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Economia

Banco Mundial eleva projeção de crescimento da América Latina para 2026; Brasil deve desacelerar

Instituição cita incertezas quanto a economia global e política tarifária dos Estados Unidos

Banco Mundial eleva projeção de crescimento da América Latina para 2026; Brasil deve desacelerar

O Banco Mundial revisou sua estimativa de crescimento econômico da América Latina e Caribe 2026, indicando um crescimento de 2,5%, acima dos 2,4% da previsão anterior. O Relatório Econômico da América Latina e o Caribe (LACER na sigla em inglês), publicado nesta terça-feira (07), aponta melhora nas perspectivas para a região, e cita a desaceleração da economia global, queda nos preços das commodities e maior incerteza fiscal como fatores determinantes para uma limitação desse crescimento.

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Para 2025, as projeções mantiveram o crescimento em 2,3% na região, ligeiramente acima do estimado para 2024, 2,2%. Apesar da melhora modesta, o estudo aponta revisões para baixo em muitas economias da região.

Para o Brasil, a estimativa de crescimento do PIB para este ano se manteve em 2,4%, mesma taxa divulgada em junho, ficando acima da média regional, de 2,3. Contudo, espera-se uma desaceleração para 2026, para 2,2%, refletindo a política monetária, ainda restritiva, e o apoio fiscal limitado, que pressiona o investimento e o consumo, avalia o relatório.

Nearshoring impulsiona crescimento no México

O Tarifaço de Trump foi responsável por diversas alterações no dinamismo econômico global. Dentre elas, a retaliação à China e suas exportações podem fortalecer a economia latino-americana, promovendo uma reindustrialização na região.

A análise do Banco Mundial aponta para um movimento de resposta à reconfiguração dos fluxos comerciais em razão do aumento de tarifas sobre produtos chineses, marcado pelas tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, de 2018 a 2020.

O movimento de nearshoring, ou seja, a realocação de cadeias produtivas próximas ao mercado norte-americano tende a gerar ganhos de produtividade no México, contudo, o país enfrenta desafios de infraestrutura e educação técnica para consolidar o movimento a longo prazo.

Assim, incertezas relacionadas às tarifas dos Estados Unidos seguem impactando negativamente as perspectivas econômicas do país latino. A expectativa do Banco Mundial é de que a economia do México tenha expansão de 0,5% este ano, acima da previsão de junho de 0,2%, com o crescimento acelerando para 1,4% em 2026, segundo apuração da Reuters, publicado pelo UOL.

Argentina: recuperação após anos de contração

A Argentina aparece como destaque positivo na análise do Banco Mundial, com previsão de crescimento de 4,6% em 2025, com ligeira desaceleração para 4,0% em 2026, após dois anos consecutivos de contração.

O país é o segundo na região com melhor perspectiva de crescimento, atrás, somente, da Guiana Francesa, que se destaca com previsões de 11,8% em 2025 e 22,4% em 2026.

O documento justifica a recuperação, principalmente, pela retomada das exportações agrícolas após a seca de 2023, além de sinais iniciais de melhora no consumo privado e no investimento no país, apoiados pela implementação do plano de estabilização do governo, apesar de ainda enfrentar desafios de instabilidade econômica na governança de Javier Milei.

Brasil: crescimento acima da média em 2025, mas ritmo menor em 2026

No Brasil, o Banco Mundial manteve a projeção de crescimento do PIB em 2,4% para 2025, taxa superior à média regional. As estimativas ficam acima tanto das do Banco Central (BC) brasileiro, quanto do mercado financeiro aqui no país, segundo dados divulgados pela Agência Brasil.

O Relatório de Política Monetária do BC, divulgado no último dia 25, aponta crescimento de 2% em 2025 e de 1,5% no ano que vem, afirmou a Agência. Já as projeções do Produto Interno Bruto (PIB)deste ano deve manter alta de 2,6% em relação a 2024, além de 1,8% do valor conquistado em 2025, segundo Pesquisa Focus, divulgada na última segunda-feira (6). Leia aqui.

No ano passado, o PIB brasileiro teve expansão de 3,4%, reportou a Agência Brasil.

Segundo o Banco Mundial, a expectativa de crescimento do PIB no Brasil é:

  • 2025: 2,4%
  • 2026: 2,2%
  • 2027: 2,3%

A desaceleração esperada em 2026 (para 2,2%) deve ser influenciada pela política monetária ainda restritiva, que mantém elevada a taxa de juros, oposto à tendência global, e limites ao estímulo fiscal, além da alta inflação.

As incertezas globais geradas pela recente retaliação dos Estados Unidos contra o Brasil também impactam a perspectiva. Lula e Trump conversam por telefone nesta segunda-feira em clima amistoso: saiba os principais assuntos clicando aqui.

Desafios estruturais seguem no radar

Apesar da leve melhora nas projeções, o Banco Mundial reforça que o crescimento latino-americano continua modesto diante de outras regiões emergentes. O relatório recomenda que os países da América Latina aproveitem a janela de estabilidade atual para investir em reformas que aumentem a produtividade, atraiam capital privado e promovam maior integração comercial regional.

Para a instituição, em resposta ao cenário de incertezas globais, os países latinos e caribenhos devem “ponderar o imperativo de manter a estabilidade de preços em detrimento de fomentar o crescimento econômico”, o que pode exigir o ajuste da postura dos mesmos em relação aos juros ou a utilização de outras medidas políticas para gerir os fluxos de capital e preservar a estabilidade financeira.