O Banco Central deve abrir uma nova frente de apurações sobre a atuação do Banco Master, cuja liquidação foi decretada na semana passada. As informações são do O Globo.
A decisão amplia a crise que já levou à prisão do controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e de executivos ligados ao grupo.
Segundo a reportagem, técnicos da autoridade monetária já mapeiam pontos sensíveis que não estavam no escopo inicial das investigações.
Entenda o caso
A liquidação do Master ocorreu após a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que desmontou um esquema que incluía contratos simulados, movimentações financeiras opacas e suspeita de desvio sistematizado de recursos.
No entanto, agora, além das evidências já levantadas pela PF e pelo Ministério Público Federal, o BC pretende apurar falhas operacionais e irregularidades administrativas que podem reforçar o entendimento sobre a dimensão das fraudes.
Entre os elementos que serão revisados está o Fundo Bravo, um FDIC que, segundo O Globo, era administrado pelo Master e tinha a Reag como gestora.
Ainda que declarasse cerca de R$ 8 bilhões em patrimônio, o fundo operava sem o detalhamento documental esperado para estruturas desse porte. Criado em julho de 2023, ele foi encerrado apenas pouco mais de um ano depois, em novembro deste ano, quando as suspeitas ganharam força.
A Reag, que aparecia como parceira do Master na operação do fundo, já é investigada em outro inquérito da Polícia Federal, a Operação Carbono Oculto, que apura ligações entre gestoras, fintechs e lavagem de dinheiro associada ao PCC.
A soma das irregularidades identificadas pela PF com as falhas administrativas que serão examinadas internamente pode levar à inabilitação de Vorcaro e de outros dirigentes, impedindo-os de trabalhar novamente no setor financeiro.

