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Justiça

Empresa da família de Jaques Wagner mantinha relações com Augusto Lima e Daniel Vorcaro

Empresas tratavam de notas fiscais, transferências e indicavam intermediários dos repasses financeiros

Empresa da família de Jaques Wagner mantinha relações com Augusto Lima e Daniel Vorcaro

Augusto Lima mantinha obrigações financeiras com uma empresa pertencente à família de Jaques Wagner, a BN Financeira. A cobrança era feita pelo enteado do senador, Eduardo Mendonça Sodré.

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Eduardo Sodré é secretário do Meio Ambiente da Bahia e casado com Bonnie Toaldo Bonilha, única sócia da BN Representações Tecnológicas Ltda.

Foram encontrados diálogos envolvendo o enteado do senador nos quais eram cobrados do ex-CEO do Banco Master pagamentos destinados à BN.

A Polícia Federal também identificou outros 20 CNPJs registrados pelo mesmo contador, todos sem empregados formais.

(Foto: Reprodução/MJSP – Polícia Federal)

Em setembro de 2025, Sodré passou a cobrar Augusto Lima sobre a previsão dos pagamentos pendentes. Com receio do atraso, o enteado tornou-se mais incisivo na cobrança:

“Preciso de sua ajuda. Amanhã vencem os boletos e são altos. Não tem como cancelar e não irei ficar devendo, concorda?”, disse a Augusto Lima, de acordo com o material apresentado pela PF no relatório entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Acontece que, naquele momento, conforme O Brasilianista explicou, Lima enfrentava dificuldades financeiras após a rejeição, pelo Banco Central, da aquisição do Banco Master pelo BRB.

Lima pediu, então, que, se fosse necessário, Sodré cancelasse a nota e emitisse outra. No decorrer da conversa, o ex-CEO do Master compartilhou um print de tela com uma matéria do jornal O Globo sobre a rejeição da aquisição pelo BRB. Em resposta, Eduardo disse ao empresário que tentaria cancelar, mas que “não podia ficar devendo ao fisco”.

David Lopes Monteiro passa a ser citado nas conversas entre o empresário e o parente de Jaques Wagner. No caso, David aparece como intermediário de repasses financeiros e pagamentos para Augusto Lima. A PF afirma que as operações apresentam características ilícitas.

Sodré precisava dos documentos assinados — notas fiscais ou comprovantes de transferência — por David, mas isso ainda não havia ocorrido. Em outubro, Lima encaminhou a Eduardo Sodré o comprovante de uma transferência no valor de R$ 3,5 milhões.

BN Financeira

O e-mail utilizado por Eduardo para tratar dessas questões era o endereço institucional da BN Financeira. O remetente da transferência é a PKL One Participações Ltda., empresa que também opera a Credcesta.

A Credcesta é administrada pela prima de Augusto Lima, Andréa Lima Novaes.

Foi extraído do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro um diálogo com Alberto Felix de Oliveira Neto, então superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master.

 Print com todas as transações financeiras do Master(Foto: Reprodução/MJSP – Polícia Federal)

Ele mostrou a Vorcaro um documento sobre despesas em aberto de quase R$ 3 milhões relacionadas à BN Financeira Ltda.

Outros repasses de Mansur

“[…] o total de repasses às empresas vinculadas ao núcleo familiar do senador Jaques Wagner é maior do que a transferência tratada. Possivelmente outras operações foram realizadas”, dizem os investigadores.

Planilha de reembolsos divulgada pela investigação. A PF entende que há convergência
entre os investigados (Foto: Reprodução/MJSP – Polícia Federal)

Outros indícios de pagamentos aparecem em outro trecho da investigação relacionado aos “Pagamentos Mansur” — referência a João Carlos Falbo Mansur, apontado como operador do fluxo financeiro da REAG.

“DLM”, provavelmente Daniel Lopes Monteiro, irmão de David, que atuava em parceria com ele, deveria reembolsar Mansur. O beneficiário final aparece como “Dudu”. A investigação entende que se trata de Eduardo Sodré. Entre abril, junho e julho de 2024, os repasses ultrapassaram R$ 2,3 milhões.

O Brasilianista procurou o senador para comentar os levantamentos da investigação, mas não obteve resposta até a publicação desta notícia. O espaço segue aberto para manifestação.

“A hipótese criminal é de que o grupo REAG participou da dissimulação dos pagamentos e do registro de titularidade do imóvel Poème Horto, solicitado pelo senador Jaques Wagner a Augusto, e, paralelamente, realizou pagamentos destinados ao senador por intermédio de seu enteado Eduardo Sodré e das empresas de seu núcleo familiar”, diz o documento da PF.

O Brasilianista procurou todos os citados nesta notícia, mas não recebeu resposta até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.

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