O conselheiro da Vale Marcelo Gasparino decidiu apresentar, nesta segunda-feira (27), uma carta de renúncia ao cargo. A informação foi divulgada pelo Valor Econômico.
O advogado deixou seus dois assentos, no Comitê de Indicação e Governança e no Comitê de Pessoas e Remuneração
A medida ocorreu após o colegiado da mineradora ter votado, na quarta-feira, 22, o pedido de destituição de seu cargo em razão do vazamento de dados sensíveis relacionados às reuniões da mineradora realizadas em 19 de junho de 2026.
Após essa situação, o conselho convocou uma nova reunião com os acionistas da mineradora para tratar da destituição e do desligamento de Gasparino. A convocação recebeu a assinatura de Marcelo Feriozzi, vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores.
O pedido de destituição recebeu o aval do Comitê de Auditoria e Riscos (Care) e da Diretoria de Auditoria e Conformidade.
Dados sigilosos vazados
O Valor também informou que a destituição foi aplicada conforme a Política de Gestão de Desvios de Conduta.
“Esta decisão foi tomada com base nos fatos e conclusões da apuração conduzida por escritório externo independente, contratado por deliberação do conselho, que confirmou o referido vazamento, que constitui desvio de conduta nos termos da referida Política”, informou a Vale.
As informações vazadas, no entanto, não tiveram seu conteúdo divulgado. O material vazado teria sido encaminhado a acionistas minoritários e utilizado como prova em uma consulta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no contexto da eleição para o colegiado da mineradora.
Mudanças nos últimos anos
As mudanças ganharam mais intensidade após o rompimento da barragem em Brumadinho (MG). Entre 2023 e 2024, durante a gestão de Eduardo Bartolomeo, iniciou-se uma disputa por controle e influência na companhia, período em que o ex-ministro Guido Mantega tentou indicar representantes para ampliar sua influência nas tomadas de decisão da mineradora.
Em 2025, Gustavo Pimenta foi eleito CEO da Vale por unanimidade pelo conselho. Em 2026, a Previ passou a alterar a composição do colegiado, pedindo, inclusive, a saída de Daniel Stieler.
Um dos motivos seria a necessidade de aprimorar a governança corporativa da mineradora.
Votação no conselho
Conforme O Brasilianista noticiou na quinta-feira (23), o conselho elegeu, na semana passada, Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira para comandar o colegiado. O advogado Marcelo Gasparino também concorreu à vaga, ficando com a vice-presidência do conselho.
O processo de votação ocorreu após a Previ, acionista da companhia, apresentar a solicitação de mudanças na direção da Vale.
A Vale informou que deverá se manifestar sobre o caso após a conclusão dos trâmites internos, divulgando apenas as informações que considerar pertinentes.
Como Manuel Lino assumiu o cargo
Em 11 de julho de 2026, quando a Previ solicitou uma reunião para substituir Daniel Stieler, que ocupava o cargo desde 2021, a entidade apresentou ao menos dois nomes para a presidência: os candidatos José Maurício Pereira Coelho e Manuel Lino.
Os acionistas defendiam mudanças na organização da mineradora a fim de traçar novas estratégias para a Vale. A governança da companhia depende da decisão de múltiplos agentes para definir os rumos de longo prazo, não ficando centralizada em um único acionista.
Assim, as decisões são tomadas em conjunto por investidores, conselheiros e acionistas.
Manuel Lino foi eleito com 1,977 bilhão de votos, garantindo a presidência. Ele já ocupava o cargo de conselheiro independente da Vale desde 2021.

