Publicidade
Economia

Como manter a competitividade empresarial em meio a guerras, tarifas e crises políticas?

Imprevisibilidade deixou de ser exceção, é necessário estruturas capazes de responder rapidamente a choques internacionais

Como manter a competitividade empresarial em meio a guerras, tarifas e crises políticas?

A sucessão de guerras, disputas comerciais e tensões políticas elevou o nível de incerteza para empresas que atuam em mercados nacionais e internacionais.

Publicidade

Conflitos como a guerra entre Rússia e Ucrânia, os confrontos envolvendo o Irã, a adoção de tarifas de 25% e 12,5% pelos Estados Unidos sobre diferentes produtos e as declarações de lideranças políticas, como o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente argentino Javier Milei, alteraram cadeias de suprimentos, aumentaram custos e ampliaram a volatilidade dos mercados.

Diante desse cenário, especialistas defendem que as empresas deixem de tratar a imprevisibilidade como um evento isolado e passem a incorporá-la como parte permanente da estratégia de negócios.

Para Edson Vasconcelos, CEO e fundador da EcommIT, o principal desafio não está em prever qual será a próxima crise internacional, mas em construir organizações capazes de responder rapidamente quando ela acontecer.

“Talvez a primeira mudança seja abandonar a ideia de que a imprevisibilidade é uma exceção. Ela passou a ser o ambiente permanente dos negócios”, afirma Vasconcelos.

Segundo o executivo, muitas empresas ainda concentram esforços em antecipar qual será o próximo evento global capaz de provocar impactos econômicos.

“Não acredito que um CEO deva gastar energia tentando prever qual será a próxima crise, se será uma guerra, uma tarifa, uma mudança regulatória ou uma ruptura tecnológica. A pergunta estratégica é outra: o que na minha empresa deixa de funcionar quando o mundo muda?”, questiona.

No setor de meios de pagamento, por exemplo, a EcommIT atende organizações globais com operações no Brasil e acompanha, na prática, como alterações políticas e econômicas internacionais acabam exigindo adaptações imediatas.

“Muitas vezes, uma decisão tomada em Washington, Bruxelas ou Pequim chega até nós não como notícia, mas como uma necessidade urgente de adequação dos nossos clientes. O impacto raramente é direto; ele acontece por meio das cadeias de negócio”, explica.

Guerras e tarifas ampliam os desafios para as empresas

Os conflitos entre Rússia e Ucrânia e as tensões envolvendo o Irã estão entre os fatores que mais pressionam as cadeias globais de suprimentos.

O impacto aparece no aumento dos preços da energia, de fertilizantes, de commodities e dos custos do transporte marítimo, especialmente em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho.

Na avaliação de Vasconcelos, o cenário exige uma mudança de postura por parte das empresas. O foco deixa de ser exclusivamente eficiência operacional para incorporar mecanismos capazes de absorver choques externos sem comprometer a continuidade dos negócios.

Além das guerras, o endurecimento da política comercial dos Estados Unidos adicionou novos desafios ao ambiente corporativo. A adoção de tarifas de 25% e 12,5% sobre diferentes produtos amplia o custo das exportações, reduz a competitividade de empresas estrangeiras e exige uma revisão das estratégias comerciais.

Também ganham importância mecanismos como proteção cambial (hedge), revisão da estrutura de custos e diversificação dos mercados de atuação para reduzir a dependência de um único destino de exportação.

“Quem conseguir reduzir esse intervalo continuará crescendo. Quem depender de estruturas rígidas, processos lentos ou decisões centralizadas perderá competitividade, independentemente da qualidade do seu produto”, destaca Vasconcelos.

O especialista acrescenta que a velocidade de resposta passou a representar uma vantagem competitiva tão relevante quanto inovação, tecnologia ou capacidade financeira, especialmente em um ambiente internacional sujeito a mudanças repentinas.

Planejamento e governança ganham papel estratégico

Para enfrentar um ambiente de elevada instabilidade, especialistas recomendam que as empresas substituam modelos baseados apenas na eficiência por estratégias voltadas à resiliência.

Uma das medidas apontadas é o planejamento por cenários, que permite simular impactos de guerras, novas tarifas, mudanças regulatórias e oscilações cambiais antes que elas afetem diretamente a operação.

No campo comercial, a orientação é evitar elevada concentração de receitas em um único mercado, cliente ou canal de vendas. A diversificação geográfica, a revisão de contratos de longo prazo e a inclusão de cláusulas para revisão tarifária e cambial também aparecem entre as medidas que ampliam a capacidade de adaptação diante de mudanças repentinas.

Edson Vasconcelos afirma que empresas preparadas não são necessariamente aquelas que conseguem antecipar todos os acontecimentos internacionais, mas sim as que desenvolvem estruturas capazes de responder rapidamente a qualquer mudança

“No fim, o ativo mais importante de uma empresa deixou de ser apenas tecnologia, capital ou escala. É a capacidade organizacional de mudar de direção rapidamente sem perder eficiência nem confiança dos clientes”, finaliza

Siga O Brasilianista!