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Política

451 deputados disputam a reeleição, diz pesquisa

Eleição tende a ser marcada pela reeleição de deputados que já exercem mandato, e fatores de poder e influência dificultam a renovação

451 deputados disputam a reeleição, diz pesquisa

O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) divulgou um relatório que registra um novo recorde no número de recandidaturas ao Congresso Nacional.

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Na Câmara dos Deputados, dos 513 parlamentares, 451 são pré-candidatos à reeleição — quase 90% da composição total.

Os outros 62 deputados federais escolheram disputar cargos majoritários, como o Senado, os governos estaduais e, em alguns casos, a vice-governador. Há, ainda, casos de parlamentares que desistiram de concorrer a qualquer cargo.

No Senado Federal, haverá 54 vagas em disputa, correspondentes aos mandatos de 2019 a 2027, totalizando as 81 cadeiras da Casa. O índice de recandidaturas, no entanto, é menor: 34 senadores devem disputar a reeleição (62,96%).

O DIAP explica que esse elevado número de candidaturas à reeleição na Câmara é um indicativo importante, uma vez que a taxa de renovação tende a ser inferior à média histórica: “A renovação tende a ser inferior à média de 49% observada nas eleições realizadas desde 1990”.

Embora o índice de recandidaturas seja elevado, o estudo aponta que a renovação na Câmara dos Deputados tende a ser baixa. Os fatores que dificultam essa mudança são diversos, mas cabe destacar que há mais candidatos à reeleição do que a média histórica.

Além disso, os parlamentares contam com vantagens decorrentes do próprio mandato, como cotas parlamentares, verbas de gabinete, emendas e prioridade na distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral.

Ampliação do poder político e a dificuldade de renovação dos cargos

O poder político também é apontado como um dos fatores, já que os parlamentares ampliam sua visibilidade ao manter relações com veículos de comunicação, conquistando maior prestígio institucional.

A análise indica que a tendência do Congresso é seguir com baixa renovação e a permanência das grandes bancadas já consolidadas, como PP-União Brasil, PT e PL  (Foto: Reprodução/Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar)

Apesar das mudanças eleitorais, os deputados conseguiram ampliar suas vantagens. O Brasilianista já explicou que as emendas parlamentares seguem sem a identificação dos autores primários das indicações, permanecendo apenas a assinatura dos líderes partidários. Cerca de R$ 1,3 bilhão em emendas, apenas em 2025, seguiram sem critérios de rastreabilidade.

Além disso, os parlamentares promovem reformas políticas que estabelecem mecanismos de perdão quando determinadas obrigações previstas na legislação eleitoral deixam de ser cumpridas, criando novos dispositivos de anistia.

A mudança mais recente, que ainda precisa passar pelo Senado, é o Projeto de Lei (PL) 4.822/2025, que limita multas eleitorais aplicadas a partidos ou candidatos a R$ 30 milhões, além de permitir o disparo de mensagens para contatos previamente cadastrados.

Outro ponto abordado pelo estudo é a exigência de que o candidato obtenha pelo menos 20% do quociente eleitoral para conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados. Para quem já exerce mandato, esse objetivo tende a ser mais fácil, em razão da visibilidade e da estrutura partidária.

As mudanças eleitorais, que levaram à formação de federações, fusões partidárias e trocas de legenda durante a janela partidária, também possibilitam que os grandes partidos consigam alcançar com mais facilidade o quociente eleitoral.

O perfil dos candidatos

Existe a possibilidade de antigos parlamentares retornarem à vida política, e essa experiência prévia tende a representar uma vantagem. Alguns desses nomes, inclusive, já foram noticiados por O Brasilianista.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, pretende disputar as eleições por Minas Gerais. Vale lembrar que Cunha foi citado recentemente em investigação da Polícia Federal sobre transparência e influência política na destinação de emendas parlamentares, mesmo sem exercer mandato. O caso também atingiu o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto.

A tendência, segundo o estudo, é de predominância de um perfil mais conservador, com a manutenção da influência de bancadas como a ruralista, a da segurança pública e a evangélica. PP, União Brasil, PT, PL, PSD e Republicanos aparecem com possibilidade de ampliar suas bancadas. O Partido Socialista Brasileiro (PSB) também é citado na análise.

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