Os pré-candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) devem buscar apoio de partidos do centro para consolidar suas campanhas nos estados.
União Brasil, PP, PDT, PSB e PSD aparecem como possíveis aliados do Partido dos Trabalhadores, enquanto o Partido Liberal também busca aproximação e alianças com Republicanos, PP, União Brasil, PSD e MDB, segundo apurou o jornal O Globo.
Para o Partido dos Trabalhadores (PT), a ideia é evitar conflitos regionais, fortalecer os palanques de Lula nos estados e ampliar o número de alianças. Até o momento, o partido contabiliza 12 pré-candidatos aos governos estaduais em locais onde já possui maior consolidação. Lula deve apoiar os mesmos partidos de centro, principalmente PSB e PDT.
É o caso de Jerônimo Rodrigues, na Bahia; Elmano de Freitas, no Ceará; e Rafael Fonteles, no Piauí. Por outro lado, alguns nomes ainda não aparecem na liderança das pesquisas, como Fernando Haddad, que oficializou a disputa ao Governo de São Paulo, e Patrus Ananias, que confirmou, na semana passada, a pré-candidatura ao governo de Minas Gerais.
Os outros pré-candidatos são Leandro Grass (DF), Helder Salomão (ES), Luis Cesar Bueno (GO), Felipe Camarão (MA), Fábio Trad (MS), Cadu Xavier (RN) e Expedito Netto (RO).
Partido Liberal com foco no Nordeste
O Partido Liberal já optou por apoiar candidaturas em estados onde há maior potencial eleitoral, mesmo sem lançar candidatos próprios. Esse é o caso de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição em São Paulo e aparece como favorito nas pesquisas.
O partido presidido por Valdemar Costa Neto também pretende ampliar sua influência no Nordeste, reduto eleitoral do Partido dos Trabalhadores. Além de tentar eleger mais deputados, o PL cogita apoiar os pré-candidatos Eduardo Braide (PSD-MA) e Raquel Lyra (PSD-PE). Vale ressaltar que o deputado federal Mendonça Filho (PL-PE) já declarou apoio à reeleição da governadora.
Essa costura política, no entanto, é considerada pouco provável, já que Raquel dificilmente estaria no mesmo palanque que Flávio. Também não há sinalização de que o PL dispute o governo do Piauí, devendo apoiar o pré-candidato Joel Rodrigues (PP).
Minas Gerais ainda é uma incógnita para o PL
Em Minas Gerais, o PL ainda não tem um nome consolidado para disputar o governo do estado. De acordo com a CNN e a Itatiaia, a orientação de Flávio é lançar um candidato da própria legenda, abrindo mão de uma candidatura apenas caso o senador Cleitinho (Republicanos-MG), que lidera as pesquisas, dispute o Executivo estadual.
Flávio Bolsonaro quer fortalecer o PL e garantir um palanque próprio, mas ainda existe a possibilidade de o partido se juntar à federação União-PP para apoiar o ex-secretário de Romeu Zema, Marcelo Aro (PP).
O jornal Estado de Minas apurou que, caso Cleitinho não dispute o governo, o União-PP tende a apoiar Marcelo Aro.
Zema e Flávio Bolsonaro
O Novo deve oficializou nesta segunda-feira, 27, durante a convenção partidária, o nome de Romeu Zema para a disputa presidencial. Não há indícios de que o PL contará com o apoio de Zema em um eventual segundo turno, especialmente após as críticas direcionadas a Flávio.
O ponto de tensão entre os dois ocorreu após a divulgação dos áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master, sobre o financiamento do filme Dark Horse. A reportagem revelou conversas nas quais o pré-candidato do PL pediu cerca de R$ 61 milhões.
Após a repercussão, Zema afirmou que ouviu Flávio pedir o dinheiro e classificou a atitude como imperdoável. “É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa”.
A declaração desagradou uma ala do próprio partido de Zema, especialmente diretórios que manifestam apoio a Flávio. O governador chegou, inclusive, a ser desconvidado de um evento organizado pelo Novo em Santa Catarina.
Crise no entorno do União-PP
O Partido Liberal ainda busca o apoio de lideranças que, até o momento, sinalizaram neutralidade no primeiro turno das eleições. É o caso de Antônio Rueda e Ciro Nogueira.
O senador Flávio buscava uma sinalização de apoio da federação União-PP à sua pré-candidatura, mas enfrenta diversas crises, desde a ruptura — posteriormente seguida de reconciliação — com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que não compareceu ao evento de lançamento de sua campanha, até os desdobramentos envolvendo Daniel Vorcaro.
Vale ressaltar que o clima em torno do senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo das investigações da Operação Compliance Zero, é de cautela. O senador e presidente do Progressistas esperava apoio de Flávio no momento em que seu nome passou a ser associado ao escândalo. Flávio, porém, optou por não se envolver.

