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Economia

A engrenagem que faltava para a China tomar espaço na corrida tecnológica

Agora o país asiático tomou as rédeas de sua produção de semicondutores

A engrenagem que faltava para a China tomar espaço na corrida tecnológica

Ações de empresas de semicondutores na Europa e Estados Unidos iniciaram um período de queda nesta semana, após a notícia de que a China iniciou uma produção em massa de suas próprias máquinas de litografia ultravioleta profunda (DUV) por imersão, ferramenta essencial para a fabricação de semicondutores avançados.

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A europeia ASML liderou a queda na bolsa na última segunda-feira, com suas ações despencando mais de 6%. Ao mesmo tempo, papéis da Nvidia caíram quase 4% e da AMD, 7%. A Micron e a SK hynix, fabricantes de chips de memória, caíram cerca de 6% e 8%, respectivamente, à medida que os investidores avaliavam o impacto potencial.

Por outro lado, o risco precificado pelo mercado não é de que os concorrentes chineses substituam imediatamente sua tecnologia globalmente, mas sim que a China possa diminuir a dependência de equipamentos estrangeiros dentro de seu próprio ecossistema de semicondutores.

A tecnologia DUV desenvolvida pela China, por exemplo, ainda está atrás dos sistemas produzidos pela ASML, além de não retirarem o monopólio da tecnologia dos sistemas de ultravioleta extremo (EUV), o desenvolvimento de litografia mais avançado usada na produção de semicondutores de ponta.

A análise dos efeitos da bolsa de valores

Uma queda nas ações de companhias tão relevantes para os respectivos mercados pode preocupar os acionistas, especialmente considerando perdas significativas no valor de mercado. Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, avalia que não há uma fuga generalizada da bolsa, mas sim uma migração do capital para setores menos esticados ou que se beneficiam do atual cenário macro.

Vale lembrar que a Nvidia, por exemplo, atingiu em maio deste ano um novo recorde de valor de mercado, ultrapassando a marca de US$ 5,5 trilhões, tornando-se a empresa mais valiosa do planeta entre as companhias de capital aberto na ocasião. A informação foi noticiada por O Brasilianista.

“A mudança na dinâmica dos juros futuros sugerem uma estratégia diferente, onde o capital tem fluído para setores como saúde, financeiro, energia e consumo básico. Esses setores tendem a se beneficiar mais na atual dinâmica macroeconômica, ou representam estratégias defensivas diante dos atuais riscos”, explica.

Ainda assim, a entrada das empresas chinesas no setor de semicondutores de produção própria pode causar um efeito negativo
permanente nas ações de companhias americanas e europeias, como Nvidia e ASML uma vez que a parcela destinada a esse setor tende a ser diluída em várias empresas, diferente da concentração que o mercado acompanhava até então.

De acordo com o especialista, um cenário que ajudaria as ações dessas empresas a voltarem aos patamares históricos positivos — que estavam logo antes do anúncio da produção chinesa — seria se as companhias apresentassem algum novo diferencial tão restrito quanto, o que poderia garantir uma recuperaração do monopólio tecnológico.

“Grande parte da valoração dessas empresas se dava pela exclusividade. A principal fraqueza para essas empresas foi que, a concorrência chegou, com produtos mais baratos e tão bons quanto”, reforça.

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