A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (04) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Desta vez, a operação cumpriu 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão contra suspeitos de ocultar e lavar recursos supostamente obtidos com as fraudes.
Entre os alvos estão a esposa, a filha e duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA). O parlamentar não foi alvo de mandados nesta etapa, mas continua sendo investigado e já havia sido alvo de busca e apreensão em dezembro de 2025.
As apurações apontam indícios de utilização de pessoas físicas, empresas, contas bancárias de terceiros e operações em espécie para ocultar valores que teriam sido obtidos por meio do esquema.
Nova fase da operação
Embora os mandados desta terça-feira tenham atingido apenas familiares do parlamentar, o senador continua formalmente investigado no inquérito conduzido pela Polícia Federal e supervisionado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Como mostrou O Brasilianista, Weverton já havia sido alvo de busca e apreensão durante uma fase anterior da investigação.
Natural de Imperatriz (MA), ele iniciou a trajetória política no movimento estudantil, foi dirigente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Depois de exercer mandatos como deputado federal, foi eleito senador em 2018 e passou a integrar a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso.
Além da atuação como vice-líder do governo no Senado, Weverton também se consolidou como um dos parlamentares próximos ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
Em 2025, assumiu a relatoria da indicação do então advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, processo que acabou não prosperando após enfrentar forte resistência política no Senado.
Aliança com Alcolumbre e relatoria de Messias marcaram atuação no Senado
Além da atuação como vice-líder do governo no Senado, Weverton Rocha construiu uma relação política próxima ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), com quem dividiu articulações em diferentes pautas da atual legislatura.
Como informou O Brasilianista, essa proximidade ficou evidente quando Weverton foi escolhido para relatar, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a indicação do então advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na ocasião, o senador classificou a missão como “segurar uma granada sem pino”, em referência à resistência política enfrentada pelo indicado de Lula no Senado.
Posteriormente, O Brasilianista destacou que Weverton passou a defender publicamente que Messias havia recuperado apoio entre os senadores após o início das articulações do governo.
Apesar do esforço do relator, a indicação não avançou e acabou frustrada diante das dificuldades para consolidar maioria na Casa, especialmente em meio às divergências envolvendo aliados de Alcolumbre e setores da oposição.
PF atribuiu papel político ao senador na investigação
A atual fase da Operação Sem Desconto sucede uma etapa da investigação em que a Polícia Federal apontou Weverton Rocha como um dos principais nomes políticos ligados ao esquema investigado.
Conforme revelou O Brasilianista, o relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal descreveu o senador como o “sustentáculo” responsável por garantir blindagem institucional e influência ao grupo liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Na ocasião, a PF chegou a pedir a prisão preventiva do parlamentar, mas o ministro André Mendonça negou a medida após manifestação da Procuradoria-Geral da República.
Os investigadores também relacionaram Weverton à indicação de Gustavo Marques Gaspar, conhecido como “Gasparzinho”, para um cargo na liderança do PDT no Senado.
Gaspar, preso durante uma das fases da operação, é apontado pela Polícia Federal como um dos operadores políticos ligados ao grupo investigado.
O Brasilianista procurou a defesa dos citados nesta reportagem, mas não obteve resposta até a publicação. O espaço segue aberto para manifestação.

