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Justiça

Justiça mandou rastrear dinheiro da Fictor; relembre os episódios da crise do grupo

Apuração alcança cerca de R$ 3 bilhões captados de investidores e ocorre após recuperação judicial

Justiça mandou rastrear dinheiro da Fictor; relembre os episódios da crise do grupo

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou o rastreamento de contas bancárias de acionistas e outras pessoas ligadas à Fictor, grupo que está em recuperação judicial com mais de R$ 4 bilhões em dívidas.

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A medida alcançará transferências consideradas atípicas, movimentações por Pix e contas pessoais que podem ter sido utilizadas para ocultar prejuízos das empresas.

A Kroll, responsável por fiscalizar o conglomerado, deverá rastrear o destino de aproximadamente R$ 3 bilhões captados por meio de Sociedades em Conta de Participação (SCPs).

A análise também buscará identificar eventuais remessas ao exterior e transferências para contas sem relação com os negócios da Fictor.

A decisão do desembargador Rômolo Russo Júnior, da 2ª Câmara Reservada de Direito Empresarial, também alcança uma baixa de R$ 309,7 milhões registrada pela Fictor Holding Financeira como despesa com cartão em janeiro.

A operação deverá ser reconstruída para identificar a origem e o destino dos recursos, enquanto a Polícia Federal terá de compartilhar provas da Operação Fallax que não estejam protegidas por sigilo e cuja entrega não prejudique a investigação criminal.

O rastreamento foi determinado durante a análise de um recurso apresentado por credores contra a decisão que autorizou o processamento da recuperação judicial.

O magistrado manteve o processo em andamento e ampliou os mecanismos de fiscalização patrimonial até que o recurso seja analisado pelo colegiado.

Recuperação reúne 43 empresas e dívida de R$ 4,3 bilhões

A recuperação judicial já havia ampliado o alcance da fiscalização sobre o Grupo Fictor. O Brasilianista informou, que a Justiça paulista incluiu 43 empresas no processo ao aplicar a consolidação substancial e determinou a atuação de uma empresa independente para acompanhar as operações do conglomerado.

O processo também estabeleceu a suspensão das cobranças por 180 dias e um prazo de 60 dias para a apresentação de um plano destinado ao pagamento de aproximadamente R$ 4,3 bilhões.

A PricewaterhouseCoopers foi escolhida para exercer a fiscalização, com acesso a sistemas internos, documentos contábeis e informações financeiras das empresas.

A reestruturação alterou ainda a situação de investidores das SCPs utilizadas pelo grupo para captar recursos. Antes do pedido judicial, mudanças nessas estruturas transformaram investidores em credores, fazendo com que os valores passassem a integrar as regras e os prazos da recuperação judicial.

Perícias encontraram caixa de apenas R$ 385

As dificuldades financeiras já apareciam em documentos anexados ao processo antes da nova ordem de rastreamento. Conforme mostrou O Brasilianista, perícias apontaram uma rede de transferências envolvendo as empresas da holding e problemas de liquidez para o pagamento de compromissos imediatos.

A Fictor Holding Financeira encerrou 2025 com prejuízo acumulado de R$ 12,6 milhões e apenas R$ 385 disponíveis em caixa. Os documentos também registraram R$ 23,3 milhões em Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC), além de R$ 3,3 milhões em transações entre companhias relacionadas.

Naquele momento, a recuperação judicial já colocava os credores diante de uma disputa sobre a localização e preservação dos ativos.

A legislação exige o cumprimento das etapas da reestruturação antes de uma eventual decretação de falência, enquanto os mecanismos de fiscalização judicial permitem aprofundar a análise do patrimônio e das movimentações realizadas pelo grupo.

Operação Fallax atingiu CEO e estruturas ligadas ao grupo

A crise financeira passou a dividir espaço com uma investigação criminal em 25 de março, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Fallax.

O Brasilianista mostrou que a ação alcançou o CEO da Fictor, Rafael de Góis, dentro de uma apuração sobre uma organização suspeita de fraudes contra a Caixa Econômica Federal.

A operação teve 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

A Justiça também autorizou quebras de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 empresas, além do bloqueio de até R$ 47 milhões em imóveis, veículos e ativos financeiros.

A investigação apura um modelo no qual funcionários de instituições financeiras teriam sido cooptados para inserir informações falsas em sistemas bancários.

As alterações permitiriam saques e transferências sem autorização legítima, enquanto diferentes empresas e ativos seriam utilizados para movimentar e ocultar os recursos.

Rafael de Góis faz parte da investigação

A atuação do principal executivo do conglomerado ganhou uma frente própria nas apurações. O Brasilianista detalhou que Rafael de Góis, fundador e CEO do Grupo Fictor, tornou-se alvo da Operação Fallax em meio às investigações sobre fraudes bancárias de grande escala.

A trajetória empresarial de Góis está ligada à expansão da Fictor desde 2007. A companhia começou com atividades no setor de tecnologia e, posteriormente, diversificou os negócios, enquanto o executivo passou a atuar em áreas que incluíam os segmentos financeiro, industrial e imobiliário.

A investigação criminal passou a alcançar estruturas empresariais associadas ao conglomerado e movimentações de recursos. A nova decisão do TJ-SP amplia outra frente de apuração ao determinar o exame de contas de acionistas e pessoas ligadas ao grupo dentro do processo de recuperação judicial.

Fundo de R$ 270 milhões entrou na crise

Os efeitos financeiros também chegaram aos fundos administrados por empresas relacionadas ao conglomerado. O Brasilianista informou, que a Fictor Asset decidiu encerrar o Fictor Invest Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, estrutura com aproximadamente R$ 270 milhões.

A decisão ocorreu depois de uma alta nos pedidos de resgate. Conforme documentação da própria gestora, as solicitações superaram 40% do patrimônio líquido do fundo após a repercussão da recuperação judicial das empresas que compartilhavam a marca Fictor.

A situação também envolveu a administradora fiduciária Apex, antiga BRL Trust, que apresentou renúncia à função em 19 de fevereiro.

Ex-sócio voltou ao foco durante disputa com credores

Outro episódio ocorreu em julho, quando Rafael Paixão, ex-sócio ligado à área financeira da Fictor, voltou a receber atenção após a repercussão de sua festa de casamento.

O Brasilianista informou que credores reagiram às imagens da celebração enquanto aguardavam a definição sobre o pagamento dos valores incluídos na recuperação judicial.

O processo reúne mais de 12 mil credores e um passivo declarado de R$ 4,3 bilhões. Paixão havia integrado a estrutura societária durante a expansão da holding e aparecia ao lado de Rafael de Góis e Phillippe Rubini entre os principais nomes associados ao grupo, mas a Fictor informou em março que ele não fazia mais parte da companhia.

Até aquele momento, não havia informação de que Rafael Paixão fosse investigado nas operações da Polícia Federal relacionadas à Fictor. As apurações divulgadas permaneciam concentradas no conglomerado e em dirigentes alcançados pelas investigações.

Em nota para O Bastidor a Fictor afirmou que: “recebeu a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo e que cumprirá integralmente as determinações judiciais. Em respeito ao regular andamento do processo e às determinações judiciais, a companhia não comentará aspectos específicos da decisão. A Fictor reafirma seu compromisso com a transparência e seguirá colaborando com todos os órgãos responsáveis pela condução da recuperação judicial, se mantendo concentrada na implementação de seu plano de reestruturação, com foco na preservação de suas atividades e na melhor solução para seus credores.

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