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Economia

Entenda por que grupo do Habib’s busca proteção judicial com dívida de R$ 312 milhões

Grupo Gennius busca suspender cobranças por 60 dias enquanto negocia passivos

Entenda por que grupo do Habib’s busca proteção judicial com dívida de R$ 312 milhões

O Grupo Gennius Brasil, controlador do Habib’s, Ragazzo, Mita e Tendall Grill, recorreu à Justiça para obter proteção temporária contra credores diante de uma dívida acumulada de R$ 312,4 milhões.

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A companhia busca preservar o funcionamento dos restaurantes enquanto negocia seus passivos financeiros e tenta reorganizar o caixa.

A medida foi apresentada à 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Reportagem do NeoFeed revelou que a holding pediu uma tutela cautelar antecedente para impedir execuções e cobranças durante 60 dias.

O instrumento pode funcionar como uma etapa anterior à recuperação judicial, caso as negociações com os credores não avancem.

A decisão alcança 174 empresas ligadas ao conglomerado, entre controladoras, cozinhas centrais, lojas próprias e outras sociedades.

Mais de R$ 300 milhões do passivo informado pelo grupo correspondem a dívidas bancárias. A empresa também iniciou uma mediação com credores para buscar acordos e evitar que as dificuldades financeiras comprometam as atividades dos restaurantes.

Proteção busca preservar operação durante negociações

O período permite que a companhia conduza as tratativas sem enfrentar, simultaneamente, execuções individuais que possam atingir bens vinculados às empresas protegidas.

Na decisão, o magistrado explicou que a medida procura dar segurança às negociações e evitar que diferentes cobranças provoquem a retirada desordenada de ativos. A proteção, porém, não elimina as dívidas nem representa a aprovação de um plano de recuperação judicial.

A Justiça também determinou que credores sujeitos à medida não interrompam contratos considerados essenciais apenas por causa de valores anteriores em aberto.

Para manter o fornecimento de produtos e serviços necessários ao funcionamento dos restaurantes, o grupo deverá pagar à vista pelas novas entregas e evitar o crescimento do passivo.

Ao mesmo tempo, o juiz rejeitou a solicitação para liberar recebíveis que haviam sido oferecidos como garantia a instituições financeiras.

O Grupo Gennius pretendia usar esses recursos para reforçar o fluxo de caixa, mas as chamadas travas bancárias foram mantidas.

Pandemia, delivery e juros aparecem entre as justificativas

No processo, o grupo apresentou três fatores para explicar a deterioração financeira. Um deles foi o impacto da pandemia de Covid-19 sobre as atividades entre 2020 e 2022, período em que as restrições de circulação afetaram diretamente estabelecimentos dependentes do atendimento presencial.

A companhia também relacionou parte das dificuldades à transformação dos hábitos dos consumidores com o crescimento das plataformas de entrega.

Embora mantenha aplicativo próprio e opere em serviços de terceiros, a expansão do delivery alterou a dinâmica do mercado e, segundo a empresa, afetou a receita das unidades físicas.

Outro argumento apresentado foi o aumento do custo do capital. Os juros permaneceram elevados nos últimos anos e, conforme o material levado à Justiça, pressionaram uma estrutura financeira na qual mais de R$ 300 milhões do endividamento estão ligados a bancos.

Grupo iniciou mediação antes de recorrer à Justiça

Antes do pedido de tutela cautelar, o Grupo Gennius já havia iniciado uma tentativa de renegociação das obrigações financeiras. A companhia ingressou no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), em Santo Amaro, na capital paulista, para abrir uma mediação com credores.

O procedimento foi utilizado no processo como demonstração de que o conglomerado já buscava uma saída negociada para o endividamento.

Com a suspensão temporária de determinadas cobranças, as empresas ganham prazo para tentar alcançar acordos antes que credores sujeitos à medida avancem individualmente sobre seus ativos.

O próprio juiz registrou que as empresas atendem aos requisitos necessários para requerer recuperação judicial e já iniciaram a mediação.

Caso a reorganização dos passivos não seja alcançada durante o período de proteção, a recuperação judicial permanece como uma possibilidade para o grupo.

A tutela cautelar, portanto, não significa que o Habib’s tenha entrado em recuperação judicial. O procedimento atualmente em curso cria uma proteção temporária enquanto as negociações avançam e preserva a possibilidade de adoção desse instrumento posteriormente.

O Habib’s confirmou a medida e informou que pretende negociar passivos financeiros acumulados nos últimos anos. A companhia também declarou que as unidades continuam operando normalmente em todo o país e que o atendimento aos consumidores não sofreu alterações em razão do procedimento judicial.

A história do Habib’s

O Habib’s foi criado em São Paulo em 1988 por Alberto Saraiva. O grupo expandiu sua presença no segmento de alimentação e incorporou outras operações, como Ragazzo, Tendall Grill e Mita, além de estruturas voltadas à produção, distribuição e delivery.

O conglomerado possui centenas de unidades espalhadas pelo país, entre restaurantes próprios, franquias e outros formatos de operação.

A trajetória empresarial de Alberto Saraiva começou antes da criação do Habib’s. Em 1973, após a morte do pai durante um assalto, ele deixou temporariamente o curso de medicina para assumir a padaria da família, localizada no bairro do Brás, em São Paulo.

Anos depois, Saraiva ingressou no segmento de comida árabe e abriu o Habib’s em 1988. O modelo cresceu e passou a operar com franquias a partir da década seguinte, ampliando a presença da marca em diferentes regiões do país.

O empresário também criou o Ragazzo em 1991, direcionado à culinária italiana. Décadas mais tarde, o conglomerado lançou a Mita, voltada ao mercado de marmitas por delivery, e manteve negócios em outros segmentos de alimentação.

O Habib’s está presente em 18 estados e reúne mais de 17 mil colaboradores.

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