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Política

Câmara discute novas estratégias contra drogas nesta terça-feira (02)

O debate pretende avaliar os riscos de um crescimento no consumo de entorpecentes caso haja flexibilização das regras

Câmara discute novas estratégias contra drogas nesta terça-feira (02)

Duas comissões permanentes da Câmara dos Deputados promovem, nesta terça-feira (02), uma audiência pública conjunta para discutir quais devem ser as próximas ações do Brasil no enfrentamento às drogas. As informações são da Câmara dos Deputados.

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O encontro está marcado para começar às 16h, em plenário ainda a ser definido, e deve reunir especialistas da área da saúde, da assistência social e da segurança pública. A iniciativa é da deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA), que defende que o tema precisa ser tratado como questão de saúde pública.

Segundo ela, políticas eficazes precisam combinar prevenção, atendimento psicológico, redução de danos e programas de reinserção social e não apenas repressão policial. Para a parlamentar é essencial analisar a descriminalização do uso pessoal de drogas, e seus impactos na saúde, segurança, educação e indicadores sociais.

Dados sobre drogas no Brasil

Durante o lançamento em março, do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid), o Ministério da Justiça divulgou um conjunto de números inéditos que chamam atenção para o avanço de práticas perigosas relacionadas ao uso de drogas e ao vício em jogos/apostas no país, principalmente entre adolescentes.

As estimativas são de que 38,6% das pessoas que realizam jogos de apostas já apresentam sinais de dependência ou risco de desenvolver vício. Entre os jovens de 14 a 17 anos, a situação é ainda mais crítica: 55,2% dos apostadores nessa faixa etária estão na zona de risco.

O estudo também aponta para uma forte presença dos cigarros eletrônicos (vapes) no universo jovem. 31,8% dos adolescentes usuários relataram ter fumado no último mês, e 12% das meninas disseram já ter experimentado o dispositivo. Além disso, 77,6% dos usuários afirmam que o vape não ajudou a abandonar o cigarro comum, contrariando justificativas frequentes para o seu consumo.

Outro dado preocupante diz respeito ao uso de medicamentos controlados. O percentual de brasileiros que já fez uso de analgésicos opioides saltou de 0,8% para 7,6% entre 2012 e 2023, com maior crescimento entre mulheres. O consumo de calmantes benzodiazepínicos também avançou de 9,8% para 14,3% no mesmo período.

O evento também apresentou dados do Projeto Tânatos, pesquisa da Faculdade de Medicina da USP, que investigou vítimas de mortes violentas entre 2022 e 2024. Os resultados mostram que 50,1% dessas vítimas tinham substâncias psicoativas no organismo.

Entre os casos analisados: Cocaína foi identificada em 26,7% das vítimas; Álcool em 26,2% e 38% das mortes no trânsito envolveram consumo de álcool pouco antes do acidente. A pesquisa reforça a influência direta do uso de substâncias no aumento de violência e acidentes fatais.

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