A Oncoclínicas anunciou novas medidas para reforçar seu processo de recuperação extrajudicial enquanto busca apoio dos credores para homologar um plano que envolve uma dívida de R$ 5,16 bilhões.
A empresa confirmou a venda de uma participação societária na Arábia Saudita e firmou um acordo com a Unimed para encerrar uma disputa judicial, iniciativas que fazem parte da estratégia para reorganizar sua situação financeira.
A primeira medida foi a alienação da participação de 27,49% na Specialized Medical Treatment Company, joint venture saudita da qual a Oncoclínicas fazia parte.
O ativo foi vendido para a Advanced Drug Company for Pharmaceuticals, empresa integrante do grupo saudita Al Faisaliah Group. Embora o valor da operação não tenha sido divulgado, a companhia informou ao mercado que a negociação está alinhada às ações previstas em seu plano de recuperação extrajudicial.
Além da venda do ativo internacional, a empresa também fechou um acordo com a Unimed para encerrar uma cobrança judicial de aproximadamente R$ 160 milhões.
Pelo entendimento firmado entre as partes, a cooperativa pagará R$ 90 milhões, encerrando o processo após a homologação judicial.
A companhia aceitou reduzir o valor originalmente cobrado para acelerar a recuperação de parte dos recursos e diminuir a incerteza sobre o recebimento do crédito.
Recuperação extrajudicial depende da adesão dos credores
A Oncoclínicas protocolou o pedido de recuperação extrajudicial em 13 de julho com o apoio de credores que representam 37% da dívida incluída no plano. Esse percentual foi suficiente para dar início ao processo, mas ainda não garante a homologação judicial da proposta.
Pelas regras da recuperação extrajudicial, a companhia terá 90 dias para ampliar a adesão e alcançar credores que representem mais da metade dos créditos abrangidos pelo plano.
Ao mesmo tempo, a empresa busca preservar contratos, retomar uma operação em Recife e evitar que disputas com antigos parceiros ampliem a pressão sobre sua situação financeira.
As medidas anunciadas nesta semana fazem parte dessa estratégia. A alienação de ativos e a negociação para encerrar litígios têm como objetivo fortalecer o caixa da companhia e aumentar a previsibilidade financeira durante o período de negociação com os credores.
Efeitos da crise do Master na Oncoclínicas
A crise financeira da Oncoclínicas ganhou uma nova frente de preocupação após a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central.
O banco se tornou sócio da Oncoclínicas em 2024, a companhia mantinha R$ 478,2 milhões aplicados em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) da instituição financeira.
Desse total, cerca de R$ 216 milhões passaram a representar perda potencial imediata com o vencimento antecipado dos títulos, comprometendo a liquidez da empresa justamente durante o processo de reestruturação financeira.
Além do impacto sobre o caixa, o evento acionou cláusulas previstas em acordos firmados entre a Oncoclínicas e fundos de investimento ligados ao Banco Master.
Essas condições podem acelerar operações envolvendo aproximadamente 98,9 milhões de ações da companhia detidas por Fundos de Investimento em Participações (FIPs) vinculados ao banco, criando um novo fator de incerteza para o processo de desalavancagem e para a estabilidade financeira da empresa.
Em comunicado, a Oncoclínicas afirmou que convocou assembleias com investidores que detêm títulos de dívida da companhia e de subsidiárias. Nessas reuniões, pedirá autorização prévia para eventual descumprimento de um indicador financeiro previsto em contrato, que mede a relação entre endividamento e geração de caixa. O cálculo considerará os resultados de 2025.
O caso ocorre em meio aos desdobramentos das investigações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Como informou O Brasilianista, o colapso da instituição financeira continua produzindo reflexos em diferentes frentes, desde apurações sobre o Banco de Brasília (BRB) até investigações conduzidas pela Polícia Federal relacionadas ao chamado Caso Master.
Questionamentos sobre a CVM entram no contexto da companhia
Em outra frente relacionada à Oncoclínicas, O Brasilianista informou que acionistas minoritários tiveram acesso restrito a documentos considerados relevantes no processo que discute a oferta pública de aquisição de ações da companhia.
Segundo a publicação, o bloqueio ocorreu no âmbito da Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE), área responsável pela condução do caso na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Os acionistas questionaram o fato de um servidor que assinou o despacho de restrição aos documentos também ter participado de reunião com advogados do fundo Josephina III, autor do pedido de confidencialidade.
A publicação relata que esse episódio passou a integrar as críticas apresentadas pelos minoritários durante a tramitação do processo administrativo.
Em manifestação encaminhada ao O Brasilianista, a CVM afirmou que as restrições de acesso observam a Constituição Federal, a Lei de Acesso à Informação, o Decreto nº 7.724/2012 e a Resolução CVM nº 48/2021.
A autarquia declarou ainda que o sigilo decorre de pedidos de confidencialidade apresentados pelas próprias partes envolvidas e informou que o processo administrativo permanece em análise, com recurso pendente de julgamento pelo colegiado.

