Michelle Bolsonaro contestou, na madrugada desta terça-feira (02), as críticas feitas pelos filhos de Jair Bolsonaro após ela questionar o apoio do PL a uma possível candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará. As declarações e respostas que se seguiram ampliaram o desconforto dentro da sigla, segundo a CNN Brasil.
Divergência pública e recado direto
Michelle afirmou que não consegue concordar com a ideia de apoiar um nome que, segundo ela, costuma atacar seu marido. Em nota enviada ao partido, disse: “Como ficar feliz com o apoio à candidatura de um homem que xinga o meu marido o tempo todo de ladrão de galinha, de frouxo e tantos outros xingamentos? Como ser conivente com o apoio a uma raposa política que se diz orgulhoso por ter feito a petição que levou à inelegibilidade do meu marido e se diz satisfeito com a perseguição que ele tem sofrido?”.
Ela acrescentou que, apesar de respeitar a posição dos enteados, mantém visão distinta. No texto, voltou a criticar Ciro, apontando-o como responsável pela narrativa que associa Bolsonaro às mortes por Covid-19 durante sua gestão. “Eu respeito a opinião dos meus enteados, mas penso diferente e tenho o direito de expressas meus pensamentos com liberdade e sinceridade”, afirmou.
Reações da família e tentativa de contenção
Flávio Bolsonaro disse à CNN que conversou com Michelle na última segunda-feira (01) e que ambos já haviam esclarecido o episódio. Mesmo assim, as manifestações públicas dos filhos continuaram. Eduardo Bolsonaro afirmou que a ex-primeira-dama teria ultrapassado o ex-presidente ao criticar o apoio articulado no Ceará e classificou o episódio como “injusto” e “desrespeitoso”. Ele reforçou: “Não vou entrar no mérito de ser um bom ou mal acordo, foi uma posição definida pelo meu pai”.
Carlos Bolsonaro também comentou, defendendo união e respeito à liderança do pai. Já Michelle declarou que Bolsonaro não confirmou a ela se o apoio ao candidato cearense é, de fato, sua decisão. No mesmo comunicado, pediu compreensão e perdão aos enteados.
Terreno político instável
O atrito acontece enquanto o bolsonarismo enfrenta novo período de turbulência. Condenado a 27 anos de prisão por participação em tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente está preso preventivamente desde 22 de novembro. A situação abriu espaço para disputas internas entre figuras que disputam protagonismo dentro do grupo.
O episódio mais recente, que começou em evento em Fortaleza, desencadeou desentendimentos e levou o PL a marcar uma reunião de emergência nesta terça-feira para tentar amenizar o clima.

