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Economia

Veja quais setores ganham espaço entre investidores após novas tarifas de Trump contra o Brasil

Indústria exportadora concentra maior exposição às sobretaxas

Veja quais setores ganham espaço entre investidores após novas tarifas de Trump contra o Brasil

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos aumentou a pressão sobre setores brasileiros ligados à indústria e às exportações, principalmente calçados, etanol, máquinas industriais, equipamentos agrícolas e tabaco.

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As empresas atingidas passaram a calcular efeitos sobre vendas, produção e investimentos diante da perda de competitividade no mercado norte-americano.

A medida adotada pelo governo de Donald Trump alcança segmentos com relações comerciais relevantes com os Estados Unidos. Para Daniel da Cunda Correa da Silva, economista, mestre em Relações Internacionais e professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), a escolha das áreas combina objetivos comerciais, pressão sobre parceiros e interesses políticos da Casa Branca.

Segundo O Brasilianista, o governo brasileiro respondeu com a terceira etapa do Plano Brasil Soberano, que prevê até R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas.

Desse total, R$ 13,5 bilhões são provenientes do Tesouro Nacional e outros R$ 5 bilhões, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Bancos e serviços essenciais ficam menos expostos ao tarifaço

Enquanto exportadores precisam administrar diretamente o aumento do custo para acessar os Estados Unidos, empresas concentradas no mercado doméstico têm menor ligação com a nova barreira comercial.

Essa diferença coloca bancos e companhias de serviços essenciais entre os segmentos avaliados pelos especialistas para o período.

Especialistas ouvidos pela B3 apontam os bancos entre os setores com potencial para oferecer uma relação favorável entre risco e retorno em diferentes cenários políticos. Energia elétrica, saneamento, telecomunicações e seguradoras também aparecem entre os segmentos considerados defensivos.

Elétricas e empresas de saneamento ganharam espaço em 2026 pela previsibilidade das receitas, contratos de longo prazo e pagamento de dividendos.

Bolsa descontada abre espaço para seleção de ações

O Ibovespa encerrou o primeiro semestre de 2026 com valorização de 6,76%, aos 172.024 pontos, depois de ter se aproximado dos 200 mil pontos em abril. Mesmo com o avanço acumulado, o desempenho ficou abaixo do CDI no período.

O valor de mercado das empresas negociadas na B3 alcançou R$ 4,86 trilhões em 21 de julho, segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria divulgado pelo Bora Investir. Foi o segundo maior nível da série em reais, atrás dos R$ 5 trilhões registrados em 2020.

No mercado internacional, a inteligência artificial deixou de movimentar apenas fabricantes de chips e grandes empresas de tecnologia.

A construção da infraestrutura necessária para operar modelos e data centers passou a alcançar energia, utilities, mineração e outros segmentos industriais.

Investimentos das empresas de tecnologia devem superar US$ 700 bilhões (R$ 3,60 trilhões) em 2026 e alcançar US$ 1 trilhão (R$ 5,13 trilhões) em 2027.

A expansão está associada à construção de centros de processamento, compra de equipamentos e aumento da capacidade computacional.

Semicondutores, robótica, metais e materiais estratégicos completam os segmentos associados ao ciclo de investimentos tecnológicos.

Cobre, lítio e terras raras também aparecem entre os ativos ligados tanto à expansão da infraestrutura digital quanto à reorganização das cadeias produtivas globais.

Commodities funcionam como contrapeso ao risco doméstico

Empresas exportadoras não formam um grupo uniforme diante das tarifas norte-americanas. A exposição depende do produto, do destino das vendas e das exceções previstas nas medidas, enquanto companhias ligadas a commodities também respondem ao dólar e aos preços internacionais.

A política tarifária ainda pode alterar rotas comerciais e beneficiar mercados que recebam investimentos deslocados pelas novas barreiras. Entre os países dessa reorganização estão Vietnã, Índia, México e Emirados Árabes Unidos.

Juros e eleições permanecem no preço dos ativos brasileiros

As tarifas não são o único fator considerado na escolha de setores para o segundo semestre. A Selic em 14,25%, o IPCA projetado em 5,30% para 2026 e a disputa eleitoral de outubro continuam influenciando os preços das ações brasileiras.

Juros reais elevados pressionam principalmente companhias mais dependentes de crédito e crescimento econômico. Por outro lado, um avanço no ciclo de cortes da Selic poderia alterar a precificação de setores sensíveis ao custo do dinheiro.

As eleições acrescentam outra fonte de oscilação. Pesquisas eleitorais e propostas econômicas podem afetar expectativas para gastos públicos, dívida, câmbio e juros, com reflexos diferentes sobre empresas domésticas, exportadoras e companhias dependentes de financiamento.

No exterior, a trajetória dos juros norte-americanos também entra nessa conta. A possibilidade de redução das taxas pelo Federal Reserve aparece associada a expectativas para crédito, fusões, aquisições e ofertas públicas iniciais de ações, enquanto investimentos em inteligência artificial sustentam a demanda por infraestrutura tecnológica.

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