O senador Ciro Nogueira (PP-PI) disputa as eleições ao Senado com 15,3% das intenções de voto, o segundo maior percentual na pesquisa da AtlasIntel, de julho.
Nogueira fica atrás de Marcelo Castro (MDB-PI), com 20,4%. Em terceiro lugar, a pesquisa indica Júlio César, do PSD, com 14,7% das intenções de voto.
Advogado, já foi ministro da Casa Civil durante o governo de Jair Bolsonaro e é presidente do PP desde 2013.
Trajetória
É filho dos políticos Ciro Nogueira Lima e Eliane Nogueira. Sua mãe é empresária e atualmente ocupa o cargo de secretária municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas da Prefeitura de Teresina (PI), na gestão de Sílvio Mendes (União Brasil).
Ela assumiu o cargo de senadora pelo Piauí como suplente entre julho de 2021 e dezembro de 2022, quando seu filho ocupava o cargo de ministro da Casa Civil. Seu pai foi deputado federal durante dois mandatos, entre 1983 e 1987.
Além disso, seu avô, Manuel Nogueira Lima, foi prefeito de Pedro II, enquanto seu tio, Etevaldo Nogueira, foi eleito deputado federal pelo Ceará em 1986 e, em 1979, deputado estadual, onde se manteve por dois mandatos. Ciro também é sobrinho de políticos.
Estudou Direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Crescendo cercado por parentes com trajetória política, ingressou na política aos 26 anos. Ciro foi eleito deputado federal quatro vezes consecutivas. Seu primeiro mandato foi em 1994 e, seis anos depois, disputou a Prefeitura de Teresina, mas não venceu.
Em 2002, continuou como deputado federal – mesmo ano em que ingressou no Partido Progressistas (PP). Em 2006, foi reeleito. Quatro anos depois, disputou o Senado pelo seu estado. Em 2010, foi eleito senador pela primeira vez, assumindo o mandato em 2011 com 650 mil votos. Em 2018, conquistou mais 895 mil e, agora, busca o terceiro mandato.
Polêmicas
Não é a primeira vez que o nome do senador aparece como alvo de investigações da Polícia Federal (PF).
Ciro Nogueira já foi citado na Operação Lava Jato e, mais recentemente, na Operação Compliance Zero, que apura a relação do empresário Daniel Vorcaro com figuras políticas.
Vale dizer que, durante a CPMI do Cachoeira, criada em 2012 para investigar as relações do empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresas, Ciro tinha como uma de suas assessoras Denise Leitão Rocha, que ficou conhecida como Furacão da CPI.
A ex-assessora participou de realities e de programas televisivos, ganhando destaque pela sua aparência. Denise foi exonerada após a divulgação de um vídeo íntimo exibido entre parlamentares durante os trabalhos da comissão. Nogueira votou contra a aprovação do relatório que pedia o indiciamento de políticos, empresários e empresas, como a Delta Construções.
Lava Jato
O senador passou a ser investigado na Operação Lava Jato. A Procuradoria-Geral da República, que preparou uma denúncia contra o senador, disse que, durante 2014 e 2015, ele teria supostamente recebido R$ 7,3 bilhões.
A denúncia ocorreu após a delação de Marcelo Odebrecht. A construtora teria, segundo a denúncia, feito pagamentos em parcelas por meio de um assessor. As acusações do Ministério Público Federal (MPF) envolviam a suspeita de que o senador teria solicitado e recebido propina da empresa UTC Engenharia.
O julgamento contra o senador Ciro Nogueira no Supremo Tribunal Federal (STF) foi suspenso em 2018.
Em 2022, o caso ganhou um novo desdobramento. Quando Ciro já atuava como ministro da gestão de Bolsonaro, o relatório da Polícia Federal concluiu que houve crime de corrupção passiva por parte de Ciro. De acordo com o relatório, Joesley Batista teria feito repasses para garantir o apoio do PP à chapa Dilma e Temer nas eleições de 2014.
Operação Compliance Zero
Mais recentemente, em 2026, o senador voltou às investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A investigação da Operação Compliance Zero identificou um esquema de corrupção ligando os dirigentes do Banco Master a figuras políticas, como o senador.
O caso, que ainda segue em investigação, revelou que o senador teria recebido repasses de Daniel Vorcaro, que teria feito pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.

