O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu colocar na pauta desta terça-feira (9) a votação da PEC do Marco Temporal, em um movimento que chama atenção por ocorrer apenas um dia antes do julgamento do mesmo tema pelo Supremo Tribunal Federal (STF), gerando um cenário de tensão entre os Poderes.
A proposta em análise
Segundo o UOL, a PEC propõe que os povos indígenas tenham direito apenas às terras que ocupavam até a promulgação da Constituição de 1988, o que contrasta com a interpretação majoritária do STF, baseada na teoria do indigenato, que reconhece direitos sobre territórios tradicionalmente ocupados mesmo antes da criação do Estado brasileiro.
Em 2023, a Frente Parlamentar da Agropecuária já havia atuado para aprovar um projeto de lei com o objetivo semelhante, restringindo a extensão de territórios reconhecidos pelo Estado.
Pressões e tensões institucionais
A tensão se intensifica após decisões recentes do ministro Gilmar Mendes, relator do caso no STF, que dificultaram a abertura de processos de impeachment contra membros da Corte, ao mesmo tempo em que buscava mediar um consenso sobre a legislação.
A proximidade do julgamento
De acordo com o Metrópoles, enquanto o STF se prepara para analisar quatro ações que questionam a constitucionalidade do Marco Temporal, a votação da PEC no Senado é vista como uma estratégia de pressão e também como uma tentativa de antecipar uma decisão favorável ao Legislativo.
Um momento crítico para a democracia
A decisão de Alcolumbre reforça o embate entre Congresso e Supremo, colocando em evidência a disputa por protagonismo e mostrando que a definição sobre o Marco Temporal não é apenas jurídica, mas também política.

