Uma reportagem da Folha de S. Paulo, publicada nesta segunda-feira (1º), mostrou que a Polícia Federal afirmou que o BRB (Banco de Brasília) atuou de forma ativa para prolongar a sobrevivência do Banco Master, de Daniel Vorcaro, em meio ao avanço das investigações sobre fraudes bilionárias envolvendo carteiras de crédito consignado.
Segundo documentos da operação Compliance Zero, que levou à prisão de Vorcaro em novembro, o BRB teria aceitado parcelar a devolução de R$ 6,7 bilhões referentes a créditos considerados fraudulentos, mesmo podendo recuperar o valor de forma imediata por cláusula contratual.
Os investigadores da PF consideram que o parcelamento em sete vezes, entre junho e dezembro de 2025, “não tinha previsão contratual” e serviu para garantir liquidez ao Master até a conclusão da tentativa de venda ao BRB.
A investigação mostrou ainda que havia “dolo” (intenção) em permitir que o dinheiro permanecesse temporariamente nas contas do Master, evitando que o banco entrasse em liquidação antes da aprovação da compra.
O Banco Central acabou negando a aquisição em setembro, alegando risco de sucessão. Além disso, as apurações apontam para que o fato de que o Master teria vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito, sendo R$ 6,7 bilhões falsos e R$ 5,5 bilhões referentes ao valor de mercado e um bônus adicional.
A reportagem mostrou que alertas internos do Banco Central foram acionados devido ao volume das operações e a informações divergentes apresentadas pelas duas instituições.
Procurados, o BRB afirma que é credor na liquidação extrajudicial do Master, reforça que seus processos internos foram aprimorados e que pretende atuar como assistente de acusação no caso. Já o Banco Master não comentou.

