O Caso Master é o assunto que domina os bastidores de Brasília há meses. Essa máxima vale também para a política do Distrito Federal, que sempre acaba se confundindo com os interesses nacionais, devido à posição ocupada pela cidade escolhida para ser a capital do Brasil.
Esse contexto fez transformou o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TC-DF) em um dos centros das conversas sobre as fraudes praticadas por Daniel Vorcaro. O órgão administrativo ganhou essa relevância por ser o responsável pela análise das contas do Governo do Distrito Federal (GDF) e do balanço operacional do Banco de Brasília (BRB) — que tem o GDF como maior acionista.
Há representações em trâmite no TC-DF que questionam a demora na divulgação do balanço pelo BRB. Os dados deveriam ter sido apresentados até abril deste ano, mas continuam em segredo. Há o temor de que os números mostrem ser praticamente inviável — senão impossível — salvar o Banco de Brasília.
4 a 2
A cúpula do Tribunal de Contas do DF tem defendido votar o quanto antes as contas de 2025 do GDF e do BRB. Há quem diga que o governo Ibaneis Rocha não pode se safar após as descobertas do rombo do Master. Contudo, o placar deve ser de 4 a 2 pela aprovação das contas se o balanço do Banco de Brasília não foi divulgado.
Esse resultado garantiria o discurso de que o órgão técnico não viu problemas e de que a crise do Master no DF não passa de retórica política. Quem mais vai ganhar com uma eventual aprovação das contas pelo Tribunal de Contas distrital é Ibaneis Rocha, que governou a capital federal até abril deste ano e é citado de forma recorrente nos bastidores como um dos políticos envolvidos com Vorcaro.
Ibaneis já admitiu que conheceu o banqueiro e que ele só lhe pagou “dois vinhos”. Nenhuma prova robusta de que Ibaneis Rocha participou das fraudes no BRB foi divulgada pela imprensa até agora, embora haja relatos de que Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília que assinou os acordos com o Master, entregaria Ibaneis à PF em sua delação premiada.
Ibaneis Rocha nega ter cometido irregularidades e já disse que Costa agiu sozinho.
Já sabemos
A proposta de delação premiada de Paulo Henrique Costa foi recusada pela Polícia Federal porque os investigadores já sabiam e tinham provas de tudo o que o ex-presidente do BRB aceitou contar.
Fontes com acesso à investigação afirmaram que muitos nomes da cúpula política do Distrito Federal já estão na lista de futuros investigados pela PF. A lista inclui integrantes do Governo, da Câmara Legislativa e até do Judiciário da capital federal.
Alguns desses políticos já sabem que estão na mira da PF e tentam costurar acordos nos quais cedem espaço político no DF, e até em outras regiões do país, para não dividir o espaço da cela da Papuda.
E se negar?
Caso o Tribunal de Contas do DF declare que as contas de 2025 do GDF estão irregulares, Celina Leão e seu grupo devem dizer que nada sabiam sobre o Master e que estão tentando sanar as debilitadas contas do Distrito Federal. Celina já disse publicamente que não gosta de Paulo Henrique Costa.
A atual governadora também rompeu com seu antigo companheiro de chapa. O motivo do fim da relação política entre ela e Ibaneis Rocha foram as preferências de candidatos a vice-governador. O cargo de vice de Celina neste ano ficou com Gustavo Rocha, ex-secretário da Casa Civil de Ibaneis.
Desde que o escândalo do Master estourou, Ibaneis Rocha desistiu de disputar uma vaga ao Senado pelo DF. O discurso oficial foi o cansaço com a política e a reorganização de forças na capital federal.
Crise de imagem
Também está na mira do TC-DF um contrato de quase R$ 1,5 milhão firmado pelo BRB com a agência de comunicação FSB. A empresa foi contratada pelo banco para gerir a crise de imagem iniciada com a tentativa de compra do Master pela instituição financeira.
BRB e FSB negam irregularidades. Contudo, há quem diga no TC-DF e na Câmara Legislativa que o contrato não seria necessário se o Banco de Brasília não tivesse se envolvido com Vorcaro.

