A ex-deputada federal Marília Arraes (PDT-PE) aparece como o principal nome na disputa por uma das duas vagas de Pernambuco no Senado Federal nas eleições de 2026. Segundo pesquisa Genial/Quaest, divulgada em julho, Marília registra 19% das intenções de voto, liderando o cenário estimulado. Na sequência aparecem o senador Humberto Costa (PT), com 12%, e o ex-ministro Mendonça Filho (União Brasil), com 8%.
Herdeira de uma das famílias mais tradicionais da política pernambucana, Marília construiu uma trajetória própria ao longo dos últimos anos. Após passar pelo Partido dos Trabalhadores (PT), migrou para o Solidariedade e filiou-se ao PDT. Sua carreira é marcada por disputas eleitorais competitivas, atuação parlamentar e embates tanto com adversários quanto com antigos aliados.
Herança política e início da carreira
Nascida em Recife, em 1984, Marília Arraes de Alencar é formada em Direito e pertence a uma das famílias mais influentes da política pernambucana. É neta do ex-governador Miguel Arraes e prima do ex-governador Eduardo Campos, além de prima em segundo grau do prefeito do Recife, João Campos.
Sua trajetória política começou no movimento estudantil e na militância do Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda historicamente ligada à família Arraes. Em 2007, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores, iniciando uma nova fase de sua carreira.
Em 2008, foi eleita vereadora do Recife, sendo reeleita em 2012. Durante os dois mandatos na Câmara Municipal, concentrou sua atuação em pautas relacionadas à educação, saúde pública, mobilidade urbana e políticas voltadas para mulheres e população em situação de vulnerabilidade.
Ruptura com o PSB e projeção estadual
Em 2018, Marília tornou-se um dos principais nomes da política pernambucana após romper politicamente com o PSB, partido comandado no estado pela família Campos.
Naquele ano, pretendia disputar o Governo de Pernambuco pelo PT, mas teve a candidatura retirada após acordo nacional entre o partido e o PSB. A decisão provocou forte desgaste interno e ampliou sua projeção política no estado.
Dois anos depois, em 2020, disputou a Prefeitura do Recife. Chegou ao segundo turno contra seu primo, João Campos, mas acabou derrotada. Apesar da derrota, consolidou-se como uma das principais lideranças da oposição no estado.
Câmara dos Deputados e candidatura ao Governo
Nas eleições de 2018, Marília foi eleita deputada federal por Pernambuco com uma das maiores votações do estado.
Na Câmara dos Deputados, atuou em temas ligados à proteção social, fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), direitos das mulheres, geração de emprego e desenvolvimento regional.
Em 2022, deixou o PT e filiou-se ao Solidariedade para disputar novamente o Governo de Pernambuco. A mudança ocorreu após divergências internas sobre a condução da legenda no estado.
Marília chegou ao segundo turno da eleição estadual, mas foi derrotada por Raquel Lyra (PSD). Mesmo assim, obteve mais de 2 milhões de votos e consolidou seu nome entre os principais líderes políticos pernambucanos.
Posteriormente, filiou-se ao PDT, legenda pela qual pretende disputar o Senado.
Mudanças partidárias e articulações políticas
Ao longo da carreira, Marília passou por diferentes partidos, refletindo as mudanças no cenário político de Pernambuco.
Depois de deixar o PT, sua saída foi interpretada como consequência das disputas internas entre grupos políticos locais. A filiação ao Solidariedade e ao PDT marcou uma tentativa de construir um projeto político independente das tradicionais alianças estaduais.
Polêmicas e embates políticos
Grande parte das controvérsias envolvendo Marília Arraes está relacionada às disputas políticas em Pernambuco.
A rivalidade com o PSB e os sucessivos embates com integrantes da família Campos marcaram diferentes campanhas eleitorais. Durante as eleições municipais de 2020 e estaduais de 2022, a ex-deputada protagonizou debates sobre gestão pública, alianças partidárias e renovação política.
Apesar das disputas eleitorais e das críticas de adversários, Marília Arraes não foi alvo de grandes operações da Polícia Federal nem responde a condenações criminais relacionadas ao exercício de cargos públicos.
Sua atuação pública esteve concentrada principalmente nas disputas eleitorais e na oposição aos grupos que comandam o governo estadual.

