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Geopolítica

Entenda o acordo para desarmar o Hamas e o que motivou a decisão do grupo terrorista

Grupo palestino condiciona implementação dos termos ao cumprimento dos compromissos israelenses

Entenda o acordo para desarmar o Hamas e o que motivou a decisão do grupo terrorista

O Hamas confirmou nesta sexta-feira (31) que aceitou um acordo que prevê seu desarmamento e a retirada das forças israelenses da Faixa de Gaza.

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Ghazi Hamad, um dos negociadores do grupo, e duas fontes de seu alto escalão confirmaram o entendimento, enquanto Israel ainda não havia apresentado uma manifestação oficial sobre os termos anunciados na noite anterior pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A proposta estabelece que a fiscalização da entrega das armas ficará sob responsabilidade do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG).

Hamad, porém, condicionou o cumprimento da medida à execução das obrigações assumidas por Israel e afirmou que mediadores deverão acompanhar esse processo.

Trump declarou que, depois do desarmamento, as tropas israelenses deverão deixar Gaza, enquanto uma força internacional atuará com uma nova estrutura policial palestina.

As negociações vinham ocorrendo havia semanas no Egito e buscavam avançar na segunda fase do cessar-fogo. O desarmamento permanecia entre os pontos centrais porque Israel controlava mais de 60% de Gaza e exigia a entrega das armas pelo Hamas e por outros grupos palestinos antes da continuidade do plano.

No início de julho, o grupo já havia anunciado a dissolução da estrutura responsável pela administração civil do território e a intenção de transferir essas funções ao NCAG.

Saída do governo abriu caminho para nova administração

A mudança na administração de Gaza já havia sido abordada pelo O Brasilianista. Na ocasião, o Hamas comunicou que deixaria o governo do território, que controlava desde 2007, mas não apresentou um compromisso concreto para entregar as armas.

Ana Beatriz Zanuni, líder técnica de Comércio e Política Internacional na BMJ Consultores Associados, avaliou que a saída do Hamas poderia aumentar a pressão por mudanças na atuação israelense.

“O perfil radical e as ações do grupo serviram como o principal pilar justificativo para as campanhas militares e as políticas de controle de Israel tanto em Gaza quanto na Cisjordânia. Com a saída do Hamas do poder, Israel pode ser mais pressionado a reavaliar suas estratégias militares e de controle do território palestino”, pontuou.

Beny Fard, analista político e econômico e CEO da B8 Partners, ponderou, porém, que a alteração administrativa não significava necessariamente uma perda imediata do controle exercido pelo grupo no território não ocupado por Israel.

“O princípio fundamental permanece sendo: uma única autoridade, uma única lei e uma única arma. Isso significa a consolidação de todas as armas sob o controle do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), conforme previsto no Plano Abrangente de Paz para Gaza e na Resolução 2803 do Conselho de Segurança das Nações Unidas”, destacou.

Desarmamento permaneceu como exigência israelense

Meses antes do anúncio desta sexta-feira, a entrega das armas já aparecia entre as condições para a continuidade do processo. O Brasilianista registrou que Benjamin Netanyahu cobrava não apenas a entrega do armamento, mas medidas para impedir sua produção e entrada no território.

Naquele momento, Netanyahu definiu dois pontos para a desmilitarização: o Hamas deveria entregar suas armas e Gaza não poderia manter fábricas ou rotas de contrabando de armamentos.

Donald Trump também pressionava o grupo e havia declarado que, caso o desarmamento não ocorresse voluntariamente, haveria uma ação para fazê-lo.

A transferência da administração civil já havia entrado nas negociações, mas o controle das armas continuava sem solução definida.

Com a confirmação apresentada nesta sexta-feira, o Hamas passou a aceitar formalmente um mecanismo para a entrega do arsenal, embora tenha condicionado sua execução às obrigações assumidas por Israel.

Conflitos regionais ampliaram o peso das negociações

A disputa em Gaza também permaneceu relacionada a outros focos de tensão no Oriente Médio. O Brasilianista tratou dos efeitos das relações entre Washington, Teerã e Israel para a questão palestina.

William Gonçalves, professor de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), avaliou na ocasião que um entendimento entre Estados Unidos e Irã não eliminaria os conflitos relacionados à Palestina.

“Israel não desistirá de impedir definitivamente a criação de um Estado palestino. Os atos praticados em Gaza e na Cisjordânia sempre serão um comportamento repudiado pelo Irã”, afirmou.

Para Gonçalves, os acontecimentos envolvendo Israel e os Estados Unidos poderiam levar países vizinhos a rever suas posições diplomáticas, enquanto a disputa palestina permaneceria entre os elementos capazes de provocar novos atritos.

“A guerra contra o Irã sempre contou com a aprovação das elites dos EUA. Essa não é uma derrota de Trump, é uma derrota do establishment norte-americano. Trump traiu sua base eleitoral, a qual havia prometido não fazer guerras, para obter apoio congressual fazendo uma guerra de prestígio nacional. Deu tudo errado”, concluiu.

Hamas controla Gaza desde 2007

A trajetória do Hamas antecede a guerra recente. O grupo surgiu em 1987 como um desdobramento da Irmandade Muçulmana e possui uma ala militar. Estados Unidos e União Europeia o classificam como organização terrorista.

O Hamas passou a administrar a Faixa de Gaza em 2007 e manteve uma relação de disputa com a Autoridade Palestina, responsável pela administração de partes da Cisjordânia.

O grupo também se opôs aos Acordos de Oslo de 1993, que estabeleceram bases para negociações entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Em 7 de outubro de 2023, integrantes do Hamas atravessaram as defesas israelenses, mataram soldados e civis e fizeram reféns, episódio que deu início a uma nova etapa do conflito.

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