A Petrobras não deve distribuir dividendos extraordinários neste trimestre, apesar do resultado satisfatório registrado nos meses de abril a junho de 2026.
Em meio à escalada do preço do petróleo com a guerra no Irã e o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, a estatal se beneficia na comercialização da commodity. A companhia registrou lucro de R$ 52,4 bilhões no período, quase o dobro do registrado no segundo trimestre de 2025.
Esse é o terceiro maior resultado trimestral nominal de sua história, de acordo com levantamento da Elos Ayta baseado na série histórica dos balanços da companhia. O desempenho fica atrás apenas dos lucros registrados no quarto trimestre de 2020 (R$ 59,9 bilhões) e no segundo trimestre de 2022 (R$ 54,3 bilhões), consolidando mais um período de forte geração de caixa para a estatal.
A elevação do prêmio de risco sobre a oferta global da commodity sustentou preços mais elevados do barril, beneficiando as grandes produtoras de petróleo e ampliando significativamente a rentabilidade da Petrobras.
Além do forte desempenho no trimestre, a companhia já acumula R$ 85,1 bilhões de lucro líquido no primeiro semestre de 2026, montante equivalente a 77,3% de todo o lucro obtido durante o ano de 2025, quando a estatal registrou R$ 110,1 bilhões. O levantamento da Elos Ayta evidencia que, em apenas seis meses, a Petrobras praticamente reproduziu o desempenho financeiro de todo o exercício anterior, reforçando a intensidade do atual ciclo de alta da commodity e a capacidade da empresa de converter esse cenário em resultados.
Apesar do cenário, o diretor financeiro da Petrobras, Fernando Melgarejo, descartou na última sexta-feira (7) a possibilidade da empresa distribuir dividendos extraordinários.
Os dividendos extraordinários da Petrobras
Um dividendo extraordinário é um pagamento extra de lucros feito por uma empresa aos seus acionistas. A distribuição desse tipo de ativo acontece quando a companhia tem algum ganho não recorrente, como a venda de grandes ativos, subsidiárias ou o recebimento de indenizações.
Para esse ano, Melgarejo afirmou que a empresa pretende usar a geração de caixa adicional para priorizar investimentos, em especial a antecipação de plataformas de produção, bem como a redução de dívida bruta para a casa de US$ 65 bilhões. Atualmente a dívida da Petrobras está em US$ 70,8 bilhões.
O valor mínimo de dividendos que a Petrobras remunera é equivalente a 45% do fluxo de caixa livre no período. Pelo lucro do segundo trimestre, a companhia anunciou a distribuição de R$ 17,4 bilhões.
Desde 2020, a empresa criou uma “rotina” de distribuir dividendos extraordinários, veja:
Ano O que aconteceu Valor aproximado 2020 Não houve distribuição extraordinária. A empresa priorizou a redução da dívida após o choque da pandemia. — 2021 Primeiros pagamentos extraordinários após a recuperação dos preços do petróleo e recorde de geração de caixa. Cerca de R$ 31 bilhões2022 Ano recorde. Foram várias distribuições extraordinárias ao longo do ano, impulsionadas pelo lucro histórico da companhia. Cerca de R$ 136 bilhões2023 O conselho inicialmente reteve parte dos dividendos extraordinários, gerando forte reação do mercado. Posteriormente parte desse valor foi liberada. Cerca de R$ 22 bilhões pagos (referentes à reserva criada em 2023) 2024 Em novembro, a Petrobras aprovou o pagamento de R$ 20 bilhões em dividendos extraordinários, encerrando a discussão iniciada meses antes. R$ 20 bilhões2025 Não houve dividendos extraordinários. A empresa distribuiu apenas dividendos ordinários e JCP. —Os dividendos extraordinários dos anos de 2021 e 2022, os recordes da companhia, foram consequência de uma combinação de fatores:
- recuperação da demanda global após a pandemia;
- guerra entre Rússia e Ucrânia, que elevou o preço internacional do petróleo;
- política de preços alinhada ao mercado internacional;
- forte redução do endividamento da Petrobras;
- política de distribuição que destinava grande parte do fluxo de caixa livre aos acionistas.
Esse modelo começou a mudar a partir de 2023. A nova administração passou a defender maior equilíbrio entre remuneração dos acionistas e investimentos, reduzindo a previsibilidade dos dividendos extraordinários e aumentando o foco na expansão da capacidade produtiva da companhia.
Os impactos no Brasil
A Petrobras é uma empresa de capital aberto, mas a União controla cerca de metade das ações com direito a voto. Isso significa que, quando a companhia distribui dividendos, o governo federal recebe uma parcela bilionária.
Ou seja, os cofres públicos também são beneficiados pela melhora da Petrobras e o dinheiro pode ser utilizado para financiar políticas públicas ou reduzir a necessidade de emissão de dívida, por exemplo.
Ainda assim, há controvérsias entre os acionaistas: quanto mais dinheiro é distribuído aos acionistas, menor é o caixa disponível para ampliar refinarias, explorar novos campos, investir em energias renováveis ou modernizar a infraestrutura.

