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Geopolítica

Veja quais erros podem levar brasileiros à deportação ou ao cancelamento do visto nos EUA

Especialistas afirmam que o endurecimento da fiscalização ampliou o monitoramento de celulares e redes sociais

Veja quais erros podem levar brasileiros à deportação ou ao cancelamento do visto nos EUA

A entrada de brasileiros nos Estados Unidos passou a exigir ainda mais atenção após o reforço da fiscalização migratória. O aumento da verificação de celulares, redes sociais, documentos e do cruzamento automático de informações elevou o risco de cancelamento de vistos e deportações, principalmente para viajantes que utilizam visto de turismo para trabalhar ou apresentam inconsistências durante a entrevista de imigração.

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Especialistas em Direito Internacional e mobilidade internacional afirmam que pequenas contradições podem ser suficientes para despertar suspeitas das autoridades americanas.

Fiscalização ficou mais rigorosa nos aeroportos

O advogado, consultor e professor de Direito Internacional Luiz Philipe Ferreira de Oliveira afirma que um dos principais motivos para problemas na imigração continua sendo a incompatibilidade entre o comportamento do viajante e o objetivo declarado da viagem.

Segundo ele, celulares com conversas sobre procura de emprego, currículos salvos, fotos de ferramentas de trabalho ou qualquer indício de intenção profissional podem levantar suspeitas durante a inspeção.

“Os agentes de imigração podem olhar o seu aparelho”, alerta o especialista ao explicar que a fiscalização passou a incluir com mais frequência a análise de celulares, notebooks e outros dispositivos eletrônicos durante a chamada “salinha” da imigração.

Além dos equipamentos eletrônicos, Oliveira destaca que malas incompatíveis com o período informado da viagem, ausência de informações básicas sobre hospedagem, respostas contraditórias e viagens apenas com passagem de ida são situações que costumam chamar a atenção das autoridades americanas.

Monitoramento vai além da entrevista de entrada

O CEO da Jumpstart, Fabiano Rocha, afirma que as autoridades americanas deixaram de concentrar a fiscalização apenas no momento do desembarque.

Segundo ele, desde 2025 passou a funcionar um sistema de “continuous vetting”, que monitora milhões de portadores de vistos durante toda a validade do documento.

“O visto pode ser reavaliado a qualquer momento da sua validade, não apenas no momento da emissão”, explica Rocha.

Segundo ele, esse acompanhamento permanente ajuda a explicar o aumento das revogações de vistos registrado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Desde março de 2026, praticamente todos os candidatos ao visto precisam informar os perfis utilizados nos últimos cinco anos, enquanto as autoridades passaram a utilizar sistemas biométricos para controlar com maior precisão a entrada e a saída de estrangeiros, reduzindo as possibilidades de permanência irregular sem detecção.

Trabalho com visto de turista lidera os casos de cancelamento

Na avaliação de Luiz Philipe Ferreira de Oliveira, a principal causa de deportações e cancelamentos de vistos continua sendo o exercício de atividades incompatíveis com a categoria do documento apresentado às autoridades migratórias.

Segundo ele, trabalhar nos Estados Unidos com visto de turista ou de estudante, ainda que de forma informal, pode resultar em medidas imediatas.

“Fazer qualquer bico remunerado nos Estados Unidos sem a autorização de trabalho adequada, inclusive atuar como influenciador com monetização em plataformas como o YouTube, pode resultar na deportação ou no cancelamento do visto”, destaca o especialista.

Fabiano Rocha faz o mesmo alerta e afirma que muitas pessoas ainda acreditam, de forma equivocada, que atividades digitais não configuram trabalho perante a legislação migratória americana.

“Patrocínio, publicidade ou qualquer retorno financeiro durante a viagem pode ser interpretado como exercício de atividade profissional”, afirma.

Segundo ele, a monetização de conteúdo, mesmo para empresas estrangeiras, pode ser suficiente para gerar o cancelamento imediato do visto e a retirada do viajante do território americano.

Os especialistas também incluem entre as situações de maior risco a permanência além do prazo autorizado, a apresentação de informações falsas ao agente de imigração, inconsistências entre os dados informados no formulário DS-160 e aqueles encontrados durante a fiscalização, além do envolvimento em crimes ou infrações graves durante a permanência nos Estados Unidos.

Como evitar problemas na imigração americana

Para reduzir o risco de retenção, deportação ou cancelamento do visto, Luiz Philipe Ferreira de Oliveira recomenda que o viajante mantenha total coerência entre as informações apresentadas durante todo o processo migratório.

“Garanta que suas respostas na entrevista do aeroporto sejam idênticas às informações prestadas no formulário DS-160 ao tirar o visto”, orienta o advogado.

Ele também recomenda levar comprovantes da viagem, como reserva de hospedagem, passagem de volta, seguro viagem e documentos que demonstrem capacidade financeira para permanecer no país durante o período informado.

Fabiano Rocha acrescenta que o viajante deve evitar atitudes que possam ser interpretadas como tentativa de ocultar informações.

“Nunca exercer atividade remunerada com visto de turista, incluindo monetização de conteúdo digital durante a estadia”, afirma.

O especialista também recomenda não apagar perfis ou conteúdos das redes sociais antes da solicitação do visto, já que alterações bruscas no histórico digital podem despertar questionamentos durante a análise das autoridades americanas.

Segundo os especialistas, manter a documentação organizada, respeitar rigorosamente o prazo autorizado de permanência e buscar orientação jurídica antes de qualquer mudança relevante na situação migratória continuam sendo as principais medidas para evitar problemas durante viagens aos Estados Unidos.

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