses.
Venda de petróleo poderia ajudar com os impactos dos terremotos
Há cerca de um mês, dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram a Venezuela com intervalo de apenas 39 segundos, provocando desabamentos de prédios, interrupção de serviços públicos e milhares de pessoas deixando suas residências.
A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que apenas os danos a edifícios e infraestrutura são de US$ 37 bilhões. Dessa forma, o uso do lucro com as vendas de petróleo poderia ajudar em boa parte na reconstrução das regiões afetadas.
Os EUA disponibilizaram US$ 386 milhões em ajuda para as vítimas do desastre, além de enviar soldados para auxiliar nos resgates.
Comercialização do ouro venezuelano
Em maio, foi autorizada a comercialização de parte do ouro venezuelano por empresas dos Estados Unidos, movimento que representa uma flexibilização parcial das sanções aplicadas anteriormente a Caracas.
A medida foi anunciada pelo Departamento do Tesouro norte-americano e permite que empresas sediadas nos Estados Unidos realizem transações com a estatal de mineração venezuelana Minerven e suas subsidiárias.
Também não há registros do uso do dinheiro recebido com essas vendas, pois os recursos obtidos com a venda do ouro não são administrados diretamente pelo governo venezuelano. O montante arrecadado e os impostos relacionados deverão ser depositados em um fundo supervisionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, atualmente administrado no Catar.
Brasil pode virar a nova Venezuela?
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou no início de junho que o Brasil não é uma nação considerada amigável pelos EUA, juntando-se ao grupo da Venezuela, Cuba e Nicarágua.
Pouco tempo depois, os EUA anunciaram tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros e também a decisão de categorizar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Em entrevista a O Brasilianista, Raquel Gallinati, diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (ADEPOL), afirma que não faz sentido associar o que aconteceu na Venezuela com o que acontece no Brasil.
“No caso venezuelano, houve vínculo direto entre o alto escalão do Estado e estruturas do narcotráfico. Aqui, o debate é sobre a classificação jurídica de facções criminosas, não sobre envolvimento institucional do governo com essas organizações”, disse.
Rodrigo Amaral, professor de Relações Internacionais da PUC-SP, ainda acrescentou que, diferentemente do nosso vizinho, o Brasil é visto internacionalmente como um país estável, o que inibe uma retaliação mais dura.

