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Política

Por que as urnas voltaram a ser questionadas na pré-campanha de Flávio Bolsonaro?

Funcionários do Departamento de Estado dos EUA que viriam ao Brasil para tratar de eleições tiveram os vistos negados pelo Itamaraty

Por que as urnas voltaram a ser questionadas na pré-campanha de Flávio Bolsonaro?

O Ministério das Relações Exteriores recusou, no início desta semana, o pedido de visto de dois oficiais norte-americanos para ingresso no território brasileiro.

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Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel D. Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado dos Estados Unidos, planejavam visitar o país algumas semanas antes das eleições, entre os dias 27 e 30 de julho.

Em nota, a USTR informou que os secretários “tinham previsão de visitar Brasília, no Brasil, entre os dias 27 e 30 de julho, para se reunir com autoridades do governo, líderes religiosos e representantes da sociedade civil, a fim de discutir a integridade eleitoral, a liberdade religiosa e a liberdade de expressão”.

O órgão ainda ressaltou que associar a visita dos secretários à ideia de interferência nas campanhas é uma “mentira sem fundamento”.

O jornal The Washington Post revelou que ambos trabalham no gabinete do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e são responsáveis por atuar em questões relacionadas a eleições em diversos países.

Agenda de viagens dos representantes do USTR

Há registros, por exemplo, da passagem de Samuel Samson pelo Reino Unido, onde se reuniu com o político britânico Nigel Farage para discutir temas relacionados à liberdade de expressão, leis de segurança digital e aborto.

Em Paris, na França, também participou de encontros com grupos para discutir direitos humanos e política externa.

No Brasil, a avaliação de assessores próximos aos pré-candidatos à Presidência é de que os secretários tratariam de temas relacionados às eleições. No entanto, como a viagem foi solicitada por Marco Rubio, avalia-se o risco de que ambos pudessem atuar para descredibilizar o sistema eleitoral.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que a Assessoria de Relações Internacionais do tribunal recebeu a solicitação da Embaixada dos Estados Unidos para tratar dos vistos, mas a reunião não foi possível em razão do recesso do Judiciário. O TSE acrescentou que não sabe se o pedido se referia aos mesmos integrantes.

Quem são os secretários?

Riley M. Barnes é secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho. Também atua como coordenador especial para Assuntos Tibetanos e como embaixador para a Liberdade Religiosa Internacional.

Já Samuel Samson é subsecretário-adjunto do mesmo escritório. Atuou como conselheiro de políticas públicas e trabalha em alianças com grupos de direita em países da União Europeia.

Flávio Bolsonaro e sua ida à USTR, em Washington

O Brasilianista noticiou que a ida de Flávio Bolsonaro, no início do mês, tinha a expectativa de sinalizar a Marco Rubio que, caso seja eleito, estaria disposto a manter tratativas com os Estados Unidos para que os acordos favoreçam ambas as nações.

Na carta apresentada a Marco Rubio, Flávio defendeu o Pix e afirmou que a ferramenta foi implementada ainda na gestão de seu pai, Jair Messias Bolsonaro.

Rubio, no entanto, negou o pedido de revogação do tarifaço e afirmou que o Brasil não cooperou conforme o entendimento do embaixador Jamieson Greer.

Flávio participou da reunião agendada, mas não defendeu as medidas mencionadas em seu material. O pré-candidato aproveitou a ocasião para atacar seu adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e responsabilizá-lo pela implementação das tarifas.

Discurso contra as urnas

O pré-candidato Flávio Bolsonaro participou de uma reunião, na terça-feira, 21, na qual questionou a procedência das urnas eletrônicas. Na ocasião, afirmou que há dúvidas sobre o sistema de votação criado pela empresa Smartmatic, alegando que ela teria sido criada na Venezuela.

“Há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processos eleitorais eletrônicos, em especial na Venezuela. Muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa”, declarou.

A assessoria de pré-campanha do parlamentar negou essa interpretação e afirmou que, na verdade, o senador apenas questionou fatos amplamente divulgados pela imprensa.

Essa não é a primeira vez que políticos utilizam essa retórica na tentativa de descredibilizar as urnas eletrônicas. Em 2020, o TSE já havia esclarecido que a empresa Smartmatic não fornece urnas eletrônicas nem softwares utilizados nas eleições brasileiras.

“São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país”, informou o tribunal.

A empresa, por sua vez, mantinha contrato com o TSE para prestar serviços de conexão de dados e voz, “e não para o desenvolvimento ou a operação da urna eletrônica”. A empresa venezuelana chegou a participar, em 2020, do processo de licitação para a fabricação de urnas eletrônicas, mas não foi a vencedora.

Desgastes na pré-campanha

Existe, no entanto, a avaliação de que essa movimentação poderia representar mais um reforço do presidente Donald Trump à campanha de Flávio Bolsonaro, que enfrenta uma série de desgastes.

O senador já oficializou sua pré-candidatura, mas ainda não definiu um candidato a vice. Até o momento, não há um nome em negociação após a recusa da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que considerou mais importante concentrar seus esforços na tentativa de reeleição ao Senado.

Além de buscar uma reconciliação com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Flávio aguarda o avanço da investigação da Polícia Federal, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que apura o pedido feito ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar, por meio de um fundo privado, a produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

Flávio também não conta, até o momento, com o apoio de partidos de centro, como MDB, União Brasil e Progressistas. A avaliação nos bastidores é de que, até o início da campanha, novos episódios possam surgir e ampliar o desgaste de sua pré-candidatura.

Sua relação, como noticiou O Brasilianista, também permanece desgastada com o senador e líder do Progressistas, Ciro Nogueira (PP-PI), que anteriormente cogitava uma aproximação.

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