Mais um passo para a aquisição da Warner Bros. Discovery foi marcado nesta semana. A Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA, na sigla em inglês) aprovou a oferta de US$ 81 bilhões da Paramount para essa compra.
A revisão inicial revelou que a fusão não levanta preocupações de concorrência no país, visto que a empresa continuará enfrentando concorrência suficiente nas áreas de atuação como produção e distribuição de filmes e programas de TV, o fornecimento de canais infantis para provedores de TV por assinatura e a oferta de serviços de streaming.
No entanto, nos Estados Unidos o negócio ainda é visto com maus olhos, especialmente para as companhias que acreditam que a junção de Paramount e Warner irá desestruturar a rede de concorrência. Cerca de 12 Estados americanos e o Sindicato dos Roteiristas tentam bloquear a fusão sob alegações de práticas antitruste. O julgamento do caso já tem data marcada para março de 2027.
Se a compra não for aprovada até o dia 4 de junho de 2027 nos EUA, a Warner tem direito de receber uma multa rescisória de US$ 7 bilhões. Ainda assim, essa parece não ser uma possibilidade nesse momento.
Justiça dos EUA abriu a primeira barreira para a fusão
O grupo dos 12 estados americanos mais o sindicato sustenta que a fusão viola a Lei Antitruste Clayton, legislação que restringe operações capazes de reduzir significativamente a concorrência nos mercados norte-americanos.
Segundo os procuradores, a empresa resultante da união passaria a controlar uma parcela expressiva do mercado de distribuição cinematográfica e da televisão por assinatura.
A combinação reuniria os estúdios Paramount Pictures e Warner Bros., além de marcas como CBS, CNN, TNT, MTV, BET, HBO Max e Paramount+, ampliando significativamente sua participação na indústria audiovisual.
Reguladores apontam risco de concentração de mercado
Um dos principais questionamentos envolve o tamanho que o novo conglomerado poderá alcançar caso a transação seja aprovada. Na avaliação dos estados que moveram a ação, a empresa combinada controlaria quase um terço da distribuição de filmes de grande lançamento e parcela semelhante da programação da televisão por assinatura nos Estados Unidos.
A Paramount contestou essas alegações e afirmou que os argumentos antitruste não refletem a realidade atual do setor de entretenimento.
A companhia sustenta que a concorrência passou a incluir grandes plataformas de streaming e empresas de tecnologia, alterando a dinâmica do mercado em relação ao modelo tradicional de televisão e cinema.
A tentativa da Netflix
Outro potencial comprador da Warner foi a Netflix, que viu suas ações se valorizarem com o anúncio de fusão com a Warner.
A Netflix anunciou um acordo para comprar a divisão de estúdios e streaming da Warner Bros. Discovery por cerca de US$ 82,7 bilhões, pagando US$ 27,75 por ação em uma combinação de dinheiro e ações. A estrutura previa que a Warner separaria antes sua divisão de canais lineares (Discovery Global), que passaria a ser uma empresa independente.
Já em janeiro e fevereiro deste ano, quando a Paramount Skydance considerou a proposta da Netflix baixa, resolveu apresentar uma oferta hostil superior. O valor inicialmente era acima de US$ 108 bilhões e depois elevada para aproximadamente US$ 111 bilhões, incluindo toda a Warner Bros. Discovery, sem separar os canais de TV.
A empresa também se comprometeu a pagar a multa de rescisão do acordo da Netflix e adicionou incentivos financeiros aos acionistas da Warner.
Trump e Paramount
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começou a brigar com os canais de mídia americanos. Ele quase conseguiu suspender o programa do apresentador e comediante Stephen Colbert, o Late Show, encerrado pela rede CBS após tensões e pressão do republicano.
A pressão de aliados do governo em cima da CBS para cancelar o programa teria se acentuado após um contrato firmado entre a Paramount, dona do canal estadunidense, e Donald Trump no valor de US$ 16 milhões para evitar um processo judicial. Colbert chamou o pagamento de “suborno” — e virou “inimigo” de Trump.
No entanto, a emissora descartou, em nota, qualquer relação entre o fim do programa e as questões da Paramount. A CBS explicou que o cancelamento aconteceu por questões financeiras “em meio a um ambiente desafiador” no horário noturno — que começa às 23h30, após o horário nobre.
O contrato se referia a uma ação judicial movida por Trump, no valor de US$ 20 milhões, indicando que a CBS teria editado de forma enganosa uma entrevista com a então vice-presidente e candidata à Casa Branca Kamala Harris. O republicano afirma que a equipe do programa de notícias “60 Minutes” teria ajustado a fala dela para dar respostas diferentes sobre a guerra entre Israel e Hamas.

