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Justiça

Ministro da Justiça defende integração internacional para combater avanço do crime organizado

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), diz que a evolução do crime acompanha a transformação social

Ministro da Justiça defende integração internacional para combater avanço do crime organizado

O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou nesta terça-feira (09) que o crime organizado brasileiro deixou de ser um fenômeno local para se tornar uma ameaça global, exigindo respostas articuladas entre municípios, estados, União e parceiros internacionais. A declaração ocorreu durante sua participação na Comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Crime Organizado.

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Lewandowski destacou que grupos criminosos ganharam complexidade, expandiram fronteiras e passaram a atuar tanto no ambiente físico quanto no digital, movimentando economias paralelas e infiltrando-se em estruturas formais de poder.

Segundo ele, o Brasil tem buscado estreitar o diálogo com outros países e ampliar acordos de cooperação, sendo hoje uma das poucas nações fora da Europa a integrar a Europol. As informações são da Agência Senado Notícias.

Quem é Ricardo Lewandowski?

Ricardo Lewandowski nasceu no Rio de Janeiro em 1948, construiu carreira jurídica e acadêmica: é mestre, doutor e livre-docente em Direito do Estado pela Universidade de São Paulo (USP), além de ter formação em Relações Internacionais nos Estados Unidos. Atualmente é Ministro da Justiça e Segurança Pública, nomeado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A história do crime organizado no Brasil

Segundo a PUC Rio, o crime organizado brasileiro possui raízes profundas e múltiplas. Alguns pesquisadores identificam o cangaço, no fim do século XIX, como o primeiro movimento estruturado com hierarquia, divisão de tarefas e alianças com elites e agentes públicos.

Outros destacam o jogo do bicho, no início do século XX, como a primeira atividade ilícita operada por redes articuladas de poder, sustentadas por policiais e políticos corruptos.

Durante a ditadura militar, a convivência entre presos comuns e presos políticos introduziu no sistema carcerário elementos de organização, disciplina e estratégia, que mais tarde influenciariam facções como o Comando Vermelho, surgido no Presídio da Ilha Grande nos anos 1970.

A partir daí, o país assistiu ao fortalecimento de grupos como o Terceiro Comando, Amigos dos Amigos (ADA) e, mais tarde, o Primeiro Comando da Capital (PCC), criado nos anos 90 em São Paulo.

Com o tempo, essas organizações deixaram de atuar apenas com assaltos e se especializaram no tráfico de drogas, armas, lavagem de dinheiro e controle territorial. Em diversas regiões, especialmente no Rio de Janeiro, passaram a exercer poder paralelo, oferecendo serviços, impondo normas e praticando violência sistemática. Hoje, facções e milícias influenciam a rotina de pelo menos 28,5 milhões de brasileiros, segundo levantamento recente do Datafolha.

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