O relatório da Polícia Federal, apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF), revelou mais informações sobre a atuação de Luiz Antonio Lombardi, dono da Epítome S.A.
A empresa atuava como intermediária na aquisição de um imóvel em um bairro privilegiado de Salvador (BA), avaliado em mais de R$ 2,4 milhões, que seria comprado do senador Jaques Wagner.
A Epítome S.A assinou o contrato apenas como um “veículo de fachada” para esconder quem realmente estava por trás da operação, de acordo com o inquérito da PF.
O Brasilianista entrou em contato por e-mail e e por telefone com Lombardi antes da publicação desta matéria, mas não recebeu resposta. O espaço segue aberto para manifestação do empresário.

A compra foi realizada com apoio de fundos ligados ao ex-CEO do Banco Master, Augusto Lima, especialmente da Reag e do Hockenheim Fundo de Investimento.
Wagner e o empresário já se conheciam desde 2019 e mantinham uma relação de troca de favores. Jaques atuava no Legislativo em prol de causas de interesse do banco, enquanto os dirigentes bancavam voos, ingressos para shows e o apartamento do senador, conforme revelou a Polícia Federal na Operação Compliance Zero.
Eduardo Mendonça Sodré, enteado do senador Jaques Wagner, articulou com o empresário a emissão de notas fiscais e a documentação para a aquisição do imóvel. A PF ainda revelou que houve pedido de um dos filhos do senador sobre reformas no imóvel e sobre dados pessoais necessários para o registro.
Inconsistências financeiras
A NK 2 Empreendimentos e Participações S.A, que posteriormente passou a se chamar Epítome S.A, aumentou seu capital social de R$ 100 para R$ 2 milhões, segundo a PF.
A investigação da Polícia Federal também revelou que o perfil societário e o histórico profissional de Lombardi não são compatíveis.
Ele aparece como diretor ou responsável por pessoas jurídicas com elevado capital social, mas o último vínculo formal encontrado em seu nome é bastante diferente desse perfil.
Lombardi trabalhava como vendedor no comércio varejista na Alumiplast Comércio de Metais Ltda, onde permaneceu por cerca de um ano.

O empresário aparece como sócio, diretor ou proprietário de ao menos 12 sociedades anônimas e limitadas, muitas delas com elevado capital social. “O mesmo Lombardi possui dezenas de milhões de reais em participações societárias, em empresas ligadas ao ecossistema do MASTER”, diz a PF.
A investigação divulgou uma lista na qual o empresário possui vínculos com empresas que acumulam mais de R$ 99,2 milhões em capital social. As empresas ligadas a Lombardi têm como diretores ou sócios Sueli de Fátima Ferreti e Cleber Faria Fernandes.

David e Daniel Lopes
Nessas mesmas empresas também figuram os irmãos Daniel Lopes Monteiro e David Lopes Monteiro, segundo a Polícia Federal.
David estava repassando informações de terceiros para Daniel relacionadas ao contrato do imóvel e a ajustes financeiros. Ele disse que, devido a reajustes nos acabamentos do imóvel, o valor de R$ 36,8 mil foi convertido em crédito para a empresa Epítome S.A.
Sueli e Cleber foram responsáveis por criar CNPJs que Daniel Vorcaro teria utilizado para pagar propina ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, por meio da compra de imóveis de alto valor. Segundo a investigação, esse esquema integrou a representação que levou ao pedido de prisão preventiva do ex-presidente.
A fim de compreender a justificativa para o aporte de mais de R$ 2 milhões e qual a relação da Epítome com o Grupo Master, O Brasilianista procurou os citados, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto para manifestação.

