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Política

Centrão evita ser vice de Flávio por não ver benefício, só custo

Integrantes desse grupo temem que a união com Flávio Bolsonaro acabe com alianças regionais que incluem o PT e partidos da base do governo Lula

Centrão evita ser vice de Flávio por não ver benefício, só custo

Flávio Bolsonaro ainda não tem um nome para ser candidato a vice em sua chapa presidencial. O Centrão, grupo com o qual o senador sempre teve ótima relação e manteve muita proximidade, não quer saber de se aliar oficialmente à versão 2.0 do projeto bolsonarista.

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Fontes com ótimo trânsito no Congresso, principalmente entre parlamentares bolsonaristas e do Centrão, afirmam que a neutralidade do grupo sem ideologia definida foi decidida porque essa parcela da política não vê benefícios em se aliar a Flávio agora, apenas custos.

Segundo essas fontes, integrantes do Centrão temem que a união com Flávio Bolsonaro, principalmente no primeiro turno, mas também na segunda etapa da eleição, acabe com alianças regionais que incluem o PT e partidos da base do governo. Outro motivo citado é o medo do Supremo Tribunal Federal (STF), que é visto por integrantes do grupo político sem ideologia como um ator institucional contrário ao bolsonarismo.

O receio do Centrão é calcado no histórico belicoso entre o bolsonarismo e o STF, que barrou diversas vontades de Jair Bolsonaro, durante o mandato do ex-presidente, e tornou-se alvo do bolsonarismo. Essa percepção é reforçada pela vontade pública de Jair em eleger o máximo possível de senadores para dar o troco no Supremo com a abertura de um processo de impeachment contra algum ministro da Corte.

O medo do Centrão é que, ao apoiar Flávio, as inúmeras investigações e ações penais distribuídas nos gabinetes dos 11 ministros do STF passem a tramitar. Nesse cenário, muitos políticos desse grupo seriam constrangidos, na melhor das hipóteses, ou cassados pelos crimes que cometeram.

Esse cálculo faz com que o Centrão espere, pelo menos, o segundo turno das eleições para vender caro seu apoio político. Mas fontes do Congresso afirmam que o melhor dos mundos seria definir as alianças somente depois das eleições, quando o custo da governabilidade será ainda maior.

História que se repete

A postura adotada nesta eleição pelo Centrão é similar à mantida com o pai de Flávio, Jair Bolsonaro. Quando o ex-presidente ainda era candidato, em 2018, ele percorreu o Brasil — primeiro nos rincões e depois nos grandes centros — apenas com a estrutura e o dinheiro do extinto PSL de Luciano Bívar.

Após vencer aquele pleito presidencial, Jair Bolsonaro foi obrigado a se aliar ao Centrão que o havia ignorado para ter governabilidade. Já no segundo ano de mandato, o então presidente tirou de seus ministérios diversos aliados bolsonaristas e os trocou por integrantes de PP, PL e Democratas. No Congresso, Jair também contou com apoio de PRTB, Republicanos, PSC, PTB, Patriota e Podemos.

O mesmo problema enfrentado por Jair foi vivido por Lula nos dois primeiros mandatos, resultando no escândalo do Mensalão, e na terceira gestão, quando o petista só não ficou mais refém do Congresso porque o Supremo Tribunal Federal (STF) não deixou. Dilma, que também teve que negociar com o Centrão para governar, acabou alvejada pela Lava Jato.

Agora, em 2026, PP, Republicanos e União Brasil preferem ficar neutros no pleito. Com exceção dos Progressistas, os outros dois partidos tiveram ministérios no governo Lula, assim como PSD, que lançou uma candidatura própria — com Ronaldo Caiado para presidente e Gilberto Kassab, dono da sigla, como vice — que tem força para roubar votos importantes de Flávio, mas talvez sem tempo hábil para tomar o lugar do filho de Jair Bolsonaro no segundo turno.

Flávio Bolsonaro diz não estar preocupado com a neutralidade do Centrão mesmo após perder seu “vice dos sonhos”, Ciro Nogueira, que é investigado pela Polícia Federal por sua relação íntima com Daniel Vorcaro, do Banco Master. O candidato à presidência pelo PL argumenta que nomes importantes desses partidos o apoiam, e que é isso o que importa.

O senador do PL citou como exemplos o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, os senadores Cleitinho Azevedo, Damares Alves e Tereza Cristina. Mas há vários problemas com esses nomes.

Tarcísio de Freitas, que não se dá bem com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já mostrou saber da importância de negociar, tanto que se aliou ao PSD de Kassab e abriu espaço para outras siglas não bolsonaristas durante seu primeiro mandato. O senador Cleitinho Azevedo está em guerra com o Republicanos para ser o candidato do partido ao governo de Minas Gerais.

Já Damares Alves é muito mais próxima de Michelle e de Jair Bolsonaro do que de Flávio. E, por fim, Tereza Cristina, senadora e ex-ministra da agricultura de Jair, recusou o convite para ser vice de Flávio, assim como fez com o pai do senador e hoje candidato a presidente.